Petroleiros do RN reivindicam mais investimentos na Bacia Potiguar
Natal, RN 19 de jun 2026

Petroleiros do RN reivindicam mais investimentos na Bacia Potiguar

15 de outubro de 2025
8min
Petroleiros do RN reivindicam mais investimentos na Bacia Potiguar
Audiência na ALRN reuniu sindicalistas, prefeitos, representantes do setor produtivo e do Governo do Estado - Foto: Eduardo Maia

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Petroleiros do Rio Grande do Norte participaram de uma audiência pública na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (14), em que reivindicaram mais investimentos na Bacia Potiguar e o fortalecimento da cadeia produtiva do petróleo no estado.

O debate foi proposto em conjunto pelos deputados Isolda Dantas (PT), Divaneide Basílio (PT) e Francisco do PT, e reuniu sindicalistas, prefeitos, representantes do setor produtivo e do Governo do Estado. Os parlamentares prometeram empenho e discussão sobre uma legislação para favorecer o setor.

Coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro), Marcos Brasil citou as oportunidades imediatas para exploração e produção de petróleo no estado, como na Margem Equatorial e em terra (onshore).

“Considerando as reservas que a gente tem hoje e a produção diária que ocorre no Rio Grande do Norte, a partir de 2030 a 2032, se a gente não aumentar nossa produção, vamos ter que importar petróleo”, afirmou.

Ele disse que há previsão de que um navio-sonda para explorar a Margem Equatorial na Bacia Potiguar chegue em janeiro, mas afirmou ser preciso manter pressão para que a ação se concretize. 

“A maioria dos membros do Conselho de Administração da Petrobras é de pessoas do Sudeste, então eles querem priorizar investimentos no Sudeste. Então, quando não tem uma força política aqui do Rio Grande do Norte pressionando, cobrando, eles vão esfriando o assunto, botando numa gaveta e vão deixando para depois e acaba que nunca chega”, comentou.

Em relação à produção em terra, o sindicalista disse que, a cada R$ 1 bilhão investido na indústria de petróleo, são gerados cinco mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativas aproximadas. Ele também citou vantagens como aumento de royalties e de participação especial para os estados e municípios, além da atração de investimentos com novas tecnologias de recuperação — ou seja, a capacidade de tirar o petróleo debaixo da terra.

Marcos Brasil é coordenador-geral do Sindipetro-RN – Foto: Eduardo Maia

“A produção em terra gera uma integração com as comunidades, aumentando o consumo no comércio de hotéis, supermercados, tudo isso. Então, ela agrega muito valor às comunidades onde ocorre essa produção, além dos royalties aos proprietários de terras e para os municípios”, disse.

Márcio Dias, também da direção do Sindipetro, falou sobre o Manifesto em Defesa de Investimentos na Bacia Potiguar. Aprovado no 40º Congresso Estadual dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (CEPETRO-RN), o documento vem sendo apresentado a líderes de diversos segmentos políticos, sociais e empresariais, com o objetivo de unir a sociedade norte-rio-grandense em torno do pleito.

“A Bacia Potiguar tem quase 50 anos de atividades, e durante a maior parte desse período foi uma atividade desenvolvida pela Petrobras juntamente com várias outras empresas privadas, mas tendo a Petrobras como principal empresa. Infelizmente, por questões de direcionamento político, visões de mundo diferentes, a Petrobras deixou de existir aqui na Bacia Potiguar, não completamente, mas a maioria foi privatizada. E, hoje, passado esse período, nós temos aqui várias empresas privadas”, explicou.

Ele também lamentou a ausência das empresas na audiência pública.

Royalties

Flávia Veras (PDT), prefeita de Macau, reivindicou mais investimentos e repasses de royalties para os municípios. 

“Isso representa desenvolvimento econômico, representa honrar compromissos com o nosso município, com o desenvolvimento, gerar emprego e renda. Então, para nós, ter esses royalties de produção por parte da nossa bacia petrolífera é uma benção para o nosso município. Representou no passado a nossa glória, e atualmente a gente tem sofrido um pouco não só com a queda na produção, como nos repasses dos percentuais”, apontou.

