Críticas de Kelps a aliados elevam tensão dentro do grupo de Allyson
As críticas que o ex-deputado estadual Kelps Lima (União) tem feito a membros do seu próprio grupo político — casos dos deputados federais João Maia (PP), Benes Leocádio (União) e, mais recentemente, Robinson Faria (PP) — têm ecoado na pré-campanha de Allyson Bezerra (União) ao governo. Por conta disso, Kelps avisou que pode baixar o tom da artilharia caso perceba que possa prejudicar o aliado Allyson.
O União Brasil e o Progressistas estão juntos em uma mesma federação — por isso, os dois partidos terão nominata comum para as eleições de 2026. O espaço é disputado, mas a convergência está no apoio ao ex-prefeito de Mossoró para o Executivo.
O último alvo de Kelps foi Robinson, a quem classificou como o “pior governador dos últimos 40 anos” em passagem pelo Oeste potiguar, no último fim de semana.
“É preciso dizer à população do Rio Grande do Norte que eu concorro com o pior governador dos últimos 40 anos aqui. Aqui deve tá cheio de gente que ficou com parente com salário atrasado do governo Robinson”, disparou.
Lima prosseguiu, e afirmou que “essas verdades precisam ser ditas”.
“Porque senão vão pensar que eu sou igual a ele. E eu não sou igual a Robinson Faria. Eu sou muito diferente e fui líder da oposição no governo desastrado de Robinson”, disse.
Adversário de Allyson na campanha ao governo, Cadu Xavier (PT) aproveitou as declarações para repercutir as críticas em suas redes sociais.
“Esse vídeo diz muito sobre o que é a política pra gente, do time de Lula, e o que é a política pro palanque do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. No nosso palanque, a gente faz política pensando no povo e não em projetos pessoais”, afirmou.
Dias antes, Kelps também fez críticas públicas aos deputados federais Robinson Faria (PP), João Maia (PP) e Benes Leocádio (União), que são pré-candidatos à reeleição e também integram a base de apoio de Allyson Bezerra.
“Nessa pré-campanha e na campanha, meus adversários serão Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio, três deputados federais e um deles vai ter que sair para a gente poder entrar”, declarou anteriormente.
Nesta quarta-feira (24), em Mossoró, ele admitiu que pode recuar nas falas públicas para não causar atritos dentro do mesmo grupo.
“Allyson é meu amigo, meu irmão. Eu acredito no projeto dele. Não há chances de eu fazer um movimento para prejudicar Allyson. Se for preciso eu baixar as críticas contra os deputados para não respingar em Allyson, eu baixo”, disse, em entrevista ao programa Meio Dia TCM, da 95 FM.
Allyson minimiza
Allyson Bezerra buscou minimizar os conflitos dentro do seu próprio grupo e afirmou ser normal existir casos de tensão.
“Na verdade, a nominata da federação é extremamente robusta, forte. Vai fazer três deputados federais. É normal existir uma ou outra animosidade”, disse ele, em entrevista ao programa Comando 97, da rádio 97 FM.
O governadorável também lembrou casos de conflitos dentro do Partido Liberal, partido de seu outro adversário, Álvaro Dias.
“Outro dia mesmo, no PL, a gente viu um arranca-rabo de candidatas brigando em entrevistas. Isso pode acontecer na nominata do PL, na nominata da federação do PT e na federação do União Brasil”, afirmou.
Ele se referiu às acusações feitas em abril pela deputada federal Carla Dickson, que falou que a máquina da Prefeitura de Natal estaria “moendo com força” em favor da pré-candidatura de Nina Souza, ex-secretária e esposa do prefeito da cidade, Paulinho Freire (União).
“Nós temos aí Girão com mandato, nós temos Sargento Gonçalves com mandato, tem eu com mandato, que sou a menor de todas. Tem a máquina de Natal com Nina, que já tá moendo com força, e pessoas sendo faladas, ‘é para votar em Nina, tá?’”, disse a parlamentar.
Saiba Mais: Acusações entre Carla e Nina expõem “fogo amigo” na direita do RN
A reação veio rápida. Em seu pronunciamento, Nina Souza subiu o tom e classificou as declarações como “levianas”, “irresponsáveis” e “deliberadas”. A vereadora e ex-secretária municipal de Trabalho de Assistência Social (Semthas), desafiou a colega de partido a apresentar provas das acusações.
“Eu desafio a deputada Carla Dickson: mostre uma pessoa que a vereadora Nina e o prefeito Paulinho coagiram a votar em mim. Não vai encontrar”, declarou.
A vereadora disse que os apoios que vem recebendo são fruto do seu “nome limpo” e do “governo bom” que, segundo ela, vem sendo realizado pelo prefeito Paulinho Freire em Natal.
“Todo prefeito tem candidato ou não tem? Diga qual é o prefeito do Rio Grande do Norte que não tem candidato a deputado federal? Todos os prefeitos do Rio Grande do Norte têm candidato a deputado federal e, com certeza, vão pedir voto. Diga qual é a lei que impeça um prefeito pedir voto para um candidato dele? Agora, acusar de forma leviana, irresponsável e deliberada que a Prefeitura [de Natal] está usando a máquina para me beneficiar, é negar a minha história de vida, a minha força de trabalho e a minha legitimidade”, rebateu.