O professor Alessandro Dozena, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi selecionado como um dos semifinalistas da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). A indicação é pelo livro Geografias Sonoras, publicado pela editora Mórula com apoio da PPG/UFRN e do CNPq.
A obra concorre na categoria Geografia e Geociências e foi anunciada no último dia 14 de julho, durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Recife (PE).
Em entrevista, o professor conta como recebeu a notícia da indicação: “Foi muito emocionante, está sendo! Ganhando ou não a estatueta, sempre sonhei em ter essa oportunidade, e parece que estou vivendo agora dentro do sonho. Nesta edição, o prêmio recebeu 2.004 inscrições de livros escritos por autores (as) nacionais, o que reforça essa minha sensação”, comenta.
O livro é resultado de décadas de pesquisa sobre os sons e suas relações com o espaço. “As reflexões desse livro fazem parte de décadas de pesquisas sobre as relações entre os sons e as espacialidades, a partir da perspectiva do humanismo geográfico. Essas são motivações iniciadas em minha graduação em Geografia, que reverberam em outras pesquisas e publicações, como as obras Geografia e Música, A geografia do samba na cidade de São Paulo, Geografia e Arte, e Geografia e Criatividade (que deverá ser lançada ainda nesse mês). Todas as pesquisas buscaram contribuições aplicadas ao ensino, e também aplicadas ao avanço no campo teórico, conceitual e metodológico.
A proposta de escutar o país por meio de seus sons também parte de uma paixão antiga. “Sempre fui apaixonado pelo Brasil e suas formações sonoro-espaciais (uma categoria que trabalho no livro). O nosso acervo musical foi produzido por séculos de diásporas, êxodos e peregrinações de povos que, escravizados ou não, lutaram por sua sobrevivência, resistindo à opressão e à segregação sem jamais abdicar de seu engenho e sua arte. E a escuta ativa de tudo isso sempre me atraiu, poder pesquisar identidades e territorialidades forjadas pelos elementos sonoros, poder navegar pelo vasto oceano da arte popular: o sertão musical nordestino, as comunidades do tambor, o coco de zambê de nosso estado, o chorinho natalense, entre tantas outras manifestações que revelam muito de nossa essência existencial, e de nossa condição espacial.”
Questionado sobre a relação entre geografia e música, o professor reforça: “Não só a música, mas tudo o que é artístico é transversal à vida humana em suas múltiplas dimensões, exerce fascínio e influência sobre os humanos, e se conecta com as dimensões espaciais. São dimensões que envolvem criações e que fascinam os humanos: música, literatura, dança, teatro, criações sonoras, desenho animado, arquitetura, escultura, pintura, cinema, design, gastronomia, fotografia, vídeos, cartografia entre outras manifestações. Tudo isso encanta os humanos por apresentar possibilidades de diálogos possíveis entre práticas que enredam as nossas experiências cotidianas com experiências vividas espaço-artisticamente; e demonstram o que de melhor o ser humano pode produzir.”
A publicação contou com o suporte de diferentes instituições. “Fundamental, por isso para mim é também um momento de agradecer o apoio que sempre recebi de meu Departamento de Geografia, do CCHLA, PPG/UFRN, da CAPES, e do CNPq (meu financiador de pesquisa atual). E nessa publicação pude contar com a qualidade da editora Mórula do Rio de Janeiro, sempre atenta aos detalhes de uma obra de qualidade (revisão textual, capa e qualidade gráfica).”
Representar a UFRN e o Rio Grande do Norte em uma premiação de alcance nacional como o Jabuti é, para ele, um momento especial. “Me sinto muitíssimo feliz em representar a UFRN e estar entre os semifinalistas da principal premiação da literatura científica nacional. Temos visto há tempos a relevância da produção acadêmica potiguar no cenário nacional e o papel das universidades norte-rio-grandenses em fomentar referências em pesquisa e difusão do conhecimento geográfico, histórico, artístico e científico.”
O professor também relembra com afeto sua chegada à UFRN. “Esse livro em particular me conecta com o meu ingresso no Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 2010. Fui adotado pelo Rio Grande do Norte. Esse ingresso me possibilitou reafirmar e assumir a minha identidade enquanto professor-pesquisador na área de Geografia Humanista-Cultural, a partir do enquadramento no perfil direcionado a um professor-pesquisador voltado às temáticas culturais, trajetória inaugurada e anteriormente trilhada pelo eminente fundador do Departamento de Geografia da UFRN, Luís da Câmara Cascudo. E tudo isso é motivo de muito agradecimento, orgulho e sentido de responsabilidade social”, finaliza.
Prêmio Jabuti Acadêmico
Nesta edição, mais de dois mil livros inscritos. O Prêmio Jabuti Acadêmico é uma premiação promovida pela CBL, criada em 2024, com o objetivo de reconhecer e valorizar a produção acadêmica brasileira nas áreas científicas, técnicas e profissionais.
Os semifinalistas foram anunciados em 14 de julho de 2025, durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife (PE). Os cinco finalistas de cada categoria serão divulgados em 22 de julho, e os vencedores serão conhecidos em 5 de agosto, durante cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP) .