Polícia prende pastor suspeito de homicídio do prefeito de João Dias
Natal, RN 3 de jun 2026

Polícia prende pastor suspeito de homicídio do prefeito de João Dias

27 de dezembro de 2024
6min
Polícia prende pastor suspeito de homicídio do prefeito de João Dias
Foto: reprodução

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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu, na manhã desta sexta-feira (27), um pastor de 27 anos apontado como um dos mandantes da morte do prefeito de João Dias, Francisco Damião de Oliveira, conhecido como Marcelo Oliveira, e seu pai, Sandi Alves de Oliveira, de 58 anos. Além disso, segundo as investigações, o crime foi articulado durante um culto religioso. O nome do pastor não foi divulgado.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e seis de busca e apreensão nas cidades de João Dias, Patu e Marcelino Vieira. O suspeito preso foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça.

Além dele, a ex-prefeita do município, Damária Jácome (Republicanos), e uma vereadora reeleita, Leidiane Jácome  (Republicanos), que é a presidente da Câmara Municipal, ambas investigadas por envolvimento no crime e com prisão decretada pela Justiça, não foram localizadas e são consideradas foragidas. As duas são irmãs.

A Polícia realizou uma coletiva de imprensa no início da tarde desta sexta (27) para detalhar a operação.

“Foi preso hoje um pastor. Foi ele que em momentos antes do crime disse onde estava o prefeito e disse para executarem o crime, e se cogitou em um determinado momento também que o crime fosse executado dentro de um culto, onde o prefeito Marcelo visitava, porque era um momento que ele estava exposto e vulnerável”, explicou o delegado Alex Wagner, diretor da Divisão de Polícia Civil do Oeste (DIVIPOE).

“Mas aí encontraram um outro melhor momento, que foi quando ele estava fazendo campanha política. Ele estava visitando a casa dos moradores da cidade de João Dias, em campanha política, encontraram esse momento de vulnerabilidade, e aí as sete pessoas executaram o crime”, continuou.

De acordo com o delegado, quem uniu as três equipes (das cidades de Santana do Matos, Mossoró e Pau dos Ferros) para executar o crime foi um homem conhecido como “Véi”, que residia na cidade de Marcelino Vieira. O homem não foi encontrado, mas já tem passagem pela polícia.

A motivação para que Damária e Leidiane Jácome se envolvessem com o crime foi em razão de disputas familiares, depois que os Jácome e Marcelo foram aliados na eleição de 2020.

“Os Jácome junto com a família do prefeito Marcelo se uniram politicamente para retirar um adversário político do poder, uma concorrência política normal, sendo que houve uma desavença durante a execução do mandato. O Marcelo primeiro pediu afastamento do cargo, depois voltou dizendo que tinha sido extorquido pela família dos Jácome e aí disso daí nasceu uma beligerância entre as duas famílias”, afirmou o delegado. 

O prefeito Marcelo Oliveira, assassinado em agosto de 2024 | Foto: redes sociais

Durante esse tempo, duas pessoas da família Jácome foram mortas e também foi apreendido um fuzil.

“E essa família [Jácome] imputa ao Marcelo que ele teria entregue onde estaria esse fuzil e também onde estariam os irmãos da família Jácome, que eram foragidos à época. Diante de todas as circunstâncias, a companhia política foi o momento que eles encontraram de vulnerabilidade do Marcelo para poder matá-lo”, disse.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e tinham também seis mandados de prisão. Apenas uma pessoa estava na residência. Foi presa uma pessoa, os outros cinco estão foragidos.

O crime foi registrado no dia 27 de agosto de 2024. A operação deflagrada pela Polícia Civil levou o nome de “Profanos”. O nome faz alusão ao termo que caracteriza atos de desrespeito a princípios sagrados, em referência à conduta dos envolvidos. A Polícia Civil também foi a um endereço de uma igreja evangélica na cidade de João Dias.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e seis mandados de busca e apreensão domiciliar nas cidades de João Dias, Patu e Marcelino Vieira. A ação contou com o trabalho de 40 policiais civis da Diretoria de Polícia Civil da Grande Natal (DPCIN) e da Divisão de Polícia do Oeste (DIVIPOE). Investigações anteriores relacionadas aos executores do crime resultaram na prisão de seis suspeitos.

O inquérito do caso indiciou oito pessoas como executores e outras cinco como mentores intelectuais do duplo homicídio, além de 10 pessoas já indiciadas por formação de milícia.

Marcelo Oliveira, de 38 anos, era candidato à reeleição. Ele foi eleito prefeito em 2020, quando era filiado ao PP, numa disputa apertada em que venceu por uma diferença de 46 votos contra a candidata Dra Tássia (PSD), mas renunciou ao cargo em julho de 2021 devido a ameaças feitas pela vice-prefeita Damária Jácome e o presidente da Câmara Municipal e também pai de Damária, Laete Jácome

Segundo o MPRN, as ameaças eram direcionadas não apenas ao prefeito que renunciou, mas também à família dele. Em outubro de 2022, o prefeito eleito entrou com um pedido para retomar o cargo. A solicitação foi acatada pelo Tribunal de Justiça do RN, que determinou seu retorno à Prefeitura de João Dias.

Já em dezembro de 2022, a vice-prefeita e o presidente da Câmara de João Dias foram afastados dos cargos, tiveram a prisão decretada e foram considerados foragidos. Segundo informações da época, as ameaças sofridas pelo prefeito eleito também eram formuladas por três irmãos dela. À época, dois deles morreram em confronto com a polícia durante o cumprimento de mandados de prisão e um terceiro foi preso.

Com a morte do prefeito, a eleição em João Dias precisou contar com o apoio da Força Federal. No lugar de Marcelo Oliveira, concorreu sua esposa, Maria de Fátima Mesquita da Silva. Damária chegou a concorrer ao cargo neste ano, mas perdeu para a viúva, que venceu com 66,84%, com o nome de urna de “Fatinha de Marcelo”.

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