Conheça Thalita Simplício, paratleta do RN que vai aos Jogos de Paris
A natalense Thalita Simplício está de volta aos Jogos Paralímpicos. Atleta do atletismo desde dos 15 anos, a esportista, que também é fisioterapeuta, sonha com um ouro olímpico em sua trajetória.
Simplício nasceu com glaucoma e perdeu totalmente a visão aos 12 anos de idade, mas nada que a impedisse a fazer o que ama: praticar esportes. Realizando de tudo um pouco, Thalita já se aventurou na natação, karatê e até no goallball, esporte baseado nas percepções táteis e auditivas, no qual os atletas arremessam e defendem o gol.
Em conversa com a Agência Saiba Mais, Thalita Simplício diz estar ansiosa e animada para participar de mais uma competição. ]
“Essa é a minha terceira paralimpíada e estou muito empolgada. Muito feliz por tudo que a gente vai viver nesse último ciclo bem curto de três anos.” comentou.

A potiguar iniciou no esporte que compete hoje através de um projeto do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e atualmente já acumula mais de 50 medalhas na modalidade, colecionando 3 pratas em Jogos Paralímpicos, sendo uma no Rio, no revezamento 4×4 para cegos. Thalita também foi vice-campeã nos 400m e nos 200m nos Jogos de Tóquio, em 2020.
Dentre outros feitos, estão: Ouro nos 400m e prata nos 200m no Mundial de Kobe 2024; ouro nos 400m e prata nos 200m nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023; ouro nos 400m e bronze nos 100m e 200m no Mundial Paris 2023.
“Minha trajetória no esporte são tantas: eu já sou tricampeã mundial. Tenho um vice-campeonato mundial em paralimpíadas. No Rio, fui prata no revezamento 4×4 para cegos; vice-campeã paralímpica no 400, vice-campeã paralímpica no 200 em Tóquio; sou vice-campeão mundial no 200, duas vezes, são tantas, tem um medalhista, só um medalhista de prata no pan-americano. São muitos títulos”, comemora.
A briga agora vai ser pelo ouro.
Além do esporte, Thalita se dedicou ao balé clássico por quase 10 anos.
Como funciona a modalidade
Em eventos de pista, atletas paralímpicos com deficiência visual são classificados como T11, T12 ou T13. Os atletas na classe T11 usam vendas nos olhos e competem com um guia-corredor, enquanto os atletas T12 têm a opção de serem acompanhados por um guia-corredor ou competir sozinhos. Além disso, tanto o atleta quanto o guia recebem medalhas no pódio.
Enquanto os corredores-guias acompanham os atletas, eles não têm permissão para empurrar ou puxá-los durante a competição. Eles também ajudam os atletas a se prepararem nos blocos de largada antes das corridas.
Usando uma venda, o atleta começa a correr com uma corda, um pequeno equipamento com dois arcos na ponta que permite que atletas paralímpicos com deficiência visual concorram com seus guias. No caso da natalense, ela compete na classe T11 e é acompanhada pelo também potiguar Felipe Veloso, seu guia.

Falta de incentivo
Embora tenha destaque e uma série de vitórias em sua carreira, Thalita também sofre com a falta de incentivos que os paratletas brasileiros, sobretudo os potiguares, enfrentam. Como por exemplo, a falta de apoio financeiro e patrocínio para jovens que desejam participar de competições ou até mesmo praticar determinados esportes.
“As dificuldades são tantas. Acho que a principal dificuldade, hoje, aqui no estado, é apoio de empresários que a gente não tem. Nosso grupo, nossa equipe, a gente não tem nenhum apoio financeiro particular de empresas. Só no Governo Federal individual, cada um recebe sua bolsa atleta. O estado, agora, está com um novo projeto de bolsa atleta, graças a Deus! Mas o apoio dos empresários, a gente não tem. Gostaria muito que a gente tivesse.” desabafa.
O programa Bolsa-Atleta, do Governo do RN, é destinado a atletas e paratletas potiguares e oferece auxílios mensais, que variam de R$ 440 a R$1.430, tem duração de um ano, podendo ser renovado após esse prazo.
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