Trabalho doméstico no RN reflete desigualdade regional, aponta MTE
Natal, RN 13 de jun 2026

Trabalho doméstico no RN reflete desigualdade regional, aponta MTE

14 de abril de 2026
4min
Trabalho doméstico no RN reflete desigualdade regional, aponta MTE

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O trabalho doméstico com carteira assinada no Brasil encerrou 2025 com 1.302.792 vínculos ativos, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base em dados do eSocial. O número representa leve recuo em relação a 2024, quando foram registrados 1.343.792 contratos formais, sinalizando estabilidade no setor. Apesar disso, a remuneração média real avançou, passando de R$ 1.949,06 para R$ 2.047,92 no período.

No Rio Grande do Norte, o cenário acompanha a dinâmica do Nordeste, marcada por menor participação no total de vínculos formais e por salários médios inferiores aos observados nas regiões Sul e Sudeste. A realidade local, no entanto, evidencia um movimento mais acentuado de retração ao longo dos últimos anos.

O estado potiguar ocupa a segunda posição no Nordeste com maior queda nos vínculos formais de trabalho doméstico na última década. Entre 2015 e 2024, a redução foi de 12,5%, passando de 19.845 trabalhadores para 17.364, índice inferior apenas ao de Sergipe (12,6%). No mesmo período, a retração nacional foi ainda mais expressiva, chegando a 18,1%, com o total de vínculos caindo de 1,6 milhão para cerca de 1,3 milhão.

Mulheres dominam mercado de trabalho doméstico

No recorte de gênero, a queda teve impacto mais significativo entre as mulheres, que seguem como maioria absoluta na categoria. Em 2024, elas representavam 87% dos vínculos no Rio Grande do Norte. Em termos absolutos, o número de trabalhadoras formais caiu de 17.553, em 2015, para 15.163 no ano passado, uma redução de 13,6%.

Esse quadro é agravado por fatores estruturais. A ausência de um piso salarial regional, com adoção exclusiva do salário mínimo nacional como referência, tende a limitar o avanço da remuneração média local, mantendo o estado em desvantagem em relação a regiões com maior poder de renda.

A estrutura do setor segue fortemente feminina em todo o país. As mulheres representam 88,64% dos vínculos formais no Brasil, o equivalente a mais de 1,15 milhão de trabalhadoras, enquanto os homens somam 11,36%. Esse perfil também se repete no Rio Grande do Norte, onde o trabalho doméstico permanece como uma importante fonte de ocupação para mulheres, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.

As funções de serviços gerais concentram a maior parte dos empregos domésticos, com quase 1 milhão de vínculos no Brasil e remuneração média de R$ 1.952,44. Outras ocupações relevantes incluem babás, com média salarial de R$ 2.098,67, e cuidadores de idosos, que recebem, em média, R$ 2.281,78. Já funções mais especializadas, como motoristas particulares, apresentam rendimentos mais elevados, ultrapassando R$ 3 mil mensais.

No topo da renda, embora com baixa representatividade, estão profissionais de enfermagem no ambiente doméstico, com média salarial superior a R$ 4,8 mil. Ainda assim, esse tipo de ocupação é pouco expressivo tanto no Brasil quanto em estados como o Rio Grande do Norte.

Educação

O perfil educacional indica predominância de trabalhadores com ensino médio completo, seguido por aqueles com ensino fundamental incompleto ou completo. Já a distribuição por idade revela um processo de envelhecimento da categoria, com maior concentração entre 50 e 59 anos, tendência que também se observa no mercado potiguar.

Regionalmente, o emprego doméstico formal segue concentrado em estados mais populosos e com maior renda, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Nordeste, Bahia, Pernambuco e Ceará lideram em número de vínculos formais.

Estudo do tema no RN

Essa realidade também está ligada a uma desigualdade que se forma antes mesmo da entrada no mercado de trabalho. Um estudo desenvolvido por pesquisadoras da UFRN e da UFMG aponta que meninas entre 10 e 14 anos já dedicam mais tempo a tarefas domésticas e de cuidado do que homens em qualquer fase da vida. No conjunto da população, as mulheres concentram cerca de 79,7% de todo o trabalho de cuidado não remunerado no país, evidenciando uma divisão desigual que se perpetua ao longo dos anos e ajuda a explicar o perfil do trabalho doméstico formal.

Romper esse ciclo exige reconhecer que o cuidado não é uma responsabilidade individual, mas uma questão social. “Durante muito tempo, o cuidado foi tratado como uma obrigação feminina, quase como parte da natureza das mulheres. Mas, na verdade, trata-se de uma divisão social do trabalho, construída historicamente”, afirma a pesquisadora Jordana Cristina de Jesus.

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