Natal está entre as 10 cidades brasileiras que mais perderam população, aponta Censo 2022
Natal, RN 25 de jun 2024

Natal está entre as 10 cidades brasileiras que mais perderam população, aponta Censo 2022

28 de junho de 2023
6min
Natal está entre as 10 cidades brasileiras que mais perderam população, aponta Censo 2022

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Com 52.439 habitantes a menos, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, divulgado na manhã desta quarta (28), Natal é a 7ª cidade do país que mais perdeu população, no comparativo com o Censo anterior, realizado em 2010. Enquanto em 2010 Natal possuía 803.739 residentes, em 2022 esse número caiu para 751.300.

No ranking nacional, Salvador (BA) é a cidade que mais perdeu habitantes com -257.651 pessoas, em seguida vem o Rio de Janeiro (RJ) com -109.023, São Gonçalo (RJ) com -102.984, Belém com -90.010, Porto Alegre (RS) com -76.781, Belo Horizonte (MG) com -59.591, Natal (RN) com -52.439, Recife (PE) com -48.784, Duque de Caxias (RJ) com -46.896 e Olinda (PE) com 27.803 habitantes a menos, no comparativo entre o Censo de 2010 e de 2022.

Além de Natal, outros 78 municípios no Rio Grande do Norte também tiveram queda no número de habitantes. Em oito cidades, a queda foi de mais de 1000 pessoas, como no caso de Macau, Caicó, Poço Branco, Currais Novos, Canguaretama, São José do Campestre, Areia Branca, Nova Cruz e Pendências.

Para analisar a redução da população é preciso cruzar diferentes variáveis, destacaria que há uma tendência nos últimos anos de queda no número de membros das famílias em todo o país. Há 50 ou 60 anos as famílias eram extremamente numerosas, mas com o aumento da escolaridade, esse número de membros tende a diminuir. Outro ponto que deve ser considerado é a dificuldade socioeconômica enfrentada nos últimos dez anos, que se reflete na dificuldade das pessoas conseguirem morar na capital. Com isso, acabam indo para outras cidades”, avalia o professor Hugo Morais, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Morar em Natal é mais caro

Depois de Natal (337.029) e Mossoró (123.480), que possuem o maior número de domicílios no estado, são as cidades localizadas no entorno da região metropolitana da capital que se destacam nesse tópico, como Parnamirim (116.679), São Gonçalo do Amarante (54.203), Macaíba (38.147), Ceará-Mirim (34.272) e Extremoz (32.129).

Para o professor de Geografia da UFRN, essa dinâmica de aumento de residências no entorno da capital é uma tendência diante do aumento do preço da habitação na capital, o que também impacta em outras questões, como o trânsito.

"Há uma tendência em Natal de aumento do valor do solo e para ter uma casa ou apartamento fica mais difícil. Na dinâmica do espaço urbano, as pessoas conseguem preços mais baixos em cidades vizinhas, no entorno da capital, como em Parnamirim. Então elas fazem um movimento diário de deslocamento para trabalhar em Natal e volta para casa. Isso se reflete no números de carros aumentando e na dificuldades do trânsito da capital, que tende a piorar", alerta Hugo Morais.

Extremoz  foi o município que mais registrou novos domicílios, passando de 13.584 domicílios em 2010 (24.569 residentes) para 32.129 em 2022 (61.571 residentes), um aumento de 136,5%. Em 2022, o município passou a fazer parte dos mais populosos do estado e, nacionalmente, foi o quarto do país a apresentar o maior crescimento no número de domicílios.

Já as cidades de Parnamirim (50.260), Extremoz (37.002) e São Gonçalo do Amarante (27.876) se destacaram com os maiores aumentos absolutos de população residente. Em seguida, destacaram-se os municípios de Macaíba, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, São José de Mipibu, Tibau do Sul, Mossoró e Goianinha.

Natal e Parnamirim concentram maior população

As cidades de Natal, com 4.488,03, e Parnamirim, com 2.037,93, concentram o maior número de habitantes por quilômetro quadrado, sendo responsáveis por 30,4 % de toda a população do estado. Na sequência estão as cidades de Mossoró (8%), São Gonçalo do Amarante (3,51%), Macaíba (2,49) e Ceará-Mirim (2,40%). Os outros 161 municípios espalhados pelo estado têm representações populacionais abaixo de 1,85% cada.

De maneira geral, o Rio Grande do Norte crescimento populacional de 4,2% entre o Censo 2010 e 2022, o que fica um pouco abaixo da média brasileira (6,5%). A participação do RN em relação à população brasileira se manteve bem próxima entre os Censos de 2010 e 2022 com uma pequena queda (de 1,7% para 1,6%), saindo do 16º para o 17º lugar entre os estados mais populosos do Brasil.

Em 2022 a população residente no RN passou a ser de 3.302.406 pessoas, um aumento de 134.379 pessoas em relação à 2010, representando uma taxa geométrica de crescimento de 0,35%, abaixo da média nacional de 0,52%. O estado passou de uma média de 3,31 para 2,88 pessoas por domicílio entre 2010 e 2022, ficando bem próximo à média nacional, de 2,79. Em 2010, o Brasil tinha, em média, 3,52 pessoas por domicílio.

O Rio Grande do Norte teve 2,52% de não respostas ao Censo.

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