No RN, mídia tradicional exclui da cobertura atingidos pelas renováveis
Natal, RN 28 de jun 2026

No RN, mídia tradicional exclui da cobertura atingidos pelas renováveis

12 de dezembro de 2024
4min
No RN, mídia tradicional exclui da cobertura atingidos pelas renováveis
A instalação em terra das eólicas trouxe o deslocamento de grupos humanos | Foto: Jana Sá

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Sob o céu quente do sertão, onde turbinas eólicas desenham o horizonte e placas solares refletem o sol, cresce um modelo de desenvolvimento energético que promete uma solução para a crise climática. No entanto, histórias como as das comunidades rurais do semiárido potiguar, diretamente afetadas por esses empreendimentos, quase não aparecem nos jornais. É o que aponta a pesquisa “Vozes Silenciadas: Energias Renováveis – A cobertura da mídia sobre a transição energética no Brasil”, realizada pelo coletivo Intervozes, que será lançada neste sábado (14), às 17h, no Café Cultura, em Santa Luzia (PB).

O evento faz parte da 2ª Caravana pelo Direito à Comunicação e contará com um debate entre pesquisadoras, representantes de movimentos sociais e agricultores do Rio Grande do Norte e da Paraíba. O coletivo também apresentará o Relatório Direito Humano à Comunicação 2023, destacando a cobertura da comunicação no primeiro ano do governo Lula.

A invisibilidade das comunidades no RN

A pesquisa revela que, no Rio Grande do Norte, estado líder na geração de energia eólica no país, a mídia tradicional tem priorizado a narrativa de governantes e empresas sobre o tema. O jornal Tribuna do Norte, por exemplo, foi identificado como o veículo que mais publicou notícias relacionadas às energias renováveis entre 2021 e junho de 2023, com 96 matérias. Destas, a maior parte esteve no caderno de economia, destacando os benefícios econômicos e o potencial energético do estado.

Entretanto, apenas 0,9% das fontes consultadas pelo veículo pertenciam a Povos e Comunidades Tradicionais ou a territórios impactados, enquanto representantes do Executivo e de empresas do setor responderam por mais da metade das vozes ouvidas. Essa disparidade demonstra um padrão recorrente: comunidades afetadas têm pouco ou nenhum espaço para relatar os impactos socioambientais causados pela instalação de parques eólicos e usinas solares, como a perda de territórios tradicionais e de meios de subsistência.

Energias renováveis e o desafio da justiça socioambiental

O estudo também aponta que, no Brasil, as políticas públicas para transição energética têm priorizado os interesses do mercado, sem enfrentar as raízes estruturais da crise climática e das desigualdades socioambientais. O cenário é agravado pelo modelo de implantação de megaprojetos, que, apesar de “verdes”, frequentemente reproduzem injustiças e conflitos nos territórios.

Movimentos sociais e entidades que atuam em defesa de pescadores, agricultores e povos tradicionais no RN, como o Conselho Pastoral dos Pescadores e o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, foram citados em apenas uma das 96 matérias analisadas na Tribuna do Norte.

Debate e reflexões sobre comunicação e energia

O lançamento da pesquisa busca fomentar o debate público sobre o papel da comunicação na construção de narrativas mais inclusivas e críticas sobre a transição energética. Além disso, o relatório sobre o direito à comunicação destaca como a imprensa pode ser um ator estratégico para fortalecer a luta por justiça climática e pela defesa de territórios no Brasil.

Com a proximidade da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada no Brasil em 2025, o evento deste sábado pretende provocar reflexões sobre o futuro do país como protagonista global na agenda climática e energética. Mais do que uma análise de dados, o lançamento é um convite para ouvir as histórias que ainda não foram contadas.

A pesquisa completa está disponível no site do Intervozes, gratuitamente. Acesse aqui.

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