Apostas online: influenciadores de Natal, Parnamirim e Macau são alvos de operação
Natal, RN 22 de jul 2026

Apostas online: influenciadores de Natal, Parnamirim e Macau são alvos de operação

21 de maio de 2025
5min
Apostas online: influenciadores de Natal, Parnamirim e Macau são alvos de operação

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Em uma ofensiva articulada contra crimes financeiros associados ao mercado ilegal de apostas online, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou nesta quarta-feira (21) duas operações simultâneas, “Shadow Influence” e “Cassino Royale”, com apoio do Ministério Público Estadual. As ações miram influenciadores digitais e empresários ligados a plataformas ilegais de jogos de azar, que usavam as redes sociais para atrair seguidores, induzi-los ao vício e, ao mesmo tempo, dissimular o acúmulo de capital oriundo de práticas ilícitas.

No total, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Rio Grande do Norte, São Paulo, Pernambuco e Maranhão. Seis influenciadores digitais dos municípios potiguares de Natal, Parnamirim e Macau são investigados por atuarem como “garotos-propaganda” de sites de apostas ilegais, como o “jogo do tigrinho”. As investigações apontam que eles usavam contas de demonstração, viciadas para sempre vencer, a fim de ludibriar seguidores e induzi-los a apostar.

“Essas pessoas se beneficiam da lógica de ostentação das redes sociais para legitimar práticas que exploram principalmente as classes populares, que veem nas apostas uma esperança de renda fácil. Na realidade, esses jogos são programados para fazer os apostadores perderem”, destacou o promotor Augusto Lima, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). “A conta chega, e ela é paga com desemprego, endividamento, desespero e, agora, com prisões e bloqueios milionários.”

A Operação “Cassino Royale” teve como foco empresários e operadores das plataformas, atingindo os bastidores do que está sendo descrito como um “esquema bilionário de lavagem de capitais”. Três empresas também estão entre os alvos da ação.

Além dos mandados, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 40 milhões em bens e valores dos envolvidos. Durante as diligências, foram apreendidos cerca de R$ 30 mil em dinheiro vivo, 12 carros de luxo (como Mercedes-Benz e Toyota Hilux), uma motocicleta, relógios de grife, joias, ouro, documentos diversos, moedas estrangeiras, criptoativos avaliados em R$ 68 mil, computadores e materiais de divulgação das plataformas.

A ação contou com o apoio da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), do Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), além das Polícias Civis dos estados citados.

As operações levantam um alerta sobre a conivência e participação ativa de figuras públicas na manutenção de um sistema econômico paralelo, sustentado na exploração da esperança de pessoas vulneráveis, um retrato do capitalismo digital em sua face mais perversa.

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