Família cobra soltura de Hallison Foguete, já inocentado pela Justiça
Natal, RN 28 de jun 2026

Família cobra soltura de Hallison Foguete, já inocentado pela Justiça

5 de novembro de 2025
4min
Família cobra soltura de Hallison Foguete, já inocentado pela Justiça
Integrante do Movimento Nacional de População em Situação de Rua (MNPR) está detido na Penitenciária de Alcaçuz - Foto: reprodução

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Seis dias após ser inocentado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), o capoeirista e integrante do Movimento Nacional de População em Situação de Rua (MNPR), Hallison Silva da Costa, o Foguete, segue detido na Penitenciária de Alcaçuz, no município de Nísia Floresta. Familiares e amigos reclamam da demora para a soltura.

Segundo o TJRN, o alvará de soltura foi expedido e enviado para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz no dia 31 de outubro de 2025, cabendo à Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) dar cumprimento à decisão judicial. Já a Polícia Penal informou que, na segunda-feira (3), o setor jurídico da Penitenciária Estadual de Alcaçuz acionou o Poder Judiciário, em procedimento de praxe, para o recebimento das certidões necessárias. 

“Em resposta, o Judiciário informou que está realizando pesquisa em outros processos. A unidade ressalta que a liberação somente ocorre após o efetivo recebimento das certidões por parte do Judiciário”, comunicou a Polícia Penal.

Com a indefinição para a soltura, pessoas próximas a Foguete também ficam no aguardo para vê-lo livre após a decisão da Justiça que o inocentou.

“A expectativa está a mil para receber ele de volta, depois de seis meses de injustiça, mas a espera é o que nos massacra”, diz Ingrid Darley, ex-companheira de Hallison e mãe de sua filha mais nova. 

Ela questiona o motivo da demora. “Por que com Hallison tá essa burocracia, essa demora toda? Eu não quero entender o sistema não, e nem vou entender. Dentro de mim é só revolta, porque enquanto ele ainda tá lá, muitos estão saindo, e a angústia fica aqui pra família. A minha filha, que é a filha dele, passa mal, fica nas crises de ansiedade. [A demora] nos massacra de verdade”, conta a ex-companheira.

Nesse período detido em Alcaçuz, Hallison já recebeu a visita de Ingrid junto com a filha mais nova. Ela diz que o capoeirista está aparentemente bem, apesar de estar na cadeia. 

“Está bem, está forte, está resistente. Não baixa a cabeça, não mudou nada na personalidade dele. É o mesmo cara, popular, alegre, sempre sorridente, e muito tranquilo, porque ele é inocente, ele sabe, e ele tem a consciência tranquila”, relata Ingrid.

Julgamento anulado

Foguete foi inocentado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) na última quinta-feira, 30 de outubro. Além de anular o julgamento, o desembargador Glauber Rêgo declarou despronunciamento, que ocorre quando o tribunal decide que não há indícios suficientes de autoria ou prova de materialidade do crime.

Hallison Foguete está detido na Penitenciária de Alcaçuz após ser condenado por júri popular, em abril deste ano, a uma pena de quase 14 anos por um homicídio que ela nega ter cometido, ocorrido em 2015.

No julgamento de 1ª instância, em 2015, o TJRN reconheceu a inocência de Foguete, mas o Ministério Público do Rio Grande (MPRN) recorreu da decisão e em novo julgamento, dessa vez por júri popular, Foguete foi condenado por 4 votos a 3 votos. 

O caso

De acordo com a acusação do MPRN, a vítima do homicídio era um homem de 60 anos, morto a pedradas nas proximidades do Mercado Público de Macaíba, no dia 5 de março de 2015.

O MPRN pediu a condenação de Hallison afirmando que a motivação do crime seria a suposta dívida trabalhista que a vítima teria com ele. Uma testemunha teria relatado que o capoeirista havia confessado tanto a autoria do crime quanto a motivação, mas ele afirmou nunca ter conhecido essa pessoa.

Hallison relatou que encontrou a vítima agonizando, em seguida acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas a gravação da ligação, que poderia confirmar sua versão, nunca foi analisada.

A defesa dele solicitou que a Justiça enviasse ofício ao SAMU requerendo cópia da gravação, mas o documento foi enviado com a data errada, pedindo registros de 2016, um ano após o cometimento do crime.

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