Time de futsal incentiva esporte entre pessoas transmasculinas em Natal
Um time de futsal incentiva a prática do esporte entre homens trans e pessoas transmasculinas no Rio Grande do Norte. O Trans Potiguar Futsal Clube busca ser um espaço seguro da prática desportiva entre esse público, promovendo representatividade e inclusão social em Natal.
O fundador e coordenador-geral do time é Kaique Ayres. Ele conta que o clube iniciou no segundo semestre de 2023, fruto de uma iniciativa de amizade e da necessidade de ocupar espaços.
“Convidado pelo meu amigo Renan Oliveira, iniciamos esse projeto focado em homens trans e pessoas trans masculinas com uma missão clara: promover representatividade, saúde e inclusão social”, destaca.
“Sabemos que, muitas vezes, somos invisibilizados, até mesmo dentro da comunidade LGBTQIAPN+. É por isso que o Trans Potiguar não é apenas um time de futsal; é um espaço seguro de união, visibilidade e cuidado. Aqui, a gente joga, se apoia e, o mais importante, mostra que estamos aqui”, aponta o jogador.
Esportes como o futebol e futsal ainda são majoritariamente praticados por um público heterossexual e cisgênero. O Levantamento sobre a Diversidade no Futebol, publicado em 2023, fez uma pesquisa com 508 profissionais, atuantes nas séries A e B do Campeonato Brasileiro Feminino, além das séries A1 e A2 do Feminino — apenas 1% dos homens se declarem homossexuais ou bissexuais.
Os episódios de transfobia também estão presentes nos discursos de jogadores do Trans Potiguar. Em relatos anônimos, eles falaram de diferentes casos, como:
“Muitos de nós sentem uma certa exclusão desde a infância, na escola, e ao querer jogar bola na escola com os meninos, já senti a diferença de tratamento e ‘não pertencimento’, mesmo querendo jogar e se sentindo bem em meio a emoção dos esportes.”
“Sempre o futebol foi um lugar que eu não pude pertencer, me foi negado o direito de jogar desde a infância, e hoje temos a chance de jogar em um time de nós para nós.”
“Eu nunca fui uma pessoa de esportes e atividade física pela intimidação dos homens, porque na educação física, que era misturada, eu sempre me sentia pressionado e intimidado. A escola era o pior ambiente pra mim. O único lugar onde ainda joguei e brinquei muito foi na minha rua, mas qualquer coisa era um gatilho e a insegurança e o medo sempre presente, porque parecia que por mais que eu me esforçasse, não seria bom o bastante e sempre seria criticado e ruim.
Os treinos do Trans Potiguar acontecem geralmente aos domingos pela manhã. Não há um lugar fixo, então semanalmente é feito um planejamento e divulgado nas redes sociais onde será o próximo encontro. Atualmente, quase 70 pessoas fazem parte do grupo do Trans Potiguar no Whatsapp, mas, entre jogadores e coordenadores, são 13.
De acordo com Kaique, os treinos são feitos com o objetivo de competir, tanto com times de pessoas trans ou outros clubes de de pessoas LGBT.
“O nosso objetivo hoje é esse, por isso que o grupo leva muito a sério o clube, os treinos, esse comprometimento de organização durante a semana, procurando até ter recursos, algum patrocínio, porque inclusive já aconteceu até da gente receber vários convites para jogar em amistosos com outros times de pessoas trans de outros estados”, diz Ayres.
Para saber mais sobre o Trans Potiguar Futsal Clube e os locais de treino, basta acompanhar a página do time no Instagram, pelo @t.potiguar_fc.