ANTRA promove 1ª conferência nacional de pessoas trans e travestis idosas
A luta pelo direito de envelhecer com dignidade ganha um novo capítulo no Brasil. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) realizará, no dia 9 de agosto de 2025, às 13h, de forma online, a 1ª Conferência Nacional de Pessoas Trans e Travestis Idosas. A ação é parte de um movimento inédito e urgente para reconhecer, valorizar e escutar quem sobreviveu às múltiplas formas de violência e exclusão ao longo da vida.
As inscrições estão abertas de 21 de julho a 5 de agosto, no site www.antrabrasil.org.
Com o tema central “Envelhecimento trans: memória, dignidade e cidadania”, a conferência reunirá pessoas trans e travestis com mais de 50 anos de todas as regiões do país. A proposta é abrir espaço para o debate sobre temas essenciais como acesso à saúde, segurança, cuidados específicos, enfrentamento à violência, políticas públicas e direitos humanos.
Segundo a ANTRA, o envelhecimento trans ainda é um desafio no Brasil, não por sua raridade, mas porque a violência histórica e estrutural tem negado às pessoas trans o próprio direito de envelhecer. A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, segundo dados da própria associação. Esse número alarmante revela o impacto direto da transfobia, da violência e da exclusão no tempo de vida dessa população.
Em paralelo à conferência, a ANTRA conduz a pesquisa “Traviarcas: Envelhecimento de Pessoas Trans no Brasil”, que busca investigar os impactos do abandono institucional, do racismo e da transfobia na vida da população trans idosa. Trata-se de uma ação pioneira que parte da escuta de quem rompeu as estatísticas e sobreviveu a décadas de negação de direitos e marginalização.
Para Bruna Benevides, presidenta da ANTRA, os resultados da pesquisa devem ajudar a transformar essa realidade:
“[…] a geração de pessoas trans mais velhas ainda é algo raro. Envelhecer é um dos direitos que tem sido negado até aqui e queremos ver como está esse processo a partir das expectativas dessas pessoas que continuam a resistir num país onde enfrentaram e enfrentam violência e violações de direitos humanos em todos os seus ciclos de vida”, conclui.
Potiguar com voz ativa
Entre as participantes mobilizadas para o evento está Wanja Celine da Silva, de 62 anos. Potiguar, Wanja tem mais de três décadas de atuação no movimento LGBTQIAPN+ no Brasil. Pedagoga, técnica em Turismo e Hotelaria e coordenadora-geral da ONG Attransparência RN, ela também ocupa uma cadeira no Conselho Estadual LGBT+ do Rio Grande do Norte. Para ela, a conferência representa uma oportunidade histórica:
“Tenho altas expectativas para esse momento de escuta e construção coletiva. Sabemos que vai ser on-line, esperamos, eu e outras meninas mais velhas, uma programação e mais detalhes”, explica.
Uma carta para o futuro
Além das discussões e rodas de conversa, o evento prevê a construção de uma Carta Nacional das Pessoas Trans e Travestis Idosas, documento que será entregue a órgãos públicos e entidades governamentais. A carta servirá como base para a formulação de políticas públicas específicas, construídas a partir das vozes e experiências de quem historicamente foi silenciado.
A iniciativa conta com o apoio de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e parceiros institucionais comprometidos com os direitos humanos e a justiça social.