Movimento Vida Além do Trabalho busca ganhar forma no RN
Natal, RN 19 de jun 2024

Movimento Vida Além do Trabalho busca ganhar forma no RN

26 de maio de 2024
4min
Movimento Vida Além do Trabalho busca ganhar forma no RN
Foto: Davi Pinheiro/Movimento VAT

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E se você conseguisse ter uma jornada de trabalho menor? Se houvesse mais tempo destinado ao lazer, à família, ao descanso? Essa é parte das propostas do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende o fim da escala 6x1 — aquela em que se trabalha seis dias por semana e descansa um. 

No Rio Grande do Norte, a iniciativa nacional começa a dar os primeiros passos. No feriado do 1º de maio, por exemplo, um grupo fez uma panfletagem. A estudante de História Fernanda Pinheiro trabalhou por menos de um ano na escala 6x1 em uma empresa de telemarketing, e lembra dos dias frenético em que conciliava o trabalho com a faculdade.

“Devido à pressa, adquiri gastrite e problema de refluxo também; na escala 6x1 só temos 20 minutos de pausa para almoço, por exemplo”, recorda.

Ela diz que já conhece o VAT mas defende que a proposta deveria ser ainda além: em defesa da escala 4x3. 

“Isso porque também não morro de amores pela escala 5x2. Pra quem estuda e trabalha ainda é cansativo, a parte boa é que podemos contar com dois dias livres, mas a rotina permanece frenética em dia de trabalho”, diz ela. 

“Isso levando em consideração apenas as minhas necessidades. Para quem tem filhos, por exemplo, imagino que o cerco seja mais fechado ainda”, acredita Fernanda. 

Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN com estudos na área da sociologia do trabalho, Cesar Sanson aponta que a reivindicação pelo fim da escala 6x1 não somente faz sentido, como é necessária.

“A luta pela redução da jornada de trabalho começou com a Revolução Industrial quando era comum trabalhar até quinze horas por dia, incluindo trabalho infantil. Ao longo dos dois últimos séculos se chegou a um patamar que se considera civilizado de uma jornada de 8h diárias. O problema, entretanto, não reside apenas na quantidade das horas diárias trabalhadas, mas também na quantidade de dias na semana”, explica. 

“O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) afirma que o fato de uma pessoa ter que se doar para a empresa seis dias na semana e folgar apenas um dia, e ganhar um salário-mínimo, é uma espécie de escravidão”, complementa o professor. 

Sanson diz que essas pessoas praticamente passam mais tempo nos locais de trabalho do que em suas residências com suas famílias ou amigos, isso sem considerar o tempo de deslocamento. 

“Portanto, trata-se de uma reivindicação que é universal: o direito a ampliação ao tempo livre para fruição de atividades como o lazer, a família, os amigos, a cultura. Escutar uma música, ler um livro, assistir um filme, passear ou se encontrar com a família ou amigos exige tempo livre e isso se torna impossível trabalhando-se seis dias por semana. Há inclusive experiências e pesquisas que revelam que as pessoas não perdem a produtividade trabalhando apenas 04 dias por semana, ou seja, a produtividade não está necessariamente vinculada a quantidade de horas ou dias trabalhados. Trabalhando-se menos se produz o mesmo e ainda se cria mais postos de trabalho”, defende.

Para o docente, há uma rejeição crescente e forte ao modo como o trabalho ocupa nossas vidas hoje:

“Principalmente ao trabalho padronizado, aquele em que a pessoa tem que ficar 08 horas trabalhando num mesmo local e muitas vezes subordinado a um supervisor ou patrão autoritário”.

Segundo ele, movimentos que questionam jornadas padronizadas de trabalho associadas à subordinação vêm crescendo em todo o mundo. 

“Uma dessas manifestações foi o movimento conhecido como “Grande Renúncia” em que 4,3 milhões de americanos pediram demissão de seus empregos no pós-pandemia. Há uma tendência — que as pesquisas vêm confirmando — de que particularmente os jovens não veem sentido em ficar seis dias por semana trabalhando oito horas por dia. A sensação é da vida se esvaindo em detrimento ao tempo de lazer, convivência com amigos e família”, aponta.

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