Feminicídio é confirmado no interior do RN; Polícia intensifica buscas por suspeito
A Polícia Militar do Rio Grande do Norte confirmou que o crime ocorrido na tarde de domingo, 24 de agosto de 2025, no Sítio Sebo, zona rural de Florânia, foi classificado como feminicídio. A vítima, uma mulher identificada como Dilma, foi alvejada a tiros pelo companheiro, conhecido popularmente como “Dedezinho de Camará”, com quem mantinha um relacionamento estável.
De acordo com os policiais que atenderam o chamado, o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica, reforçando os indícios de que o assassinato foi motivado por questões de gênero. “Eles viviam juntos”, declarou um integrante da corporação. Após atalhos por diligências, equipes da PM e do serviço médico de urgência foram deslocadas até o local, onde a vítima foi encontrada sem vida. O suspeito fugiu imediatamente após os disparos e permanece foragido, com buscas ativas em andamento pelas forças de segurança.
O corpo de Dilma será encaminhado ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP), onde será realizado exame necroscópico. A Polícia Civil assumirá as investigações para apurar as circunstâncias do crime, o motivo exato do feminicídio e a localização do autor.
Contexto RN
O episódio fortalece uma crescente preocupação com os índices de feminicídio no Rio Grande do Norte. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, houve uma redução no número de feminicídios registrados no estado, que caiu de 24 casos em 2023 para 19 em 2024, o que representa uma queda de aproximadamente 21%.
Entretanto, outras modalidades de violência contra a mulher apresentaram aumento considerável: as tentativas de feminicídio passaram de 39 ocorrências em 2023 para 67 em 2024, um incremento de 71%. Além disso, os casos de violência doméstica cresceram em torno de 3%, subindo de 1.178 para 1.221 registros no período analisado.
Esses dados indicam que, mesmo com a redução de casos concretizados, o estado enfrenta aumento de comportamentos violentos e ameaçadores que podem desembocar em atos mais graves. A região tem registrado também picos de ameaças, perseguição (stalking) e demais violências psicológicas, o que sinaliza um quadro complexo e preocupante para as políticas de proteção às mulheres.
O desafio do enfrentamento
O caso de Florânia reforça a importância de fortalecer mecanismos de proteção, denúncia e rotinas de prevenção, especialmente em áreas rurais, onde as condições de vigilância e acesso são, muitas vezes, mais complexas.