Cortes no IBGE devem prejudicar censo das pequenas cidades, alerta especialista
Natal, RN 13 de abr 2024

Cortes no IBGE devem prejudicar censo das pequenas cidades, alerta especialista

29 de maio de 2019
Cortes no IBGE devem prejudicar censo das pequenas cidades, alerta especialista

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Importante instrumento para a criação de políticas públicas nas áreas da saúde, previdência social e educação, entre outras, o Censo de 2020 vai sofrer com cortes de 25% e com a diminuição no número de questões. Na noite desta terça-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística anunciou as alterações na mais completa pesquisa demográfica nacional.

A pesquisa, importante para responder as perguntas: quantos somos? como somos? onde vivemos? e como vivemos? vai ser aplicada em cerca de 71 milhões de domicílios, tendo nove perguntas a menos no questionário básico e 26 no questionário completo, destinado a uma mostra de 10% das casas.

O IBGE, apesar de reconhecer que as mudanças têm relação com os cortes de 1/4 do investimento no Censo, afirma que a diminuição de questões segue uma tendência internacional e visa a operação mais simples e ágil.

"O mundo inteiro está caminhando para uma otimização da operação censitária", disse a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra. Segundo ela, preocupações com a hipertrofia do Censo já vinham sendo manifestadas há alguns anos por entidades representativas de demográficos e estatísticos.

Porém, o demógrafo potiguar Flávio Freire diz que há diferença entre a base dados do Brasil e os demais países:

Os países que diminuem ou diminuíram o questionário do censo, em geral, têm bases de dados de registros administrativos, ou de pesquisas amostrais sistemáticas que complementam as informações não coletadas no censo”, ressaltou o especialista, que também disse que “não temos pesquisas amostrais que cumpram essa função. A PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, de fato faz perguntas sócio-econômicas e demográficas importantes, mas tem um desenho amostral que não consegue fornecer respostas e indicadores para o nível municipal”, afirmou.

O especialista compara os gastos com de Brasil e EUA com o Censo. Segundo ele, mesmo bem menor, o questionário dos americanos custa mais caro quando dividido para o número da população:

O censo brasileiro não é um censo considerado caro. A estimativa inicial do IBGE era gastar R$ 3,1 bilhões com o censo 2020. Segundo as estimativas populacionais, isso equivaleria a um gasto de por volta de R$ 15,00 por habitante. Se o orçamento for o proposto pelo governo, de 2,3 bilhões de reais, o censo 2020 custará algo em torno de R$ 11,00 por habitante. O Censo americano é estimado em 190 reais por habitante, e tem um questionário de apenas 10 perguntas”, comparou.

O demógrafo tem trabalhos nas áreas de demografia espacial e projeções populacionais e mostra-se preocupado com o futuro, principalmente nas pequenas cidades:

Perde-se muito, sobretudo no nível municipal. A única base de dados mais abrangente com informações sócio-econômicas municipais no Brasil, é o Censo”, disse.

Corte no censo será de R$ 800 milhões

A presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, explica as mudanças no Censo 2020.

O Censo brasileiro é realizado a cada 10 anos e é a única pesquisa domiciliar que vai a todos os 5.570 municípios do país. Seu objetivo é medir densidade populacional e oferecer um retrato da população brasileira. As informações obtidas subsidiam a elaboração de políticas públicas e decisões dos governos relacionadas com a alocação de recursos financeiros. Para 2020, o IBGE pretende mobilizar até 190 mil recenseadores. Já está previsto para o final de setembro desse ano o censo experimental em Poços de Caldas (MG), uma espécie de ensaio geral.

O orçamento estimado inicialmente para a operação censitária de 2020 foi de aproximadamente R$3,1 bilhões, mas o IBGE trabalha atualmente com uma redução de 25%. A meta é investir em torno de R$2,3 bilhões. Susana afirmou estar consciente de que não haverá condições de destinar ao Censo o que foi previsto originalmente, uma vez que há um contexto de restrição fiscal e econômica do Brasil que atinge não apenas o IBGE, mas todos os órgãos do governo.

Ao mesmo tempo, ela negou ter recebido qualquer orientação do governo federal para reduzir os questionários.

"Nunca houve uma ordem para diminuir o número de perguntas. O IBGE é um órgão de Estado. Eu aceitei assumir a presidência com a condição de ser técnica e de gerir um órgão de Estado. A única coisa que houve foi um quadro de restrição orçamentária. Mas o IBGE tem total autonomia e independência para decidir como vai se adequar a esse contexto. E mesmo sem a restrição orçamentária, nós estaríamos tomando as mesmas decisões que estamos tomando nesse momento", disse Susana. De acordo com ela, o IBGE vem fazendo ajustes relacionados à sua folha de pagamento, ao número de equipamentos, aos treinamentos e aos métodos de supervisão, avaliação e coleta.

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