Novo vereador do PT em Natal, Daniel Valença promete oposição a Álvaro Dias e comenta possível candidatura de Natália à Prefeitura
Natal, RN 1 de mar 2024

Novo vereador do PT em Natal, Daniel Valença promete oposição a Álvaro Dias e comenta possível candidatura de Natália à Prefeitura

31 de janeiro de 2023
6min
Novo vereador do PT em Natal, Daniel Valença promete oposição a Álvaro Dias e comenta possível candidatura de Natália à Prefeitura

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O petista Daniel Valença assumiu o cargo de vereador de Natal nesta segunda (30), após renúncia de Divaneide (PT), que assumirá o mandato de deputada estadual. O novo parlamentar, de 40 anos, diz que dará atenção especial à mobilidade urbana - em um momento em que a Prefeitura de Natal volta a discutir o aumento da tarifa de ônibus - e às consequências do Plano Diretor. Também vê com bons olhos uma possível candidatura da deputada federal Natália Bonavides, sua aliada, à Prefeitura da capital em 2024.

Para o vereador, vice-presidente estadual do PT, o mandato será de “defesa firme dos interesses da classe trabalhadora”.

“Estamos nos referindo ao funcionalismo público municipal, mas também a trabalhadores informais, trabalhadores da praia, população em situação de rua, trabalhadoras e trabalhadores que se utilizam de políticas públicas. E a gente tem alguns temas que serão mais fortes esse ano. Um tema é do transporte, porque há discussão sobre as licitações, retirada de linhas, a questão do reajuste de passagem”, elenca.

Outro foco do petista será em relação à questão urbana, depois da aprovação do Plano Diretor em 2022 pela Prefeitura.

“Aconteceu bastante ataque ao direito à cidade, ao direito à moradia. Mas há uma série de regulamentações que ainda estão por vir e a gente tem seguido isso”, pontua.

Álvaro Dias

Na Câmara, Valença deve seguir no bloco de oposição à Prefeitura, comandada por Álvaro Dias (PSDB). 

“Nossa relação com a Prefeitura será de oposição, então votaremos a favor em se referindo a projetos de lei que realmente tragam um benefício para as maiorias. Mas o conjunto da obra da Prefeitura de Álvaro Dias é ruim. É a prefeitura que fez a revisão do Plano Diretor para atender a especulação imobiliária e atacou uma série de instrumentos importantes que o nosso Plano previa”, critica.

“O mesmo a gente pode dizer em relação ao veto do reajuste anual dos trabalhadores da educação, o veto ao plano de cargos, carreiras e salários dos trabalhadores do SUS. Então quando você vê o conjunto da gestão é muito ruim, e ao mesmo tempo se volta aos interesses das minorias empresariais, portanto nós seremos necessariamente oposição”, afirma.

Valença também faz ressalvas a compor com a atual Mesa Diretora da Casa, hoje presidida por Eriko Jácome (MDB) após a renúncia do então presidente Paulinho Freire (UNIÃO). A companheira de partido, Brisa Bracchi (PT), é a 3ª vice-presidente, mas Daniel diz que buscará construir um bloco de oposição de esquerda.

“A Câmara é um espaço para, primeiro, fazer proposições legislativas, que nós já estamos preparando. Mas o Parlamento é um lugar de fiscalização, de mobilização, um lugar de disputar ideias, de defender as nossas ideias e aproveitar a Tribuna e o Parlamento para massificá-las. Então a nossa posição não será uma posição de composição com a situação. A nossa posição está em tentar contribuir para articular e organizar o bloco de oposição, o bloco de esquerda, dentro do Legislativo”, afirma.

Força do PT

No Rio Grande do Norte, o PT entra em 2023 com dois deputados federais em Brasília. Ao lado da reeleita Natália Bonavides, se soma Fernando Mineiro. Já na Assembleia Legislativa, Isolda Dantas e Francisco do PT recebem a companhia de Divaneide Basílio. Na esfera nacional, o PT ainda voltou à presidência no terceiro mandato de Lula. Para o vereador, que até então atuava como professor de Direito na Ufersa, 2022 marcou o “retorno muito forte” da sigla.

“Isso tem a ver com a força do presidente Lula, mas tem a ver também com o PT ser o maior instrumento que a classe trabalhadora brasileira já construiu, não é a toa que são mais de 40 anos, muitos ataques, erros também que aconteceram em nossas gestões municipais, estaduais, nacionais, mas é um partido que tem aí ao redor de 30% de aprovação popular, estando disparado em termos de apoio popular em relação aos demais partidos. Então mostra a força do instrumento partidário e eu acho que isso deverá se refletir também nas eleições de 2024”, observa.

Eleições 2024

Para a próxima eleição municipal, o PT tem Natália e Divaneide como nomes fortes para disputar a prefeitura de Natal, com a deputada federal sendo a favorita.

“Eu acho que nós teremos grandes chances de termos uma vitória para o Executivo em 2024 e ampliar nossa bancada”, acredita Daniel. 

Na última eleição, a primeira contagem apontava o PT com três vereadores, incluindo Valença eleito, mas após uma retotalização dos votos, a vaga foi para Luciano Nascimento, do PTB.

“Me parece que se confirmando esse quadro de Natália ser candidata a prefeita, que é algo que é uma construção, algo que não está dado, não está posto, nós vamos sem dúvida alguma ter muita força na disputa do Executivo e com certeza nós teremos um avanço em termos de cadeiras no Legislativo. Eu acho que dá para pensar em dobrar a bancada, sair para um outro patamar”, torce.

Dentro do PT, Daniel e Natália compõem o mesmo grupo político, em um setor localizado mais à esquerda das direções nacional e local. De acordo com o parlamentar, a discussão sobre tática para 2024 ainda não foi feita dentro da sigla, mas Valença defende uma frente de esquerda para a disputa.

“A gente agora tem que se dedicar a garantir o sucesso do governo Lula, do governo Fátima, e aprofundar dentro do partido as discussões sobre a tática para 2024 que inclui qual é o nome candidato para o Executivo, quais vão ser as alianças, se serão mais amplas, se serão mais restritas”, explica.

“Nós, por exemplo, defendemos que se forme uma frente de esquerda, mas é algo muito incipiente. A gente acha que há um cenário interessante, há uma avenida aberta em que uma eventual candidatura da companheira Natália viria com muita força, mas isso não está aprovado em nenhuma instância partidária e não houve ainda o debate em instância partidária sobre qual a tática para 2024”, pontua.

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