ENTREVISTA

Com democracia em disputa, Lula deve se beneficiar com “voto útil” e responsabilidade com contas públicas reelege Fátima, avaliam comentaristas

Na reta final do primeiro turno das eleições, o programa Balbúrdia desta segunda-feira (26) recebeu o historiador, professor e escritor Pablo Capistrano e o jornalista Cefas Carvalho para um bate-papo sobre os últimos dias da campanha. Com as últimas pesquisas apontando a liderança isolada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a iminente derrota do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), os convidados refletiram sobre a campanha atual em prol do chamado “voto útil”. Carvalho criticou especialmente as resistências de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

“Eu acho lícita, normal dentro da democracia, e tenho dificuldade em entender essa resistência de Ciro e Tebet de condenarem o voto útil. O voto útil sempre existiu. O próprio Ciro já defendeu em eleições passadas. O partido da Simone Tebet, o MDB, também já defendeu o voto útil. Ciro e Tebet estão fazendo figuração, não têm nenhuma chance de ir para o segundo turno”, afirmou. “Desde o começo essa eleição está totalmente polarizada entre Lula e Bolsonaro, que representam formas diferentes de ver a vida e projetos totalmente diferentes”, completou.

Para o jornalista, a migração para o petista é natural durante a última semana. “Não precisa nem o PT e Lula fazerem uma campanha pelo voto útil. O voto útil vai migrar naturalmente para Lula, vide artistas como Tico Santa Cruz e Caetano Veloso, que são eleitores históricos de Ciro, explicitamente criticaram a postura de Ciro e declararam voto em Lula”. 

Segundo Pablo Capistrano, a eleição atual não é como as outras. “A gente não está passando por uma eleição normal, discutindo candidatos que jogam dentro dos critérios democráticos e que iria garantir uma alternância de poder. A gente está discutindo nesta eleição a possibilidade da manutenção desse jogo democrático que foi instituído no Brasil desde o fim da ditadura militar”, disse. De acordo com o historiador, a intenção de Bolsonaro é “corromper essa estrutura democrática e destruir as instituições que garantem essa mesma estrutura funcionando”.

Há quatro anos, o próprio presidente e outros eleitos surfaram na campanha como “novidades”. De acordo com Cefas, as eleições de outsiders estão chegando ao fim. “O eleitor parece estar cansado do modelo outsider, que foi o grande vencedor em 2018. Bolsonaro não é um outsider, mas se vendeu como um.”, disse.

De acordo com Capistrano, os governantes enfrentaram um desgaste econômico e sanitário com a pandemia, mas a realidade sob o governo Bolsonaro foi ainda mais cruel. “A realidade se manifestou de uma maneira muito brutal nesses últimos anos, principalmente durante o período Bolsonaro. O real, com suas demandas, exigem de um presidente capacidade de gerenciar, de fazer política”, pontuou. “E isso desgasta esse discurso abstrato que é uma mistura de corrupção, questões sexuais. Quem investe nesse discurso vai sofrer as consequências nesta eleição”, vaticinou. 

Governo estadual

Na esfera estadual, Cefas Carvalho acredita que Fátima Bezerra (PT) fez uma boa administração e deve ser reeleita. “Fátima conseguiu efetivamente resolver problemas. Tem aqueles problemas que são federalizados que você não tem como resolver. Um governo estadual não tem como baixar o preço do feijão, do frango, e o eleitor tem consciência disso”, alertou. “Mas, estadualmente, o que Fátima podia fazer, ela fez, com todas as limitações”, afirmou. Para ele, um mérito do governo petista foi pagar as folhas salariais atrasadas deixadas pela gestão Robinson Faria. 

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