Aposto que você torceu contra, né, Alice?
Natal, RN 21 de jun 2024

Aposto que você torceu contra, né, Alice?

26 de março de 2020
Aposto que você torceu contra, né, Alice?

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Uma tirinha circula na internet, nela um casal observa um burro vendado a servir café em uma mesa. Obviamente, não tinha como dar certo. Ao se deparar com a cena, o homem olha para a mulher e diz: “Aposto que você torceu contra, né, Alice?”. Impossível acreditar que no momento de crise que vivemos, será este governo incompetente e improvisado que vai entregar uma solução que faça com que os brasileiros, amedrontados pelo Coronavírus, consigam se acalmar.

A verdade é que temos o pior governo possível num momento crítico da nossa história. Uma liderança vazia, sem espírito público e sem noção de prioridade. Somos governados pelo desequilíbrio beligerante de um senhor que se preocupa mais em ser o “dono da bola” do que como tranquilizar seus governados. Isso nem de longe é torcer contra, é abrir os olhos e enxergar o que está bem à nossa frente.

No último mês, a personalidade egoísta do presidente ficou evidente em vários momentos. Desde quando tínhamos apenas dois casos confirmados no Brasil, e ele posava como um humorista bufão na porta do Palácio da Alvorada, minimizando os riscos. Até o simbólico ato de sair às ruas para cumprimentar brasileiros em uma manifestação fascista, mesmo após ter contato com vários infectados. Uma aglomeração que sequer deveria ter existido, mas foi convocada e defendida pelo presidente, ampliando os riscos de contaminação no país.

Tanto tempo perdido pela arrogância de Bolsonaro vai custar muitas vidas brasileiras. O planejamento faz toda a diferença, é só olhar para o exemplo da Alemanha. Três semanas antes do primeiro caso ser confirmado no país, já existia um comitê de crise para o problema. Hoje, no epicentro da epidemia, o país europeu registra uma das menores taxas de mortalidade e um número controlado de casos. Aqui, sem articulação e por pura ignorância, o governo demorou a tomar medidas óbvias para ampliar o isolamento social e ainda bateu cabeça com os governadores que, dado o apagão do governo federal, agiram da maneira possível para proteger a população.

Entre uma cotovelada e outra, Bolsonaro tratou a Covid-19 como “uma gripezinha”, mesmo a doença já tendo deixado mais de 18.000 mortos no mundo. Líderes globais anunciam a anistia de contas, o estabelecimento de renda mínima para trabalhadores mais pobres e a criação de linhas de créditos para pequenos negócios, enquanto aqui ainda imperam a desorganização e a falta de senso. Obstinado em encontrar maneiras de piorar o cenário de calamidade que vivemos, Bolsonaro queria suspender, sem pagamento de salários, contratos de trabalho por até quatro meses e ainda incentivou que os brasileiros descumpram as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

A população já demonstra impaciência com a postura errática do presidente. Ignorando sua insanidade, está cumprindo a quarentena. Panelas ruidosas batem todos os dias nas principais cidades do país e já não dá para dizer que os panelaços são apenas da esquerda, pois a adesão foi grande nos setores de classe média que votaram em Bolsonaro, mas já largaram mão do seu governo.

Diante de reiterados crimes de responsabilidade, a oposição tomou a iniciativa e, finalmente, protocolou pedido de impeachment. O fez na hora certa, tomando uma atitude antes que “Nero acenda a fogueira”. Aos dirigentes de esquerda que criticam esse ato, resta perguntar quando acreditam que seria o melhor momento para o pedido? Quando as UTI´s estiverem lotadas e nossos médicos precisarem escolher quem vai respirar e quem vai morrer? Chegamos ao limite. Definitivamente, não se trata de torcer contra. É só a mais pura constatação: um burro vendado nunca vai conseguir servir café.

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