Série no Youtube registra trajetórias e sons da música negra produzida no RN
Natal, RN 4 de jul 2026

Série no Youtube registra trajetórias e sons da música negra produzida no RN

4 de julho de 2026
4min
Série no Youtube registra trajetórias e sons da música negra produzida no RN

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A série Música Preta Potiguar nasceu da percepção de uma ausência: embora a produção musical negra do Rio Grande do Norte seja diversa e pulsante, ainda são poucos os espaços dedicados a registrar, divulgar e preservar as trajetórias desses artistas. Foi a partir dessa constatação que o produtor cultural Diego Andrade idealizou o projeto, uma série audiovisual que estreou na última semana no YouTube reunindo apresentações musicais e entrevistas com artistas da cena independente potiguar.

Ao longo de três episódios, lançados semanalmente, a produção apresenta diferentes vozes da música negra feita no estado, combinando sessões ao vivo em estúdio com conversas sobre processos criativos, desafios profissionais e experiências de vida. A proposta é construir não apenas um produto de entretenimento, mas também um registro da produção cultural negra potiguar.

“O Música Preta Potiguar nasceu da necessidade de ampliar a visibilidade e o reconhecimento de artistas negros do nosso estado. A ideia surgiu da vontade de contribuir para a formação de público e ampliar os espaços de circulação para esses artistas e seus trabalhos”, afirma Diego Andrade. Segundo ele, em entrevista à Agência Saiba Mais, a iniciativa também busca fortalecer a memória da música negra potiguar, criando um acervo que possa servir de referência para futuras ações culturais.

A primeira temporada reúne artistas de diferentes linguagens musicais. A estreia foi com Jennify C., DJ, rapper, produtora musical e performer que vem ganhando espaço na cena eletrônica potiguar. Na sequência, a série recebe a banda Sourebel, que mistura reggae jamaicano e influências afro-nordestinas. O encerramento ficará por conta de Gracinha, cantora, compositora e multi-instrumentista cujo trabalho transita entre o indie pop, o dream pop e a neo-psicodelia.

Mais do que apresentar músicas, a série abre espaço para que os artistas contem suas próprias histórias. Responsável pelo roteiro e pelas entrevistas, Erick Allan explica que a intenção foi construir conversas que revelassem as trajetórias por trás das obras.

“Procurei conduzir conversas que permitissem aos artistas compartilhar suas origens, a construção de suas trajetórias, suas referências e os caminhos que desejam seguir. Meu objetivo era ir além da música e compreender também as experiências que moldam suas carreiras”, relata.

Durante as gravações, um tema apareceu de forma recorrente: a necessidade de resistência. Segundo Allan, embora cada artista tenha uma trajetória particular, todos falaram sobre a construção de espaços próprios em uma cena cultural onde as oportunidades nem sempre chegam de forma igualitária.

“O que mais apareceu nas entrevistas foi a ideia de que ser um artista negro potiguar é estar em um processo constante de resistência. Todos falaram, de alguma forma, sobre a necessidade de construir espaços para si, porque esses espaços nem sempre estão dados”, afirma.

As entrevistas também evidenciaram a música como ferramenta de afirmação identitária. “Eles falam sobre fazer música para existir, para contar suas histórias e para fortalecer outras pessoas negras que vêm depois”, resume o entrevistador.

Além do protagonismo diante das câmeras, o projeto também buscou ampliar a representatividade nos bastidores. A equipe reúne majoritariamente profissionais negros de áreas como audiovisual, produção cultural, fotografia, design, comunicação e sonorização.

“Acreditamos que a representatividade nos bastidores é tão importante quanto o protagonismo dos artistas em frente às câmeras. Pessoas negras ainda enfrentam barreiras de acesso e reconhecimento nessas áreas e, ao assumir o compromisso de ter uma equipe formada majoritariamente por pessoas negras, o projeto reforça que esses profissionais também ocupam lugares de criação, decisão e liderança”, destaca Diego Andrade.

Para o idealizador, a iniciativa também contribui para fortalecer uma rede mais diversa dentro da economia criativa potiguar, criando referências para novas gerações de profissionais da cultura e do audiovisual.

Com os episódios de Sourebel e Gracinha ainda previstos para as próximas semanas, a expectativa da equipe é que o projeto continue crescendo. A intenção é transformar o Música Preta Potiguar em um acervo permanente da música negra produzida no estado, registrando artistas, sonoridades e histórias que ajudam a compor a identidade cultural potiguar.

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