Médicos da Prefeitura de Natal fazem paralisação nesta terça (15)
Natal, RN 16 de jun 2026

Médicos da Prefeitura de Natal fazem paralisação nesta terça (15)

15 de julho de 2025
4min
Médicos da Prefeitura de Natal fazem paralisação nesta terça (15)
Foto: Sinmed RN

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Os médicos que atuam na rede municipal de Natal realizam um dia de paralisação dos atendimentos nesta terça-feira (15). A mobilização é motivada, de acordo com a categoria, pelas precárias condições de trabalho nas unidades de saúde da capital e pela estagnação das negociações salariais com a Prefeitura. Já a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) diz “não entender as razões do movimento”.

A concentração foi marcada para às 8h na sede do Sinmed RN, localizada no bairro Cidade Alta. Em seguida, a programação inclui uma carreata pelas ruas centrais, com paradas em frente à Prefeitura de Natal e à Secretaria Municipal de Saúde, onde haverá falas da categoria.

A paralisação foi decidida em assembleia realizada no Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN) na última quarta-feira (9), em que relataram uma série de problemas estruturais e de atendimento enfrentados diariamente nas unidades de saúde.

Entre os casos citados, estão a situação da rede de saúde mental, com pacientes psiquiátricos circulando livremente pelas UPAs, a falta de medicamentos, vazamentos em prédios durante o período de chuvas, e unidades com equipamentos deteriorados. 

Um dos relatos, de acordo com o Sinmed, aponta que gestantes precisam subir escadas e descer em macas na maternidade devido ao elevador quebrado. O sindicato também recebeu denúncia de superlotação das UPAs e a ausência de leitos complementares e de UTIs, com pacientes aguardando por vagas por até um mês.

O Sinmed informou que tem feito visitas técnicas às unidades e constatado pessoalmente os problemas. Segundo a entidade, a situação do Hospital dos Pescadores e da Policlínica Zeca Passos é de total deterioração, sem condições de atendimento digno à população.

Negociações salariais

A categoria iniciou as negociações salariais com o secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, em maio. A Prefeitura anunciou reajustes de 12,88% para o plano geral dos servidores, 6,27% para os professores e 5,47% para os trabalhadores vinculados ao Sindisaúde. Em reunião com o secretário, os médicos apresentaram a proposta de descongelamento das gratificações, que estão há mais de sete anos sem reajuste.

O Sinmed RN propôs uma recomposição salarial baseada nas gratificações congeladas, apresentando ao secretário uma tabela com sugestões de valores. Caso não fosse possível o reajuste integral, o sindicato sugeriu um modelo dividido entre aumento na gratificação e no salário base. Ainda assim, não houve retorno efetivo da gestão municipal, segundo a entidade.

“Fomos compreensivos ao esperar o fim do período das festas juninas, como solicitado pelo secretário, mas agora em julho sequer conseguimos uma resposta aos nossos ofícios. O silêncio da Prefeitura obrigou a categoria a tomar uma decisão mais firme”, afirmou o presidente do Sinmed RN, Geraldo Ferreira.

Secretaria diz ter ações a favor da categoria e afirma “não entender as razões do movimento”

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS Natal) disse “não entender as razões do movimento”, sobretudo em função de todas as ações recentes de gestão e do atual planejamento da pasta em favor da categoria, informou em nota.

De acordo com a pasta, os profissionais já foram contemplados, por exemplo, por uma reestruturação da política remuneratória que incluiu reajustes e incorporação de gratificações e possibilitou ganhos permanentes em seus vencimentos, que teriam trazidos reflexos diretos sobre aposentadorias, vantagens funcionais e valorização da carreira.

“Tais medidas tomadas pela administração municipal em favor da categoria representaram um impacto financeiro direto de R$ 1,4 milhão. O que só atesta a relevância e o alcance da política remuneratória implementada”, disse a SMS.

Assim, a pasta afirmou que faz um apelo aos representantes dos médicos da rede municipal para que mantenham aberto um canal de negociação a fim de evitar a paralisação dos seus serviços. 

“A Secretaria, por seu lado, mantém o compromisso com o diálogo transparente e colaborativo com as representações médicas, como de resto com todas as que compõem a rede de Saúde”, diz a nota.

“Adotamos essa postura em reconhecimento à importância da valorização dos médicos, mas também pela ciência dos potenciais prejuízos que a anunciada paralisação pode trazer para a população que necessita do atendimento desses profissionais”, conclui o comunicado.

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