Thabatta processa vereador de Joinville que quer restringir migração de Nordestinos
Natal, RN 21 de jun 2026

Thabatta processa vereador de Joinville que quer restringir migração de Nordestinos

28 de agosto de 2025
6min
Thabatta processa vereador de Joinville que quer restringir migração de Nordestinos
Fotos: Divulgação

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A vereadora Thabatta Pimenta (PSOL) anunciou que entrará com uma ação popular e um processo criminal por injúria e xenofobia contra o vereador de Joinville (SC), Mateus Batista (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), que anunciou um projeto de lei para restringir a migração de moradores das regiões Norte e Nordeste para aquele município do Sul do Brasil.

Thabatta afirmou que a ação “busca defender os direitos da população, combater discursos de ódio e garantir que a dignidade e a honra dos brasileiros não sejam violadas”.

A potiguar ressaltou que a iniciativa do catarinense “associa nordestinos e nortistas a termos ofensivos como ‘favela’ e ‘lixo’”. Por isso, pontuou ela, a medida “é considerada inconstitucional e xenofóbica, violando direitos fundamentais e o Estado Democrático de Direito”.

“Respeita o Nordeste, cabra safado”, disse a vereadora, em mensagem publicada nas redes sociais.

Vereador catarinense é ligado ao mesmo grupo do natalense Matheus Faustino

Mateus Batista é ligado ao MBL, mesmo movimento que projetou o também vereador natalense Matheus Faustino (União Brasil), que deu entrada em um processo de cassação contra a vereadora Brisa Bracchi (PT).

Em vídeo publicado nas redes sociais anunciando a intenção de apresentar o projeto de lei, ele afirma que, se o fluxo migratório não for controlado, “Santa Catarina vai virar um grande favelão”.

O vereador defende que novos moradores precisam comprovar residência em até 14 dias após a mudança para a cidade, caso contrário não poderiam permanecer legalmente em Joinville.

Lei “anti-migração”

Na semana passada, ele esteve em Brasília com o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP), fundador do MBL, para protocolar um projeto de lei que controla a migração interna no Brasil.

O parlamentar argumenta que se o “fluxo migratório” de nortistas e nordestinos não for controlado, “Santa Catarina vai explodir”.

“Nosso projeto de lei, em parceria com Kim Kataguiri, segue modelos internacionais como a Alemanha”, anunciou, ao lado do fundador do MBL.

Ele justifica que o pacto federativo – o sistema que define a distribuição de recursos entre União, estados e municípios – é “injusto”, porque faz Santa Catarina “pagar a conta duas vezes”.

“Primeiro, Brasília arranca o imposto do catarinense e devolve menos de 50% daquilo que a gente arrecada. Depois, a má gestão dos estados do Norte e do Nordeste, como do vagabundo do Hélder Barbalho, governador do Pará, empurra a população para Santa Catarina fugindo do caos que os políticos criaram por lá”, diz o vereador.

Em outras publicações, o vereador de extrema-direita se refere ao Pará como “um lixo”. Ele se defendeu dizendo que não cometeu xenofobia nem atacou o “paraense trabalhador”, apenas criticou “os governantes” que, segundo ele, transformaram o estado “nesse caos”.

O vereador afirma que a presença de migrantes poderia “transformar a cidade em uma favela”, associando a chegada dessas pessoas com problemas sociais e à sobrecarga nos serviços públicos.

“Os dois primeiros sinais de uma urbanização fracassada é o congestionamento que você catarinense já tá sentindo muito na pele e desordem social, como por exemplo os moradores de rua, ou seja, a merda tá começando a estourar”, declara.

Mateus Batista argumenta, ainda, que a cidade não terá tempo de “expandir a infraestrutura a tempo de absorver todo esse crescimento populacional” em razão da “capacidade de investimento sufocada”.

“A única opção que resta é o controle interno de migração, caso a gente não queira que Santa Catarina exploda e os serviços públicos ficam inteiramente sobrecarregados”, defende.

Vereador se defende de acusações de xenofobia

Depois da polêmica gerada pela proposta, o vereador catarinense fez várias postagens se defendendo das acusações de racismo e xenofobia. Em uma delas, ela diz que foi “comparado a Hitler”.

Apesar das negativas, Mateus Batistas repete o discurso xenofóbico em vídeo gravado em frente ao Congresso Nacional ao dizer que “os gestores do Norte e do Nordeste dominam isso daqui”, citando que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente, são do Nordeste e do Norte.

“Eles que botam as cartas na mesa da política brasileira e quem acaba pagando o pato é a gente, é o catarinense, porque a população dos estados do Norte e do Nordeste estão agora se refugiando nos estados com a melhor qualidade de vida do país”, declara.

Em outro vídeo de teor xenofóbico, o vereador afirma que “Joinville virou alvo de inveja”. Ele diz defender a migração, desde que seja “de forma ordenada e com capacidade de investimento público para garantir crescimento econômico e qualidade de vida”.

O vereador do MBL repetiu que, se não houver controle, Santa Catarina corre o risco de se transformar “em um grande favelão”.

Nordeste odeia o Sul e o Sudeste”

O parlamentar, ainda se defendendo das acusações de xenofobia, publicou outro vídeo argumentando que “Nordeste odeia o Sul e o Sudeste”.

Nas redes sociais, Mateus Batista reproduz a tática de parlamentares formados pelo MBL, como o natalense Matheus Faustino, com publicações sensacionalistas, títulos alarmistas e discurso de ódio contra a esquerda, que ele acusa de “apoiar a pedofilia”.

Para viralizar, como aconteceu com o vídeo em que defende o controle da migração no país, ele também aposta na guerra cultural, com ataques a pautas consideradas progressistas, como direitos humanos, o combate ao racismo e a luta contra a LGBTfobia.

Depois da repercussão negativa da proposta, em tom vitimista, o vereador disse ter registrado um boletim de ocorrência “por ameaça de morte”. Ele afirmou ter recebido “centenas de mensagens de apoio de nordestinos e nortistas”, mas que “outros querem cassar meu mandato, me prender e até me matar” por defender o controle de migração.

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