Por Rômulo Sckaff
Estamos no mês dos festejos juninos. No ano passado, escrevemos sobre essa que talvez seja uma das datas de maior sincretismo religioso da nossa cultura: uma Deusa, um Santo Festeiro e uma Tradição Ancestral.
Mas há algo curioso que sempre aparece quando a festa atravessa o mês de junho. Logo alguém diz: “agora é festa julina”.
E aí nasce um problema.
Quando chamamos de “festa julina”, apagamos aquilo que dá origem simbólica a essa celebração. A festa não muda de nome porque mudou o calendário. Mesmo que aconteça em julho, agosto, setembro ou em qualquer outra data, ela continua sendo festa junina, porque sua raiz está ligada a Juno, uma das mais importantes deusas da mitologia romana.
Juno era símbolo do matrimônio, da família e da proteção das mulheres. Guardiã de Roma, figura imponente, coroada e real, tinha o pavão como sua ave sagrada. Ao lado de Júpiter e Minerva, integrava a Tríade Capitolina, formada por divindades consideradas pilares da sociedade romana.
Com o tempo, essa tradição ancestral atravessou culturas, religiões e territórios. No Brasil, encontrou os santos populares, o milho, a fogueira, a quadrilha, o forró, o terreiro, a roça e o povo. Virou uma das expressões mais bonitas do nosso sincretismo.
Por isso, não importa o mês em que ela aconteça.
Pode passar de junho.
Pode entrar por julho.
Pode ser celebrada depois.
Mas será sempre festa junina.
Que venha, então, a comemoração da festa de Juno, da tradição popular, dos santos festeiros e da ancestralidade indígena que resiste em cada bandeirinha, cada fogueira e cada dança.