Carla Dickson esperará janela para mudar de partido, mas antecipa apoio a Rogério Marinho
Durante um evento da pré-campanha a governador do senador Rogério Marinho (PL), no último final de semana, a deputada federal Carla Dickson afirmou que o União Brasil negou a “carta de anuência”, o que a impede no momento de migrar para o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. A parlamentar, no entanto, disse que esperaria a janela partidária para trocar de partido e anunciou apoio à pré-candidatura a governador do senador Rogério Marinho (PL).
“Eu só posso efetivamente fazer a minha festa de filiação na janela [partidária]. Infelizmente, a minha casa de anuência foi negada pelo meu atual partido. Eu não posso estar de fato e de direito no PL, mas eu já caminho no plenário da Câmara [dos Deputados] com a oposição e com o PL”, anunciou a deputada.
O ex-senador José Agripino, presidente estadual do União Brasil, negou ao Diário do RN que Carla Dickson tenha solicitado a “carta de anuência” para se filiar ao PL: “Não, nem foi pedida, nem foi atendida, nem nada”, retrucou o dirigente partidário.
“Ela terá a janela própria daqui a poucos meses se decidir sair do União Brasil”, completou o ex-senador.
A janela partidária para que deputados federais, estaduais e distritais mudem de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária, pelo calendário eleitoral, ocorre entre o início de março e o de abril de 2026.
Carla se diz “soldada” de Rogério Marinho
Carla Dickson afirmou que já é “de coração do PL” e se declarou “soldada” do senador e pré-candidato a governador Rogério Marinho.
“Estou aqui como uma soldada, não só lá no plenário da Câmara [dos Deputados], mas aqui no Rio Grande do Norte. A ordem que o senhor der, quem for pra gente caminhar junto no Governo do Estado, estou como você. O meu candidato ao governo é o senador Rogério Marinho”, declarou.
No final de julho, Carla Dickson participou de uma reunião em Natal com os parlamentares que integram a recém-criada Federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e PP, para alinhar as estratégias do grupo visando às eleições de 2026.
O União Brasil de Carla Dickson tem como pré-candidato a governador o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que participou da reunião da Federação União Progressista, liderada pelo ex-senador e presidente estadual da legenda José Agripino. O prefeito de Natal, Paulinho Freire, filiado ao mesmo partido, também estava na foto do encontro, junto com os deputados federais Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria.
Depois do encontro, Benes Leocádio declarou que o objetivo era “alinhar a construção das nominatas” para a disputa proporcional, com a meta de no mínimo manter o número de deputados federais da bancada, mas também chegar a um consenso sobre o melhor nome para representar a centro-direita na disputa pela sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT).
O consenso, por enquanto, parece distante. O grupo oposicionista está dividido entre as pré-candidaturas de Rogério Marinho, Allyson Bezerra e do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que segue filiado ao Republicanos, mas negocia uma possível mudança para o PL.
Ao se declarar “soldada” de Rogério Marinho, Carla Dickson sinalizou sua preferência pelo pré-candidato do PL, em detrimento do nome do seu atual partido, Allyson Bezerra, que aparece à frente em todas as pesquisas de intenção de voto até então divulgadas sobre a sucessão estadual.
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Carla Dickson tem índice de “governismo” de 43%
Carla Dickson, apesar de filiada ao União Brasil, partido que até o início de setembro integrava oficialmente a base de apoio do governo Lula (PT), votou majoritariamente alinhada com a oposição bolsonarista na Câmara dos Deputados.
De acordo com o Radar do Congresso, plataforma do Congresso em Foco que analisa o nível de “governismo” de cada parlamentar, Carla Dickson tem índice de 43%, o que significa que, na maioria das vezes, ela votou contra a orientação do governo petista na Câmara dos Deputados.
Isso ficou evidente, por exemplo, nas votações da PEC da Blindagem, da urgência do PL da Anistia e da Medida Provisória 1303, conhecida como MP BBB (Bancos, Bets e Bilionários).
Nos três casos, Carla Dickson acompanhou os colegas bolsonaristas General Girão (PL) e Sargento Gonçalves), além dos integrantes da bancada do centrão potiguar, Benes Leocádio (União Brasil), João Maia (PP) e Robinson Faria (PP), que também votaram a favor de blindar os parlamentares de investigações, para anistiar os golpistas de 8 de janeiro de 2023 e contra a taxação de bancos, bets e bilionários.
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