Polícia prende pastor suspeito de homicídio do prefeito de João Dias
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu, na manhã desta sexta-feira (27), um pastor de 27 anos apontado como um dos mandantes da morte do prefeito de João Dias, Francisco Damião de Oliveira, conhecido como Marcelo Oliveira, e seu pai, Sandi Alves de Oliveira, de 58 anos. Além disso, segundo as investigações, o crime foi articulado durante um culto religioso. O nome do pastor não foi divulgado.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e seis de busca e apreensão nas cidades de João Dias, Patu e Marcelino Vieira. O suspeito preso foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça.
Além dele, a ex-prefeita do município, Damária Jácome (Republicanos), e uma vereadora reeleita, Leidiane Jácome (Republicanos), que é a presidente da Câmara Municipal, ambas investigadas por envolvimento no crime e com prisão decretada pela Justiça, não foram localizadas e são consideradas foragidas. As duas são irmãs.
A Polícia realizou uma coletiva de imprensa no início da tarde desta sexta (27) para detalhar a operação.
“Foi preso hoje um pastor. Foi ele que em momentos antes do crime disse onde estava o prefeito e disse para executarem o crime, e se cogitou em um determinado momento também que o crime fosse executado dentro de um culto, onde o prefeito Marcelo visitava, porque era um momento que ele estava exposto e vulnerável”, explicou o delegado Alex Wagner, diretor da Divisão de Polícia Civil do Oeste (DIVIPOE).
“Mas aí encontraram um outro melhor momento, que foi quando ele estava fazendo campanha política. Ele estava visitando a casa dos moradores da cidade de João Dias, em campanha política, encontraram esse momento de vulnerabilidade, e aí as sete pessoas executaram o crime”, continuou.
De acordo com o delegado, quem uniu as três equipes (das cidades de Santana do Matos, Mossoró e Pau dos Ferros) para executar o crime foi um homem conhecido como “Véi”, que residia na cidade de Marcelino Vieira. O homem não foi encontrado, mas já tem passagem pela polícia.
A motivação para que Damária e Leidiane Jácome se envolvessem com o crime foi em razão de disputas familiares, depois que os Jácome e Marcelo foram aliados na eleição de 2020.
“Os Jácome junto com a família do prefeito Marcelo se uniram politicamente para retirar um adversário político do poder, uma concorrência política normal, sendo que houve uma desavença durante a execução do mandato. O Marcelo primeiro pediu afastamento do cargo, depois voltou dizendo que tinha sido extorquido pela família dos Jácome e aí disso daí nasceu uma beligerância entre as duas famílias”, afirmou o delegado.

Durante esse tempo, duas pessoas da família Jácome foram mortas e também foi apreendido um fuzil.
“E essa família [Jácome] imputa ao Marcelo que ele teria entregue onde estaria esse fuzil e também onde estariam os irmãos da família Jácome, que eram foragidos à época. Diante de todas as circunstâncias, a companhia política foi o momento que eles encontraram de vulnerabilidade do Marcelo para poder matá-lo”, disse.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e tinham também seis mandados de prisão. Apenas uma pessoa estava na residência. Foi presa uma pessoa, os outros cinco estão foragidos.
O crime foi registrado no dia 27 de agosto de 2024. A operação deflagrada pela Polícia Civil levou o nome de “Profanos”. O nome faz alusão ao termo que caracteriza atos de desrespeito a princípios sagrados, em referência à conduta dos envolvidos. A Polícia Civil também foi a um endereço de uma igreja evangélica na cidade de João Dias.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e seis mandados de busca e apreensão domiciliar nas cidades de João Dias, Patu e Marcelino Vieira. A ação contou com o trabalho de 40 policiais civis da Diretoria de Polícia Civil da Grande Natal (DPCIN) e da Divisão de Polícia do Oeste (DIVIPOE). Investigações anteriores relacionadas aos executores do crime resultaram na prisão de seis suspeitos.
O inquérito do caso indiciou oito pessoas como executores e outras cinco como mentores intelectuais do duplo homicídio, além de 10 pessoas já indiciadas por formação de milícia.
Marcelo Oliveira, de 38 anos, era candidato à reeleição. Ele foi eleito prefeito em 2020, quando era filiado ao PP, numa disputa apertada em que venceu por uma diferença de 46 votos contra a candidata Dra Tássia (PSD), mas renunciou ao cargo em julho de 2021 devido a ameaças feitas pela vice-prefeita Damária Jácome e o presidente da Câmara Municipal e também pai de Damária, Laete Jácome.
Segundo o MPRN, as ameaças eram direcionadas não apenas ao prefeito que renunciou, mas também à família dele. Em outubro de 2022, o prefeito eleito entrou com um pedido para retomar o cargo. A solicitação foi acatada pelo Tribunal de Justiça do RN, que determinou seu retorno à Prefeitura de João Dias.
Já em dezembro de 2022, a vice-prefeita e o presidente da Câmara de João Dias foram afastados dos cargos, tiveram a prisão decretada e foram considerados foragidos. Segundo informações da época, as ameaças sofridas pelo prefeito eleito também eram formuladas por três irmãos dela. À época, dois deles morreram em confronto com a polícia durante o cumprimento de mandados de prisão e um terceiro foi preso.
Com a morte do prefeito, a eleição em João Dias precisou contar com o apoio da Força Federal. No lugar de Marcelo Oliveira, concorreu sua esposa, Maria de Fátima Mesquita da Silva. Damária chegou a concorrer ao cargo neste ano, mas perdeu para a viúva, que venceu com 66,84%, com o nome de urna de “Fatinha de Marcelo”.