Juliana Garcia se filia ao PT-RN e é atacada nas redes sociais
Juliana Garcia, a mulher vítima de tentativa de feminicídio ao ser agredida com 61 socos pelo ex-namorado em julho de 2025, anunciou a filiação ao Partido dos Trabalhadores na última quinta-feira (7), e foi alvo de ataques nas redes sociais. Ela divulgou uma mensagem que recebeu de um homem após divulgar sua filiação ao PT: “Você tem é que tomar mais 122 socos dessa vez para ficar sem a cabeça, sua puta petista”.
A mensagem foi enviada pelo perfil do Instagram @joseph.7508, que foi desativado após a repercussão. “Exemplo típico de cidadão de bem. Esse vai responder juridicamente. Mas antes ele vai ficar famoso sim. E ainda querem barrar a lei da misoginia”, disse Juliana. Ela abriu um boletim na Delegacia Virtual.
A filiação de Juliana ao PT recebeu o apoio da vereadora Samanda Alves, presidenta do partido no estado.
“Juliana é símbolo da nossa luta por dignidade, respeito e pelo fim da violência que ainda marca a vida de tantas mulheres. Sua coragem transforma dor em luta coletiva”, escreveu Samanda.
“Tê-la somando ao time do presidente Lula no RN reforça uma convicção que nos guia: defender a vida das mulheres precisa estar no centro da política”, afirmou a dirigente partidária.
Juliana Garcia avalia a possibilidade de concorrer à deputada pelo PT. “Que eu jamais seja confundida com o outro lado e com pessoas que perseguem uma mulher que já foi violentada e carrega traumas com ela. 13 sim, e viva a democracia”, disse também Juliana via redes sociais.
Caso de violência
Juliana Garcia foi violentamente agredida com 61 golpes aplicados pelo seu ex-namorado, Igor Cabral, dentro do elevador de um condomínio no bairro de Ponta Negra, na zona Sul de Natal.
O agressor está preso desde 28 de julho e continua detido na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim (RN). A tentativa de feminicídio foi registrada pelas câmeras de segurança do condomínio onde mora Juliana Soares.
A agressão durou menos de um minuto, mas foi o suficiente para deixar a vítima com o rosto desfigurado. Ela foi inicialmente levada para receber os primeiros atendimentos no Hospital Walfredo Gurgel.
Uma semana depois do ocorrido, foi submetida a uma cirurgia de reconstrução facial no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL).
O porteiro do condomínio, ao ver a violência, acionou a Polícia Militar. Igor Cabral foi preso em flagrante e levado à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS).
A Polícia Civil indiciou Igor Cabral por tentativa de feminicídio. As investigações foram conduzidas pela delegada Victória Lisboa, titular da DEAM-ZLOS.