Movimento docente: O falso debate e o sono da razão
Natal, RN 15 de jul 2024

Movimento docente: O falso debate e o sono da razão

16 de junho de 2024
4min
Movimento docente: O falso debate e o sono da razão

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No momento, nós docentes da UFRN deveríamos discutir a greve. Devemos continuar em greve? Que outras estratégias seriam necessárias para fortalecer o movimento docente na educação federal? O problema é que alguns, com apoio e financiamento oculto de instituições, optaram por desviar a finalidade da greve, lançando uma campanha divisionista contra o Proifes.

O debate sobre modelos organizativos seria muito oportuno, desde que construído sem abusos, sem campanhas difamatórias, às claras, livre de interferências autoritárias, ancorado nos fatos e na história. Há 12 anos, quando a discussão foi bem conduzida, a Adurn optou por sair do Andes e ingressar no Proifes, após um ano de debates, democraticamente, com ampla participação da categoria.

Essa escolha foi motivada pela insatisfação com a intransigência do Andes, que insistia em fazer greves intermináveis, com baixa participação e tinha extrema dificuldade em adotar uma postura minimamente propositiva. A entidade tem um modelo anacrônico, diferente do adotado por outras categorias. O Andes é um “sindicato nacional” e as representações estaduais são meras “seções sindicais”, perdendo completamente sua autonomia. Isso ajuda a compreender as razões pelas quais as maiores associações docentes, das maiores universidades e muitos institutos federais em diversos estados - RS, SC, RJ, MG, BA, GO, DF, PE, RN, entre outras - optaram por sair do Andes. Algumas retornaram ao Andes, engrossando um movimento de oposição que tenta há décadas maior espaço na entidade, com pouco ou nenhum êxito.

Desde as origens, em 2004, o Proifes é acusado de ser uma entidade governista. Soa contraditório, quando se observa que em diversos momentos entidades ligadas à federação fizeram greve e questionaram decisões governamentais. O que o Proifes nunca fez foi embarcar no fora todos, tal qual o Andes, engrossando o golpe contra Dilma. O custo do golpe que contou com a conivência do Andes foi a passagem da boiada pisoteando a educação. As perdas da categoria superaram um terço do salário.

Parece que alguns querem um debate atropelado e intempestivo, simplesmente ecoando bordões. O debate ponderado revelaria o histórico do Andes: nunca negociar, a exemplo do recente acordo que reajusta os auxílios, esticar as greves enfraquecendo a mobilização, ter sido contra o Reuni, propor uma carreira em que professoras e professores terão que esperar 24 anos para chegar ao topo, contra os 19 anos propostos pelo Proifes. Alguns dizem que o Andes mudou. Se é assim, por qual razão não assinou o acordo que reajusta os benefícios? Quais as razões para usar outras entidades no sentido de intervir nas questões dos docentes? Se professores tentassem tutelar os técnicos e os estudantes estaríamos repudiando essa postura autoritária. O contrário também é condenável e enfraquece o debate, nos fragmenta ainda mais em lugar de criar condições para a unidade.

Por fim, omitem que a contribuição para o Andes é 21% da arrecadação dos sindicatos, contra 8% do Proifes. E lançam a tese de que poderíamos nos manter independentes, já que sabem o quanto o Andes é rejeitado entre os professores com mais de 10 anos de carreira. Sair do Proifes significa renunciar à participação no Conselho Nacional de Educação, no Fórum Nacional de Educação, conselho do RSC e diversos outros espaços onde o Proifes está e o Andes não. E significa ficar fora das mesas de negociação… a menos que se escolha retornar ao Andes. Por isso, os devotos do eterno retorno adotam discursos emocionados, mas carentes de argumentos e fatos. O sono da razão produz monstros, como ilustrava Goya. Devemos nos concentrar no debate sobre a greve e rejeitar o retorno aos erros do passado.

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