De acordo com Ana Beatriz Barbosa, analista da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec), no segundo trimestre deste ano o Estado recebeu R$ 155 milhões em royalties, um aumento de 26,4% em relação ao mesmo período de 2024. A refinaria Clara Camarão, com capacidade de processar 40 mil barris por dia, também foi citada como ativo estratégico que pode ser melhor aproveitado para garantir maior autonomia e geração de valor dentro do território potiguar.

Empresa estratégica

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) afirmou que a Petrobras é uma empresa estratégica para o Brasil e para o Rio Grande do Norte. 

“Não é possível pensar a soberania de um país sem pensar na sua soberania energética, e a Petrobras tem tudo a ver com isso. Desde a década de 70 que a Bacia Potiguar é uma das principais bacias produtoras de petróleo. Portanto, ao longo de toda a existência da Petrobrás aqui no Rio Grande do Norte, ela foi fundamental para potencializar o desenvolvimento que chega na ponta. Quando a gente olha a relação da Petrobrás e disso com os municípios, a gente vai vendo o quanto que isso foi importante”, disse.

Segundo ela, a audiência colocou no centro do debate o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e da Bacia Potiguar. 

“Isso significa a gente estabelecer um debate com o governo do estado, com as prefeituras, e principalmente agora que a Agência Nacional do Petróleo libera mais 33 postos para serem perfurados aqui na nossa bacia, reafirma aquilo que a gente dizia: o Rio Grande do Norte continua a ter petróleo. E principalmente agora com a reafirmação e a possibilidade concreta de exploração cada vez mais do campo de Pitu”, afirmou.

Francisco do PT disse que o governo federal tem investido para que a Petrobras siga cumprindo um papel importante também na economia do RN, papel esse que, de acordo com o parlamentar, pode ser retomado a níveis de anos anteriores.

“Estamos aqui para reivindicar nossos investimentos porque agora temos uma nova visão do país. Tínhamos que nos revezar para denunciar o desmonte e os desinvestimentos que eram feitos na Petrobras. Agora, nossa luta é por mais investimentos da Petrobras no estado”, disse o parlamentar.

Isolda Dantas (PT) e Francisco do PT propuseram discussão sobre Bacia Potiguar / Foto: Eduardo Maia

Divaneide Basílio (PT) não pôde participar presencialmente da audiência por ter viajado para o 2º Encontro da Rede Nacional de Parlamentares Negras e Negros (RNPN), realizado em Brasília (DF) nesta terça-feira (14). No entanto, enviou um vídeo em que ressaltou a atuação do Sindipetro frente ao tema.

“A Bacia representa mais de 60% da produção de petróleo no nosso país e, portanto, gera muitos empregos diretos, e a gente precisa avançar nesse cuidado real que o Sindipetro traz para a nossa bacia, que é de trazer investimentos.”

Produção

De acordo com o último Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural, publicado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 1º de outubro, a produção potiguar em agosto de 2025 alcançou 39.144 barris de óleo equivalente por dia (boe/d), somando óleo e gás. Esse volume é inferior à média dos últimos 18 meses, que foi de 39.610 boe/d, mesmo com o aumento do número de campos produtores — de 64 em março de 2024 para 70 no último mês aferido.

  • Período: Março/2024 – Agosto/2025
  • Total acumulado: 712.986 boe/d
  • Média mensal: 39.610 boe/d
  • Maior produção: Abril/2024 (41.734 boe/d)
  • Menor produção: Agosto/2024 (37.303 boe/d)

A queda da produção, lenta, mas contínua, segundo o Sindipetro, tem provocado o fechamento de postos de trabalho, evasão de mão de obra qualificada e retração da economia local. Entre outras consequências, de acordo com o sindicato, a situação afeta a arrecadação tributária, ameaçando a estabilidade econômica de municípios e do próprio Estado, além de impactar a soberania energética regional e nacional. O Sindipetro, contudo, ressalta que estudos e pesquisas elaborados por diversos órgãos e instituições indicam que a Bacia Potiguar ainda possui vasto potencial produtivo a ser explorado.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.