MP move ações contra leis sobre “bets” em mais de 17 municípios do RN
Natal, RN 16 de jun 2026

MP move ações contra leis sobre “bets” em mais de 17 municípios do RN

2 de dezembro de 2025
3min
MP move ações contra leis sobre “bets” em mais de 17 municípios do RN
Foto: Tânia Rêgo I Agência Brasil

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ajuizou Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) questionando no Tribunal de Justiça a validade de leis em mais de 17 municípios potiguares.

Tiveram suas leis questionadas os municípios de: Encanto, Angicos, São Vicente, São Bento do Trairi, Lajes Pintadas, Tibau, Marcelino Vieira, Venha Ver, Portalegre, Itaú, Apodi, Coronel Ezequiel, Rafael Fernandes, Itajá, José da Penha, Jaçanã e São Tomé. 

O MPRN argumenta que houve invasão de competência porque a Constituição Federal estabelece que é da União a competência para legislar e explorar serviços de loterias e sorteios. A posição já é consolidada e pacificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Súmula Vinculante nº 2, que proíbe expressamente os municípios de explorarem tais serviços. 

Na semana passada o MPRN entrou com a primeira ação do tipo, uma ADI contra a lei municipal de Bodó que instituiu a LotSeridó. A ação, que é resultado da atuação da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), questiona a legalidade da norma que autorizou a exploração de apostas de quota fixa em âmbito local. De acordo com a Lei nº 14.790/2023, apenas a União, os estados e o Distrito Federal podem autorizar a exploração de apostas de quota fixa em seus respectivos territórios. A ação resultou no bloqueio de R$ 145 milhões pela Justiça.

Pelo período dez meses que ficaram em funcionamento, as bets autorizadas por Bodó faturaram cerca de R$ 415 milhões, segundo investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte. A cidade de Bodó chamou a atenção da fiscalização porque apesar de ser uma cidade pequena, com cerca de 2.360 habitantes, sendo também a sexta menos populosa do estado, foi a primeira do Brasil a ter uma loteria municipal e não só isso, a autorizar o funcionamento de casas de apostas online de quota fixa, as chamadas bets. 

Fiscalização

O MPRN aponta que ao autorizarem o funcionamento das bets, as leis municipais criaram um vácuo de fiscalização, já que a regulamentação e o credenciamento das operadoras de apostas de quota fixa são atribuições do Ministério da Fazenda, que atua em âmbito federal.

Na avaliação do MPRN, a ausência de fiscalização abre brechas para a lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogos de azar não autorizados e fraudes contra a economia popular e o consumidor, problemas que já foram observados antes em esquemas semelhantes que usaram as loterias municipais como fachada para dar uma aparente legalidade às plataformas de apostas online.

Suspensão

Com as ADIs, o MPRN requer, em caráter de urgência, a concessão de medida cautelar para a suspensão imediata da vigência e eficácia das leis municipais questionadas nos 17 municípios para evitar que as bets continuem a operar irregularmente.

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