Pacientes entram com ação coletiva contra Prefeitura do Natal por fechamento de Caps
Os pacientes que dependem do atendimento no Centro de Atenção Psicossocial III – Dr. André Luís (Caps III Leste), que funcionava na rua Mipibu, no bairro de Petrópolis, entraram com uma ação coletiva na Defensoria Pública do estado do Rio Grande do Norte contra a Prefeitura do Natal, nesta segunda (05), pelo fechamento da unidade.
“Fomos pegos de surpresa com o fechamento, que impactou com vida dos usuários. Não temos um local definido. Meu irmão está com consulta marcada pra dia 08 [quarta] e agora não temos atendimento. Está faltando medicação, atendimento e, como se achassem pouco, querem redistribuir os servidores. Tem vários usuários que desde do dia 20 de junho aguardam atendimento“, desabafa Euzamar Mesquita, irmã de um paciente que faz tratamento no Caps III Leste.
À Agência Saiba Mais, a Prefeitura do Natal havia confirmado, em reportagem anterior, que o atendimento da unidade seria “temporariamente” transferido para outros locais, enquanto uma nova sede é construída no bairro de Santos Reis, cuja obra será retomada neste mês de agosto. A previsão do município é que o novo espaço comece a funcionar até o final do ano. Nós tentamos novo contato na tarde desta segunda com o setor de saúde mental e do Caps III, mas não fomos atendidos.
“O local tinha problema de infiltração, não havia médico, medicamento, estávamos sem as atividades que tínhamos costume de fazer para ajudar nossa mente, faltava alimentação… enfim, é uma situação precária. Também não há remédio nas unidades e postos de saúde, quando procuramos os clínicos gerais, eles se recusam a dar a receita do nosso tratamento porque as medicações que tomamos são de uso controlado, eles dizem que não se responsabilizam… fica difícil fazer tratamento desse jeito“, denuncia Daniel Charles, que faz tratamento para esquizofrenia.
À base de chá…
Para tentar controlar a condição mental e não interromper o tratamento, Daniel conta que tem recebido ajuda de amigos e familiares.
“Pego remédio com algum amigo ou dinheiro emprestado com alguém da família. Mas, para quem toma clonazepan, diazepan, quetiapina… tomar chá de camomila, é uma situação precária“, lamenta Daniel Charles.
O processo da ação coletiva com a Prefeitura do Natal foi aberto hoje na Defensoria Pública, que já expediu um ofício pedindo para que o Município esclareça a situação com as informações em até 48h.
Desde a última quarta (31), o atendimento que era feito em Petrópolis passou para o Ambulatório de Prevenção e Tratamento de Tabagismo, Alcoolismo e outras Drogas (APTAD), localizado na Rua Governador Valadares, n.º 01, no bairro de Neópolis, Zona Sul de Natal.
Confira vídeo da reunião desta segunda (05):
Os pacientes também reclamam da distância maior que terão que percorrer para conseguir manter o tratamento. Cerca de 10 quilômetros separam o antigo do novo endereço. A pé, o paciente terá que fazer uma caminhada de 2h30. Se for de ônibus, o trajeto deve durar cerca de 58 minutos. Já para quem for de carro, o percurso pode chegar a cerca de 25 minutos.
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