“Slam no Mirante” leva poesia ao bairro de Mãe Luiza
Natal, RN 19 de jun 2024

"Slam no Mirante" leva poesia ao bairro de Mãe Luiza

30 de maio de 2024
4min
Foto: divulgação @slamnomirante

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Com poesia e cultura a favela segue adiante. São essas palavras que guiam o Slam no Mirante, batalha de poesia que acontece em Mãe Luiza, zona leste de Natal. A próxima edição acontece em 8 de junho, com biblioteca ao ar livre, oficina de passinho, de mandalas e, claro, com poesia.

O slam é um gênero de poesia falada que nasceu na década de 1980 em Chicago, nos Estados Unidos e, no Brasil, encontrou lugar dentro da periferia e do rap. Cada poeta tem a liberdade de recitar seus textos autorais sem precisar ficar preciso a métricas e ricas, mas existem algumas regras. Cada apresentação deve ter até três minutos e não é permitido o uso de trilha sonora nem de figurinos. Em Mãe Luiza, a disputa acontece na Praça Luiz Antônio Firmino.

O organizador do Slam no Mirante é o rapper André Lima, também conhecido como Amém Ore. Ele explica que a batalha surgiu em uma viagem que fez para representar o Rio Grande do Norte no Acre Graffiti, evento de grafitagem coletiva que reúne artistas de vários lugares do Brasil. O artista já tem uma trajetória de alguns anos no slam; em 2019, por exemplo, participou da etapa nacional da competição, o Slam BR, mas diz que quando a pandemia começou, se afastou um pouco das ruas.

“E nas ruas a gente fazia muito slam, fazia as rodas. E a gente teve que migrar muito para a internet, então isso me afastou um pouco das ruas, me fez ir mais para o lado da música. E quando eu fui para o Acre Graffiti, eu me inscrevi para representar o Rio Grande do Norte lá no slam, eu me conectei novamente com o slam”, conta.

No evento do Acre, diz que conversou com os organizadores sobre a potência que o slam tem de mudar vidas, de como desperta o interesse quando se vai para as escolas e para as ruas. 

Ao voltar para o RN, viu que era hora de montar novamente uma batalha. As primeiras edições aconteceram no ano passado, em programações que tiveram atividades variadas.

“O Slam no Mirante surgiu como uma oportunidade de não me afastar da poesia. Já que eu não estava escrevendo tanto, eu decidi organizar e fazer com que mais pessoas também tivessem as mesmas oportunidades”, diz Ore.

As batalhas servem também como seletiva para a etapa estadual do Slam RN, que dá uma vaga ao vencedor no Slam BR.

Para André, não se trata de levar o rap e o hip hop para Mãe Luiza, mas de resgatá-los.

“Toda a cultura do hip hop é um resgate, porque já está aqui há muito tempo. A gente já tem o hip hop presente no Rio Grande do Norte há 30 anos. Então tudo que a gente faz é para a gente se manter conectado e manter a nossa cultura viva, manter a nossa luta viva, a nossa resistência”, diz o músico. 

As crianças da comunidade também são impactadas. Lima diz que, ao colocar umas cadeiras e som na rua, várias já se aproximam.

“E a gente sabe o impacto que isso teve na nossa vida e sabe também o impacto que isso vai ter na vida delas. Apresentar a poesia, apresentar oficinas. Essa mesma [próxima edição] vai ter oficina de passinho, oficina de mandalas de lã. Já é algo novo para a criança aprender, para consumir, além da própria poesia, que é um ensinamento, que é o acesso à própria informação dos nossos direitos”, enfatiza.

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