Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra
Natal, RN 30 de jun 2026

Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra

12 de maio de 2026
5min
Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra
Parlamentar diz que engorda apresentou extensos alagamentos, formação de enxurradas e severo carreamento de sedimentos, sobretudo nas proximidades do Morro do Careca - Imagem: Reprodução Exclusivopontanegrarn_oficial/Youtube

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A vereadora Brisa Bracchi (PT) pediu nesta terça-feira (12) a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a obra da engorda de Ponta Negra. O requerimento foi apresentado à Mesa Diretora da Câmara Municipal após uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaram problemas e falhas na obra.

No documento, a vereadora cita o histórico de avanço contínuo da erosão costeira sobre a principal orla turística de Natal e diz que a recuperação da faixa de areia nunca foi o principal problema.

“A necessidade da obra sempre foi evidente. O grande debate que se consolidou ao longo dos últimos anos dizia respeito à forma apressada, politizada e tecnicamente questionável com que sua execução foi conduzida”, afirma.

Ela afirma que a execução da obra, estimada em mais de R$ 100 milhões em investimentos públicos somando drenagem, aterro hidráulico e intervenções estruturantes, foi marcada por um discurso oficial de excelência e robustez técnica. 

“A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Infraestrutura sustentavam que o novo sistema de drenagem impediria alagamentos e protegeria a areia recém-depositada contra processos erosivos. Em março de 2025, a SEINFRA chegou a anunciar oficialmente a conclusão do sistema de drenagem com a instalação de 16 dissipadores, apresentando a estrutura como suficiente para suportar eventos climáticos e garantir a estabilidade da engorda. A realidade, entretanto, rapidamente desmontou a narrativa institucional. Menos de um ano após a conclusão das principais intervenções, as fortes chuvas registradas em 24 de abril de 2026 expuseram o colapso precoce do sistema implantado”, afirma.

A parlamentar lembra que, sob alerta meteorológico, a engorda apresentou extensos alagamentos, formação de enxurradas e severo carreamento de sedimentos, sobretudo nas proximidades do Morro do Careca.

“A água das chuvas abriu sulcos na faixa de areia recém-aterrada, destruiu trechos da estrutura e revelou que o problema da drenagem urbana de Ponta Negra não havia sido efetivamente solucionado.”

No requerimento, Brisa Bracchi pede apuração de possíveis irregularidades administrativas, técnicas, financeiras e ambientais relacionadas à execução da obra de engorda, realizada pela Prefeitura com recursos públicos federais e municipais. A vereadora questiona, especialmente, as falhas estruturais do sistema de drenagem, a deterioração precoce do aterro hidráulico, o eventual desperdício de recursos públicos e os possíveis danos ambientais decorrentes da execução contratual. 

“A degradação precoce da engorda compromete diretamente uma das principais atividades econômicas da cidade. A Praia de Ponta Negra constitui o principal polo turístico do Município do Natal, concentrando significativa parcela da cadeia produtiva ligada ao turismo, hotelaria, gastronomia, comércio informal e prestação de serviços. A instabilidade estrutural da obra, a repercussão negativa nacional dos alagamentos e o comprometimento visual e funcional da orla afetam diretamente a imagem turística da capital potiguar, gerando insegurança econômica para comerciantes, trabalhadores e investidores que dependem da atividade turística local”, destaca.

Na semana passada, a ação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) relativa aos alagamentos na área da engorda da praia de Ponta Negra apontou a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas propositalmente. Além disso, o documento demonstra o risco de “desastre estrutural iminente” devido à “ausência de dissipadores eficientes e o grande desnível topográfico de 40 metros”. 

O MPF afirma que a drenagem no local foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. O órgão busca obrigar o município de Natal a realizar obras emergenciais que evitem o agravamento dos alagamentos na engorda.

Saiba Mais: MPF aponta tubulações falsas e galerias bloqueadas em drenagem de Ponta Negra 

Antes do MPF, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra da engorda de Ponta Negra registrou fragilidades técnicas nos estudos de impacto ambiental e que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) foi obstruído de exercer o controle e o acompanhamento das condicionantes do empreendimento. Além disso, mostrou que já houve uma perda significativa de aterro hidráulico no Morro do Careca menos de um ano após a conclusão.

Saiba Mais: TCU aponta falhas e perda de aterro na engorda de Ponta Negra 

Um dos pontos diz que houve insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento (EVTEA), dos estudos referentes a EIA/RIMA, bem como dos projetos básico e executivo. O EIA/RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, um conjunto de documentos técnicos obrigatório para o licenciamento de atividades que possam causar impactos ao meio ambiente. Já o EVTEA verifica se os benefícios estimados justificam os custos com os projetos e execução das obras previstas.

Em outro apontamento, o documento atesta que houve prejuízos ao rito regular de licenciamento da obra de aterro por parte da Prefeitura de Natal, além de obstrução ao Idema. Ainda segundo o relatório preliminar, já há uma alta perda do aterro, bem como indícios de inadequação do material sedimentar extraído de jazida não autorizada.

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