Uma mulher de 44 anos foi presa preventivamente na tarde desta quinta-feira (18), em Marcelino Vieira, no Alto Oeste potiguar, suspeita de praticar maus-tratos contra animais, registrar as agressões em vídeo e comercializar o conteúdo em plataformas digitais. A identidade da investigada não foi divulgada pelas autoridades.
A prisão foi resultado de uma investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que apura a prática sistemática de violência contra diferentes espécies de animais, incluindo cães, gatos, galinhas, preás e capivaras.
De acordo com o Ministério Público, as investigações identificaram vídeos que mostravam atos de extrema crueldade, como o abate de aves por meio de torção do pescoço e pisoteamento. Segundo os promotores, as imagens indicavam que os animais permaneciam vivos e apresentavam sinais de sofrimento mesmo após as agressões.
As apurações apontam que a suspeita mantinha perfis e canais nas redes sociais voltados à divulgação de conteúdos relacionados à rotina rural. Paralelamente, porém, utilizava áreas restritas de determinadas plataformas para disponibilizar vídeos com cenas explícitas de violência contra os animais, acessíveis mediante pagamento.
Ainda conforme o Ministério Público, a mulher oferecia conteúdos personalizados para assinantes e atendia solicitações específicas de seguidores interessados em assistir a atos cada vez mais violentos. Os investigadores afirmam que parte do público pagava mensalidades para acessar os vídeos e até sugeria formas de execução dos animais.
Durante a operação, policiais apreenderam aparelhos celulares e dispositivos de armazenamento que podem conter as gravações originais. As plataformas digitais utilizadas pela investigada também foram notificadas para fornecer informações sobre publicações, acessos e movimentações financeiras relacionadas às contas.
A investigação teve início no começo de junho deste ano, após denúncias sobre a circulação dos vídeos na internet. Com base nos elementos reunidos, o Ministério Público solicitou à Justiça a prisão preventiva da suspeita, além de medidas de busca e apreensão e quebra de sigilo de dados das contas utilizadas.
O pedido foi aceito pelo Judiciário, que entendeu haver necessidade de interromper a continuidade dos supostos crimes e evitar novos episódios de violência contra animais.
Para a advogada Amanda Beatriz, casos dessa natureza demonstram uma forma agravada de crueldade, uma vez que a violência deixa de ocorrer de forma isolada e passa a ser utilizada como fonte de lucro e entretenimento. “Quando há registro, divulgação e monetização desse tipo de conteúdo, o caso ganha uma dimensão ainda mais grave. Além dos maus-tratos em si, existe a exploração da violência para obtenção de vantagem econômica, o que evidencia a necessidade de uma resposta firme das autoridades e da responsabilização dos envolvidos”, explica.
A legislação brasileira prevê pena de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. Nos casos envolvendo cães e gatos, a pena pode variar de dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda dos animais.
As investigações continuam para identificar possíveis envolvidos na comercialização e no compartilhamento dos conteúdos, bem como para aprofundar a análise do material apreendido.
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