RN já RN já reúne 2 mil empresas em polo de moda autoral, artesanal e criativa
Da costura ao artesanato, da criação autoral à comercialização, a cadeia produtiva da moda no Rio Grande do Norte reúne cerca de 2 mil empresas e envolve mais de 20 mil pessoas. Apesar da relevância econômica, empreendedores do setor ainda enfrentam dificuldades para ampliar mercados, inovar e transformar identidade cultural em vantagem competitiva.
Foi a partir desse diagnóstico que instituições públicas, entidades de apoio empresarial, artesãos, estilistas e representantes da indústria se reuniram nos dias 1º e 2 de julho, em Caicó, para discutir a reestruturação do Polo da Moda do Rio Grande do Norte. O encontro ocorreu no IFRN Campus Caicó e teve como objetivo construir um planejamento estratégico para fortalecer o setor e definir ações prioritárias para os próximos anos.
Segundo Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN, em entrevista à Agência Saiba Mais, a reformulação acontece em um momento de mudança na própria concepção da Rota da Moda, iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
“Nos anos anteriores, o trabalho era mais voltado para o fortalecimento das oficinas de costura. Agora, ao identificar o potencial criativo do estado, a proposta passou a incorporar outros elos da cadeia produtiva, incluindo a moda autoral, artesanal e criativa”, explica.
A mudança amplia o olhar sobre um setor que vai além da produção de peças e envolve designers, artesãos, bordadeiras, costureiras, pequenos empreendedores e marcas que buscam se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo.
Para Verônica, um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos negócios da moda potiguar está justamente na capacidade de agregar valor ao que é produzido.
“Além do desafio de produzir, os empreendedores precisam vender mais, inovar e se destacar. Também é fundamental investir em gestão, qualificação e construção de marca para crescer de forma sustentável”, afirma.
A oficina realizada em Caicó marcou o início de um processo de reorganização do Polo da Moda, com a definição de uma área de atuação, elaboração de projetos estratégicos e criação de um comitê gestor responsável por acompanhar as ações futuras.
A expectativa é que a articulação resulte em mais oportunidades de capacitação, inovação e acesso a mercados para quem trabalha no setor.
“A ideia é que os empreendedores estejam mais conectados e organizados. Quanto maior essa integração, maiores são as chances de ampliar os negócios e conquistar novos clientes”, avalia a gestora.
Seridó como vitrine da moda potiguar
A escolha de Caicó para sediar o encontro não foi por acaso. O Seridó é apontado pelos participantes como uma das regiões mais estratégicas para o desenvolvimento da moda no estado. De acordo com Verônica Melo, o principal diferencial da moda produzida no Rio Grande do Norte está na capacidade de transformar referências culturais em produtos com identidade própria:
“O diferencial competitivo da moda potiguar está em transformar identidade cultural em produtos com valor agregado. E o Seridó reúne tradição, mão de obra qualificada e uma cultura empreendedora muito forte”, destaca.
A região concentra experiências ligadas ao bordado, ao artesanato têxtil e à produção de moda autoral, além de contar com instituições de ensino, associações e cooperativas que atuam na formação e no fortalecimento do setor.
Durante a programação, a estilista e geógrafa Georgia Dantas apresentou reflexões sobre o potencial da moda autoral e artesanal potiguar. Já a professora Layla Mendes, do curso de Moda do IFRN Caicó, discutiu possibilidades de inovação e design aplicadas à cadeia produtiva.
A reestruturação do Polo da Moda integra a estratégia nacional da Rota da Moda, vinculada às Rotas de Integração Nacional. O programa faz parte da Política Nacional de Desenvolvimento Regional e busca estimular atividades econômicas capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento nos territórios.
Nesse contexto, a moda é tratada como uma das cadeias produtivas prioritárias pelo governo federal, ao lado de setores como leite, pescado, economia circular e tecnologia da informação.
Para os participantes, o fortalecimento do Polo da Moda pode ampliar oportunidades econômicas em diferentes regiões do Rio Grande do Norte, especialmente em municípios onde a atividade já possui tradição produtiva.
“Quando o setor se fortalece, mais empresas crescem, novos negócios surgem e isso se reflete diretamente na geração de emprego e renda”, afirma Verônica.
Ao final da oficina, os participantes construíram uma carteira inicial de projetos e definiram a composição de um comitê gestor que deverá acompanhar a implementação das ações. A expectativa é que as medidas ajudem a consolidar uma atuação integrada entre indústria, artesanato, moda autoral e pequenos negócios, ampliando a presença da produção potiguar nos mercados nacional e internacional.
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