Os federais de Natal…
Natal, RN 8 de jun 2026

Os federais de Natal...

3 de novembro de 2025
6min
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O vereador, no folclore político, é a vítima preferencial das piadas que povoam esse universo diverso, plural e grande produtor de absurdos. Aí está um dos motivos, entre tantos, que acabam manchando a imagem desses políticos que são figuras importantes para a construção das cidades, mas que a falta de cuidados da população que vota em escolher bem, acaba provocando situações esdrúxulas, com certas figuras que se destacam no anedotário político de uma cidade.

 O vereador é peça chave importante para uma cidade. Infelizmente a imensa maioria deles, dão motivos para as chacotas e, o que é pior, passam ao  descrédito e acabam colocando a política na vala comum, com forte contribuição para o aumento do descrédito da população na política.

 Chamou minha atenção, um artigo do mutifacetado comunicador Ciro Pedroza, em que ele analisa a inversão de papeis auto imposta pelos bravos edis natalenses, ao deixarem de lado a discussão dos problemas da cidade, passando  a adotar discursos extremistas, recheados de narrativas em que a verdade é jogada de lado e, o  pior, passando a discursar e debater sobre temas que não dizem respeito a municipalidade.

Ciro os chamou de vereadores federais. E foi isso que me inspirou a escrever esse artigo. Vou me ater somente nesse desvio de rota, já que nesses tempos estranhos, aonde todos acham que sabem e podem tudo, os nossos eloquentes vereadores ocupam espaços importantes para tratar de temas que, além de não lhes dizer respeito, o fazem na falta de ter o que mostrar para  a população, ou até mesmo desviar o foco de problemas sérios e graves da cidade, mas que por um estilo de subserviência cega ao prefeito da vez, se voltam para o discurso barato e vazio,.

A Câmara municipal de Natal já produziu figuras folclóricas que marcaram época e a cena política da cidade. Vereadores como Antonio Cortez e seus discursos hilários, Ferreirinha, que nos idos dos anos 70 e 80, andava num opala preto, mas só até próximo de chegar aos bairros. Porque, logo se desfazia do carro e passava a andar de bicicleta, passando para a população dos bairros mais periféricos, a imagem de ser um homem literalmente do povo.

Sem falar nos discursos proferidos na tribuna da casa. Na época, nós repórteres que cobríamos a casa legislativa, muitas vezes, sofríamos bastante para conseguir uma pauta que valesse a pena ganhar as páginas dos jornais. Quando não conseguia, o jeito era mostrar o lado folclórico das figuras que permeavam o palácio padre Miguelinho.

Não muito diferente de hoje, tinha de tudo e para todos os gostos. Tinha o vereador dono de máquinas de terraplenagem que alugava os equipamentos para a prefeitura sem o menor pudor, tinha o vereador rei momo, o que era responsável pelas cigarreiras espalhadas pela cidade, o vereador do saco preto e outros, mas também tinha os expoentes que engrandeciam aquela casa. Pouco, mas existiam e ainda existem.

Ao assistir a uma sessão da câmara hoje, não consigo fazer muita diferença daquele tempo. Mudaram as personagens, o estilo de roupa, o jeito elegante de falar, mas a essência, pouco ou quase nada mudou. E quando vejo vereadores ocuparem a tribuna para falar de anistia a golpistas, perdão a quem tentou derrubar a democracia, enviesar temas que dizem respeito ao governo federal, com o claro propósito de desviar a atenção ou criar cortinas de fumaça, não tenho como não os considerar na galeria dos esdrúxulos.

E assim, como no mundo dos blogues e da mídia existem os línguas e penas de aluguel, lá na câmara também tem aqueles que discursam o que lhes dizem para falar. Muito para agradar ao líder maior e sempre para atacar adversários sem argumentos bem construídos e fundamentados. Impressiona como o baixo nível dos discursos e o festival de ofensas e desrespeito estão dominando a maior parte dos embates. Uma clara constatação de que a política precisa urgente de uma nova conceituação.

Evidente que as representações legislativas são o retrato mais cristalino da população que os elege. Mostrar esse lado dantesco é reconhecer que o principal responsável por tal situação é o eleitor. Esse, na maioria das vezes, nem lembra em quem ele votou.

Atender ao pedido de um amigo, parente, líder comunitário, sem se aprofundar em pesquisar a figura que está ali sorridente naquele santinho, por exemplo, em nada ajuda para melhorar a cidade e até mesmo a política. A começar pelos nomes que muitos escolhem como uma maneira de chamar a atenção. Eu já vi de tudo: de linguiça a lagartixa, o cardápio em período de eleição fica recheado.

Mas, voltando ao tema dos federais de Natal, a atual composição da Câmara municipal até que tem pessoas com um certo grau de cultura e conhecimento. Infelizmente, alguns desses, se deixaram contaminar pelo absurdo do extremismo. Gente que acha que a tribuna é palanque e que os ouvidos de quem assiste ali no plenário ou pela tv e rádio são penicos. Está mais do que na hora desse pessoal passar a dar bons exemplos. Respeitar o cidadão e mostrar serviços que realmente promovam melhorias, desenvolvimento e fortaleçam a municipalidade.

Ocupar espaços em busca de visibilidade em redes sociais, não importando para isso, sequer o mínimo de compostura é um verdadeiro escracho. É jogar merda, não no ventilador, mas na cara dos cidadãos que esperam dos vereadores, algo além desse teatro de bufão que eles estão sempre promovendo, se é que podemos mesmo enquadrar os absurdos nesse tipo de teatro.

E enquanto essa polarização continuar sendo alimentada, principalmente por narrativas falsas e descontextualizadas da realidade, incitando o ódio e a intriga e tantas baixarias, continuaremos, lamentavelmente, a assistir ao espetáculo de horrores que nós mesmos, os eleitores, donos das armas mais poderosas, proporcionamos. Pelé é quem tinha razão: o brasileiro não sabe votar. E, infelizmente, continua assim. Acorda povo!

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