Styvenson se diz ‘retraído’ com Flávio Bolsonaro após caso Master
Natal, RN 25 de jun 2026

Styvenson se diz ‘retraído’ com Flávio Bolsonaro após caso Master

25 de junho de 2026
5min
Styvenson se diz ‘retraído’ com Flávio Bolsonaro após caso Master
Styvenson é pré-candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo no Rio Grande do Norte - Foto: Roque de Sá/Agência Senado

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O senador Styvenson Valentim (Podemos) reconheceu estar “retraído” em relação ao apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência por conta das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.

A declaração se deu em entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM, na terça-feira (23).

“Eu anunciei o apoio ao Flávio, mas aí eu tô pouco retraído pelas condições que a gente tá acompanhando. Não vou mentir para vocês que esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado, de ministérios”, afirmou.

Styvenson é pré-candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. O grupo conta com Álvaro Dias (PL) para governador, Babá Pereira (PL) para vice, e Coronel Hélio (PL) na segunda vaga ao Senado. 

Por outro lado, o senador teceu elogios a outro pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), que é ex-governador de Goiás.

“Eu tenho uma atração política pelo Caiado por conhecer Goiás, por conhecer Goiânia. É muito tranquilo, é muito tranquilo. Quem conhece Goiânia diz: ‘Olha, é uma tranquilidade”’, afirmou.

Ainda na entrevista, o parlamentar foi questionado sobre a ausência de agendas com os demais pré-candidatos do seu grupo, mas justificou que as limitações ocorrem pelo fato das entregas do seu mandato não coincidirem com os demais compromissos.

O parlamentar já tentou se afastar do bolsonarismo em janeiro, dia em que o senador Rogério Marinho, presidente estadual do PL, comunicou a desistência de concorrer ao Governo do RN e anunciou apoio a Álvaro. O evento, com presença de Styvenson, ocorreu na sede estadual da sigla bolsonarista.

“Eu sempre fiz questão de dizer, não sou bolsonarista, temos ideias semelhantes, temos ideias alinhadas”, declarou o parlamentar na ocasião.

Saiba Mais: Apoiados pelo PL, Álvaro Dias e Styvenson dizem não ser bolsonaristas

Os “abalos” no bolsonarismo após o caso “Dark Horse” também foram reconhecidos anteriormente pelo coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador potiguar Rogério Marinho.

Neste mês, em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar reconheceu que o caso causou abalo à campanha e provocou efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto.

“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B. Ele (Vorcaro) foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário (Lula). Não há perplexidade nem indignação. Quando você fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E na hora em que do nosso lado tem uma relação privada, é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, disse.

Saiba Mais: Rogério reconhece “abalo” na pré-campanha de Flávio Bolsonaro após caso “Dark Horse”

Em 22 de maio, dias após a revelação das conversas, pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em intenção de votos Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois pré-candidatos saiu de três para nove pontos percentuais, em comparação com o levantamento anterior, de 13 de maio.

Dark Horse

Em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.

Saiba Mais: Áudio vazado de Flávio Bolsonaro com banqueiro investigado repercute entre políticos do RN

Já na terça (19), Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.

Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.

Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.

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