Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) voltaram a relatar episódios de violência dentro e nas imediações do campus central, em Natal. Na noite desta segunda-feira (6), por volta das 20h40, grupos de alunos foram surpreendidos por um arrastão enquanto aguardavam transporte na parada do Setor V e nas proximidades da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM).
Segundo relatos, dois homens em uma motocicleta abordaram os estudantes e exigiram celulares, mochilas e outros pertences. Testemunhas afirmam que houve correria e momentos de pânico, com estudantes tentando se proteger e buscar abrigo dentro de prédios da universidade.
A assessoria da Reitoria afirma que caso ocorreu em área externa. A Diretoria de Segurança Patrimonial (DSP-UFRN) informou que a ocorrência aconteceu “na parada do circular, entre os Setores de Aulas 2 e 5, área localizada no Anel Viário, de responsabilidade da segurança pública”. A DSP ressaltou que realiza rondas contínuas dentro do campus e orientou que estudantes comuniquem qualquer ocorrência pelos números 08000 84 2050 e (84) 99193-6471, que funcionam 24 horas.
Apesar da explicação, o posicionamento da universidade gerou críticas entre os estudantes, que apontam falhas na iluminação e ausência de vigilância em pontos estratégicos, especialmente no turno da noite.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFRN) publicou uma nota de repúdio na madrugada desta terça-feira (7), classificando o episódio como mais um reflexo da falta de segurança enfrentada pela comunidade acadêmica.
“É inadmissível que a falta de iluminação e a demora na resolução de problemas continuem colocando vidas em risco”, diz o texto.
O DCE afirmou ainda que os casos de violência têm se tornado recorrentes e que a universidade precisa tratar o tema como prioridade. A entidade também informou que está construindo um mapa detalhado dos pontos com falhas de iluminação e que mantém diálogo com a Reitoria para pressionar por soluções mais rápidas.
“A universidade deve ser um espaço de liberdade, convivência e formação — não de medo”, conclui o comunicado.
Os arrastões desta segunda-feira somam-se a uma sequência de casos de violência registrados este ano. Em maio, um estudante de Engenharia de Produção foi agredido por homens armados no Setor IV e teve relógio e corrente roubados. Em abril, uma aluna foi vítima de sequestro relâmpago dentro do campus, o criminoso, armado, a obrigou a transferir dinheiro via Pix antes de libertá-la em uma área de matagal em Ponta Negra.
O medo também afeta o cotidiano das mulheres universitárias. Em 2024 e 2025, a Ouvidoria da UFRN recebeu dezenas de denúncias de assédio moral e sexual, muitas delas ocorridas dentro do ônibus circular interno. Pelo menos 20 estudantes relataram terem sido vítimas de importunação sexual no transporte.
Após a onda de denúncias no primeiro semestre, a UFRN chegou a anunciar o reforço do patrulhamento interno e o contato direto com a Superintendência da Polícia Federal e a Secretaria da Segurança Pública. A Reitoria também criou o Espaço Acolher, para atendimento e escuta de vítimas de violência, e reforçou o canal da Ouvidoria como instrumento de denúncia.
Entretanto, as medidas têm sido consideradas insuficientes por parte da comunidade acadêmica. Alunos relatam que a sensação de insegurança permanece, e que os problemas estruturais como a falta de iluminação e vigilância em paradas de ônibus e estacionamentos seguem sem resolução efetiva.
Até o fechamento desta reportagem, a Reitoria da UFRN não havia informado se novas medidas de segurança seriam adotadas após o episódio desta segunda-feira. O DCE anunciou que pretende se reunir novamente com representantes da administração central ainda nesta semana para cobrar respostas e encaminhamentos concretos.
Canais de denúncia e apoio:
Diretoria de Segurança Patrimonial (DSP): 08000 84 2050 / (84) 99193-6471 (24h)
Ouvidoria UFRN: (84) 99167-6605 (WhatsApp) / [email protected]
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