Os desafios de ser quadrilheiro e preservar a cultura junina em Natal
Natal, RN 13 de jun 2024

Os desafios de ser quadrilheiro e preservar a cultura junina em Natal

2 de junho de 2024
4min
Os desafios de ser quadrilheiro e preservar a cultura junina em Natal
Ensaio geral da Matutos da Paixão em 2024 | foto: cedida

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As quadrilhas juninas são danças e expressões populares mais fortes da cultura junina do Nordeste. Na verdade, essa expressão cultural transforma, embeleza, fortalece e enriquece uma tradição que luta para se manter de pé através de vestidos, laços de fita, bandeirinhas e muito forró. Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, as tradicionais quadrilhas juninas enfeitam as noites de São João da cidade, sobretudo nas periferias, e resgatam jovens através da cultura, da dança e da música.

A Agência Saiba Mais conversou com uma noiva de quadrilha junina para conhecer os desafios de ser uma quadrilheira potiguar. Bruna Taysa, moradora da Zona Norte de Natal, e recreadora infantil, engatou pelo 3° ano consecutivo como uma das principais figuras de um grupo junino: a noiva. Em outras palavras, a noiva é uma das peças mais importantes em uma quadrilha junina, sendo um dos principais destaques em toda e qualquer categoria da expressão.

Existem duas categorias de juninas: as tradicionais e as estilizadas. As quadrilhas estilizadas apresentam coreografias mais elaboradas, trajes e figurinos mais rebuscados e um estilo de dança mais sincronizado. Já nas tradicionais, os passos, figurinos e ornamentações são mais simples, sem deixar de ser elaborados, trazendo um aspecto mais “matuto” desse estilo. Ambas as categorias envolvem meses de ensaio e preparação e dezenas de pessoas envolvidas, desde cantores, costureiros, instrumentistas, atores, bailarinos e artesãos. 

Quadrilha “Matutos da Paixão”, da Zona Norte de Natal, em seu 4° ano de existência. | Foto: cedida

Bruna Taysa se apaixonou pela quadrilha ainda quando criança, ao se apresentar na festinha da escola antes mesmo de iniciar o primeiro ano do ensino fundamental. Com o passar do tempo, o amor por essa cultura foi crescendo ao ponto dela entrar nesse mundo de vez. Um mundo musical, colorido, divertido e que é exaustivo. Isso porque, os quadrilheiros chegam a dançar em três a quatro arraiais, por noite, com uma coreografia de 40 minutos de duração aproximadamente. A noiva explicou que as coreografias são montadas conforme as músicas escolhidas, cada uma com um tempo e um arranjo diferente. 

“Dançar quadrilha é uma terapia, você se diverte dançando. Passa energia através da dança. Conhece pessoas novas, viaja, frequenta bons arraias, e tem momentos únicos onde só a época do São João proporciona. Além disso tudo, levamos a importância da cultura brasileira, e não deixamos se acabar”, explica Bruna.

Bruna em 2023, na Matutos da Paixão. | foto: cedida

Quadrilheiros lutam sozinhos para manter tradição de pé

Para conciliar a rotina frenética no mês junino, a noiva do arraiá precisa abdicar de inúmeros compromissos sociais ao longo de todo período de festas e também dos meses que antecedem as apresentações.

“É bastante cansativo, porque o tempo que tenho livre do trabalho eu dedico pra quadrilha. Então torna-se algo do tipo:’ trabalho/quadrilha, quadrilha/trabalho nesse tempo de São João’. Então como gosto de dançar, dou um jeitinho de conciliar e dar tudo certo”, detalhou. 

É o amor pela dança que move Bruna e outros tantos quadrilheiros que lutam para manter viva uma tradição nordestina e potiguar, que apesar de linda, carece de atenção do poder público. A noiva comenta que, na maioria das vezes, as quadrilhas juninas precisam tirar quase todo o dinheiro do próprio bolso para arcar com os custos das apresentações. Para pagar as roupas, as maquiagens e até os ônibus para levar as juninas de um lugar para o outro, os quadrilheiros se viram para arrecadar dinheiro fazendo rifas ou juntando os trocados.

 “A desvalorização começa em questão de um apoio, tipo, da prefeitura que a gente nunca tem. Geralmente, as quadrilhas pequenas têm que arcar com o dinheiro do seu bolso para comprar os figurinos. Tipo, quando tem festa grande, geralmente  [A prefeitura] prefere pagar um cantor para vir, do que pagar uma premiação maior para uma quadrilha, na qual a maioria dos componentes tiram dinheiro do seu bolso. Enfim, nossa cultura é super desvalorizada dentro da nossa própria cidade.”, desabafa.

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