Natal: Em último debate, Natália mostra firmeza e Paulinho se diz "cansado"
No último debate antes do 2º turno das eleições em Natal, Natália Bonavides (PT) se destacou com uma postura firme e críticas bem contextualizadas, enquanto Paulinho Freire (União) parecia menos preparado para responder aos temas centrais. O encontro, transmitido pela InterTV Cabugi na noite desta sexta-feira (25), evidenciou o contraste entre os candidatos, mesmo sendo menos tenso e desequilibrado que o primeiro confronto ocorrido em debate no início do segundo turno (na Band).
Paulinho Freire enfrentou dificuldades em vários momentos do debate, especialmente ao ser questionado sobre temas fundamentais da campanha e propostas de governo, como assédio eleitoral, saúde e infraestrutura. Mostrando-se evasivo em relação às acusações de assédio na Prefeitura, Paulinho também revelou desconhecimento sobre o orçamento do município. “O senhor não viu o orçamento da cidade que quer administrar, mas sabe do Governo do Estado?”, ironizou Natália em dado momento, expondo a falta de preparo do candidato. Na discussão sobre reindustrialização, as propostas de Paulinho foram consideradas superficiais, e, durante o embate, ele não conseguiu defender a atual administração municipal, que busca continuidade, com dados ou informações concretas. Ao final do debate, Paulinho chegou a dizer que estava “cansado”.
Assédio eleitoral em favor de Paulinho
O 1º bloco começou com tema livre e com Natália perguntando. Com o semblante mais sério, a candidata abordou os temas da violência política e assédio eleitoral, dos quais tem sido vítima. Ela citou o flagrante de compra de votos de correligionários de Paulinho Freire e da ameaça de morte que sofreu e que resultou na condução coercitiva do suspeito de ser o autor das mensagens. Além disso, Bonavides também lembrou a agressão sofrida por um apoiador seu.
Mas, apesar da gravidade dos fatos narrados, Paulinho Freire pareceu indiferente e minimizou os ocorridos.
O primeiro bloco foi todo dedicado a discutir a série de denúncias que vêm sendo trazidas à tona diariamente. Bonavides ainda denunciou que, após a série de denúncias de assédio eleitoral, inclusive com áudio gravado do diretor técnico da Agência Reguladora de Natal (Arsban), que resultou em seu afastamento, a prática dos gestores municipais agora seria proibir o uso de celulares durante as “reuniões”. Foi o que Natália chamou de “práticas coronelistas” generalizadas nos órgãos da Prefeitura do Natal.

Saúde e desafios de gestão
Apesar do debate mais equilibrado, Paulinho seguiu com dificuldades em expressar suas ideias. No segundo bloco o tema escolhido para o início do debate foi saúde. Nesse caso, Paulinho Freire falou sobre a construção de novo hospital municipal, a criação de uma plataforma para marcar consultas e atendimento em clínicas particulares no horário noturno e tentou surfar na onda da causa animal, mas não soube explicar porque a Prefeitura do Natal, cujo chefe maior é seu apoiador, não utilizou os milhões repassados por emendas de Bonavides que, por sua vez, criticou o fechamento e sucateamento de unidades de saúde, o que têm resultado em sobrecarga para os servidores.
Sem ter o que de bom falar sobre a atual gestão do prefeito Álvaro Dias (Republicanos), e sem muito a dizer sobre Natália Bonavides, Paulinho, mais uma vez, manteve a estratégia de direcionar suas críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT).
Reindustrialização e propostas de Natália
Natália Bonavides voltou para o terceiro bloco mais articulada, aproveitando as deixas das respostas de seu adversário para se sobressair e articular, ao mesmo tempo, propostas e réplicas. Ela ainda ironizou o fato de Paulinho só conhecer Petrópolis, tradicional bairro de classe média alta da cidade, ao tratar de um tema tão popular como enchentes e transbordamento de lagoas de captação.
O tema reindustrialização talvez tenha ido um dos mais constrangedores para Paulinho Freire, principalmente, pela sua falta de ideias. O candidato culpou o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por um suposto “ambiente desfavorável”, disse que Natal tinha pouco espaço físico para industrializar e citou o restaurante Camarões como exemplo de industrialização que estava sendo viabilizada com o tal novo Plano Diretor de Natal.
Natália não precisou de muito para se sobressair. Para começar, além de chamar as propostas de seu adversário de “lugar comum”, lembrou que restaurante é do setor de serviços e não de indústria. Além disso, a candidata sugeriu investir na área de pesca e beneficiamento de produtos que, atualmente, são exportados como produtos primários, ou seja, a um preço mais baixo. Ela também lembrou da necessidade de investir no setor de informação e tecnologia, que gera empregos com melhores rendas e sem a necessidade de tanto espaço físico, em ironia, mais uma vez, ao candidato Paulinho Freire.
Drenagem e recursos públicos
No último bloco os candidatos falaram sobre drenagem e as lagoas de captação, ou melhor, sobre a falta de recursos para fazer a manutenção das mesmas. Enquanto Bonavides explicava que o orçamento atual era insuficiente até para fazer a manutenção, Paulinho confessou que sequer sabia qual era o orçamento do município, mas revelou que tinha verificado qual era do Estado.
Natália Bonavides não deixou passar em branco:
“O senhor não viu o orçamento da cidade que quer administrar, mas sabe do Governo do Estado?…”, ironizou.
Os candidatos fizeram suas considerações em problemas e concordaram em um ponto: pediram ao eleitor que não deixe de votar no próximo domingo (27). O horário de votação vai das 8h às17h.
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