Professor da UFRN alerta que patinetes não solucionarão “mobilidade ativa” em Natal
Natal, RN 3 de jun 2026

Professor da UFRN alerta que patinetes não solucionarão “mobilidade ativa” em Natal

23 de setembro de 2025
6min
Professor da UFRN alerta que patinetes não solucionarão “mobilidade ativa” em Natal
Foto: Prefeitura de Natal

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A Prefeitura de Natal implantou, desde o último domingo (21), o serviço de patinetes elétricos compartilhados na cidade, ainda em fase experimental, como parte das “ações de incentivo à mobilidade sustentável” na capital. Os 600 equipamentos, adquiridos através de uma parceria público-privada com uma empresa que opera na área, foram disponibilizados em diferentes pontos, como as praias do Meio, Miami e Ponta Negra. O professor do Instituto de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fábio Fonseca Figueiredo, pesquisador do tema “Bicicleta e Sociedade e Mobilidade Ativa”, com enfoque no uso das bicicletas no meio urbano, avalia que a iniciativa, como instrumento de recreação, é “interessante”, mas que não é a solução para solucionar a “mobilidade ativa” – aquela que não depende de veículos motorizados.

“A expectativa de que a mobilidade ativa, aquela que não depende de veículos motorizados, seja solucionada por patinetes elétricos é, na minha visão, equivocada”, observa.

Após o anúncio do início do serviço pela Prefeitura de Natal, surgiram críticas nas redes sociais apontando a falta de infraestrutura adequada na cidade para o uso dos patinetes elétricos, como falta de calçadas padronizadas, a deficiência das ciclo estruturas e a violência no trânsito.

“Natal possui atualmente 90 km de ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas. Apesar dessa quantidade de quilômetros que está a um nível intermediário em relação às demais capitais do Brasil, eu considero ciclo estruturas bastante deficientes”, ressaltou.

O professor apontou três aspectos que contribuem para essa deficiência: a falta de conservação, a falta de iluminação e a recente expansão da construção de ciclo estruturas em lugares que não são rota para os ciclistas.

Ele demonstrou preocupação com a implantação da novidade sem o devido planejamento, além da falta de orientação à população sobre o uso do equipamento. O professor manifestou preocupação, especialmente, com a segurança viária, em razão da velocidade máxima permitida para os patinetes em Natal.

“Aqui em Natal, a velocidade máxima permitida será de 20 km/hora. É uma velocidade absurda, porque, se você cair num buraco, se chocar com alguém ou colidir com um ciclista, por exemplo, pode causar lesões graves. A velocidade deveria ser reduzida a, no máximo, 12 km/hora”, analisa.

Fábio faz uma analogia com um pedestre que, normalmente, caminha a 4 km/hora: “Imagine, se você multiplicar isso por três, a pessoa vai andar a 12 km/hora. É uma velocidade muito elevada, mais ainda em um patinete, porque existe o risco de queda. Então, não sei até que ponto foi pensada a segurança viária nesse projeto, levando-se em conta a topografia da nossa cidade, se essa quilometragem se sustenta ou não aqui em Natal”, sublinha.

Saiba Mais: Natal recebe Semana da Mobilidade Ativa de 22 a 27 de setembro

Mulher se acidentou com patinete na Av. Jaguarari

Na tarde de segunda-feira (22), uma mulher se acidentou ao cair de um patinete elétrico após perder o equilíbrio quando trafegava pela Av. Jaguarari. De acordo com informações do “Via Certa Natal”, ela sofreu um corte no queixo, reclamou de dores no punho e foi socorrida por uma amiga. Ela foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel.

Um fiscal da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), antiga STTU, alertou que é preciso “ter um pouco de conhecimento” para usar os patinetes elétricos, lembrando que são equipamentos automáticos, com uma velocidade controlada, mas que requerem alguns “pré-requisitos”.

O professor Fábio Fonseca reiterou que é preciso “estimular a mobilidade ativa” na cidade, mas que os patinetes elétricos não são instrumentos para isso, justamente pela falta de estruturas adequadas na cidade.

“É fundamental estimular as pessoas a adotar a mobilidade ativa, mas os patinetes, por si só, não são os instrumentos que dinamizarão essa mudança, justamente pela ausência de infraestrutura”, analisa.

O professor pondera que a finalidade dos patinetes se restringirá basicamente ao uso turístico, o que, embora seja uma iniciativa válida, não mudará a dinâmica da mobilidade urbana de Natal.

“Para isso, seria necessário um planejamento abrangente, com investimentos em infraestrutura, campanhas publicitárias eficazes e ações de longo prazo. Acredito, infelizmente, que essa transformação não ocorrerá tão facilmente”, completa.

Fase experimental durará 120 dias

A fase experimental do uso dos patinetes elétricos, segundo a STTU, durará 120 dias. A secretária Jódia Melo disse que os equipamentos só podem ser usados individualmente por maiores de 18 anos, em ciclovias, ciclofaixas ou ciclorrotas.

A Prefeitura de Natal informou que os equipamentos contam com rastreamento através de GPS, freios, campainha e faróis de LED, atendendo aos requisitos de segurança. Jódia Melo disse, ainda, que os patinetes só podem ser retirados e devolvidos em pontos mapeados no aplicativo.

“Existe uma rota já pré-determinada autorizada e, na hora que se sair dessa rota, o patinete vai travar por medida de segurança”, explicou.

O uso dos patinetes, ainda segundo a STTU, deve respeitar regras de trânsito e convivência no espaço público. O usuário, além de ser maior de idade, não pode transportar cargas, passageiros ou animais e deve estacionar os equipamentos nos pontos indicados pelo aplicativo. É proibido também o uso sob efeito de álcool.

A pasta assegura que haverá equipes treinadas nos principais pontos da cidade para reforçar a orientação, auxiliando os usuários quanto ao uso correto dos equipamentos. Além disso, todas as viagens incluem seguro gratuito contra acidentes.

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