MLB bloqueia faixa na BR-101 em Natal para cobrar moradias populares
Natal, RN 9 de jun 2026

MLB bloqueia faixa na BR-101 em Natal para cobrar moradias populares

9 de junho de 2026
4min
MLB bloqueia faixa na BR-101 em Natal para cobrar moradias populares
A manifestação cobrou a ampliação das unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida - Entidades - Foto: reprodução

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O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou um ato na manhã desta terça-feira (9) e fechou uma faixa na marginal da BR-101, na altura do Shopping Via Direta, Zona Sul da capital. A manifestação cobrou a ampliação das unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida – Entidades e pediu que o governo Lula receba o movimento no acampamento que é realizado por organizações sem-teto em Brasília.

O ato durou cerca de duas horas e acabou por volta das 8h, quando os integrantes do MLB se dispersaram. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar acompanharam a movimentação no local. 

No centro da reivindicação está a construção de mais moradias populares. O Minha Casa Minha Vida – Entidades concede financiamento subsidiado a famílias organizadas por meio de entidades privadas sem fins lucrativos para produção de unidades habitacionais urbanas, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). No entanto, o número de habitações destinadas está abaixo do número exigido pelos movimentos.

“Só vamos parar quando o Lula receber os movimentos nacionais. O MLB, a Conan, a UNMP, entre outros movimentos nacionais, estão agora em Brasília. São mais de 400 famílias organizadas reivindicando o seu direito de morar. É um desrespeito com a luta histórica dos movimentos sociais que lutam há mais de cinco anos pelo programa Minha Casa Minha Vida, que tem uma trajetória gigantesca, que apresentaram mais de 90 mil propostas de unidades habitacionais para o Lula agora chegar e dizer que vai contratar 30%”, disse Bianca Soares, coordenadora do MLB-RN, no ato desta manhã.

Em nota divulgada em maio, cinco movimentos por moradia e reforma urbana disseram que  caminharam com o Ministério das Cidades e a Caixa na busca de melhorar o programa e agilizar seu andamento, “mesmo enfrentando às dificuldades estruturais e o preconceito de alguns setores que desvalorizam o trabalho dos movimentos populares”. Uma primeira seleção, feita em 2024, contratou cerca de 30 mil unidades habitacionais no país, parte delas já iniciadas suas obras e outras ainda enfrentando dificuldades administrativas.

Em 2025, foi lançado o chamamento público para a segunda seleção de propostas, em que se chegou a 98 mil unidades enquadradas para seleção. “Um recorde histórico que mostra o tamanho da demanda por moradia, mas também a força, a capilaridade e a organização do povo em torno de um programa fundamental. No entanto, apesar de ter havido um aumento da meta inicialmente prevista, o governo promete selecionar apenas 35 mil unidades, cerca de 35% do total enquadrado, frustrando o trabalho e a luta de milhares de famílias”, informaram. 

Recentemente, o governo federal anunciou a ampliação da meta do Minha Casa Minha Vida para 3 milhões de moradias até o final de 2026. “Mantido esse cenário, o MCMV Entidades, que frequentemente é citado pelo Presidente Lula como exemplo de qualidade de produção e de organização das famílias participantes, terá apenas 2,16% das moradias contratadas nesta gestão”, reclamaram os grupos. O documento é assinado pelo MLB, Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).

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