RN: número de lesão autoprovocada de idosos cresceu 637% em uma década
Natal, RN 17 de jul 2024

RN: número de lesão autoprovocada de idosos cresceu 637% em uma década

26 de junho de 2024
5min
RN: número de lesão autoprovocada de idosos cresceu 637% em uma década
No RN, foram oito casos de violência autoprovocada por idosos registrados em 2012 e cinquenta e nove em 2022. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O número de notificações de agravos de lesão autoprovocada por pessoas idosas cresceu 400,1% no Brasil entre 2012 e 2022, passando de 1.102 para 5.511 casos no país. No Rio Grande do Norte, no período da década analisada, o aumento das notificações foi de 637,5%, sendo oito casos registrados em 2012 e cinquenta e nove em 2022. É o que mostra o Atlas da Violência 2024, divulgado na última semana.

A violência autoprovocada ou autodirigida é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como comportamento suicida e atos violentos provocados contra si próprio, como as mutilações. Os estados com os maiores números dessas notificações no ano de 2022 foram São Paulo (1.168), Ceará (837) e Minas Gerais (626).

Já as taxas de notificações de agravos da violência autoprovocada pelos idosos apresentaram um crescimento de 246,9% entre as pessoas de 60 anos ou mais no Brasil. O RN, de acordo com o estudo, apresentou um crescimento dessa taxa de 369,6% de 2012 a 2022.

Ainda de acordo com a OMS, algumas motivações podem levar a pessoa idosa à violência autoprovocada, como: discriminação, o sentimento de solidão, abuso, violência, relações conflitivas, perdas financeiras, dores crônicas, consumo nocivo de álcool e transtornos mentais.

Violência interpessoal contra idosos

Analisando a década 2012-2022, o Atlas da Violência 2024 mostra que o número de notificações de violência interpessoal (física, psicológica, tortura, sexual, negligência, entre outras) contra pessoas idosas no ano de 2022 no Brasil foi o maior: 21.775. No Rio Grande do Norte, durante a década, o aumento nesse número foi de 49,3%.

A violência interpessoal é praticada por alguém contra a pessoa idosa. O estudo do Atlas registrou que, em 2022, ano dos dados mais recentes, foram 100 casos de violência interpessoal contra pessoas idosas registrados no RN.

Já a taxa de violência interpessoal contra esse grupo aumentou 242,3% no país entre 2012 e 2022. Os pesquisadores do estudo entendem que a maior parte desse aumento foi decorrente da ampliação da abrangência da coleta de dados.

Leia também - Violência à pessoa idosa: 90% dos casos no RN ocorrem em casa

No estado potiguar, a taxa diminuiu 3,7% se compararmos o período de 2012 a 2022. No entanto, entre 2021 e 2022 essa taxa aumentou 22%.

Diferenças nos índices entre idosos negros e não negros

O Atlas da Violência 2024 analisou que a violência contra idosos é diferente entre o grupo de idosos negros e de não negros no país. Um exemplo disso é como os homicídios afetam diferentemente os dois grupos.

De acordo com o estudo, a taxa de mortalidade por homicídio (registrado) de idosos por 100 mil habitantes no Brasil foi 78,8% mais elevada para homens negros (15,2) do que para homens não negros (8,5) em 2022. No período de 2012 a 2022, houve um decréscimo nessa taxa de 28,6% para os idosos negros e de 43,3% para os não negros. 

Com relação aos óbitos por homicídios de mulheres idosas, o estudo observou, para o ano de 2022, uma taxa de 1,6 por 100.000 para mulheres negras, e de 1,4 por 100.000 para não negras. Houve um decréscimo de 33,3%, na taxa de mortalidade das mulheres negras e de 36,4% das não negras. 

Apesar variação ter sido negativa para todos os grupos, as taxas de decréscimo são menores para homens e mulheres negros.

Outro indicador considerado na análise das violências pelo Atlas contra pessoas idosas são as internações por agressões para o ano de 2022 no país.

“No ano de 2022, as taxas de internação por agressão para cada 100 mil idosos revela mais uma vez a realidade de desigualdade racial estruturante nos níveis de vulnerabilidade da população idosa. Comparando homens idosos negros e não negros, podemos observar que a taxa de agressão para o primeiro grupo (16,6) foi cerca de duas vezes maior do que para o segundo (8,1) no Brasil. No caso das mulheres idosas, esses indicadores foram, respectivamente, de 5,1 e 2,5”, afirma o estudo.

Atlas da Violência

Anualmente, o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lança um relatório atualizando os dados de violência no Brasil. O trabalho é feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Como nas edições anteriores, busca-se retratar a violência no Brasil, principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. São informações sobre homicídios analisadas à luz da perspectiva de gênero, raça, faixa etária, entre outras.

Confira aqui o levantamento completo.

Saiba+

RN é o 2º estado do país em redução de homicídios entre 2017 e 2022

Mossoró é a 11ª cidade mais violenta do Brasil, segundo Atlas da Violência

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.