Greve UFRN: Adurn decide por plebiscito sem fazer assembleia antes
Natal, RN 19 de jun 2024

Greve UFRN: Adurn decide por plebiscito sem fazer assembleia antes

29 de maio de 2024
5min
Greve UFRN: Adurn decide por plebiscito sem fazer assembleia antes
Ato Público com Debate em Defesa da Educação promovido pelo ADURN-Sindicato na última segunda, 27 | Foto: Jana Sá

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O Conselho de Representantes do ADURN-Sindicato, que representa os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), se reuniu de forma remota nesta terça-feira, 28, para avaliar a situação da greve dos docentes da instituição. O Conselho decidiu pela realização de um plebiscito para consultar a categoria acerca da manutenção ou não da greve por tempo indeterminado, sem antes convocar assembleia para uma maior discussão da pauta.

Ao final da reunião, o Conselho deliberou, por 8 votos a 7, pela realização do plebiscito, que vai das 12h desta quarta-feira, 29, às 18h da sexta-feira, 31. De acordo com nota do ADURN-Sindicato, a decisão do Conselho ter se reunido para deliberar sobre o movimento grevista vem após a assinatura do Termo de Acordo com o governo, que foi assinado pela Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) e questionado pelos professores da UFRN.

A reportagem entrou em contato com o ADURN para esclarecimento sobre o motivo da decisão de enviar o plebiscito sem antes debater com a categoria, principalmente levando em consideração que os docentes estão demonstrando insatisfação com o posicionamento do Proifes e querendo uma discussão mais ampla sobre o movimento grevista e a desfiliação à Federação. No entanto, o esclarecimento não foi dado. O Sindicato apenas informou que foi uma deliberação do Conselho de Representantes e a Agência Saiba Mais apenas teve acesso à nota lançada pelo Sindicato.

Em greve há cerca de 50 dias, a categoria docente rejeitou o acordo assinado pelo Proifes na maioria das 59 Universidades que estão com as atividades paradas no país. No Rio Grande do Norte, os professores da UFRN não aceitaram a última proposta apresentada pelo governo federal, que mantém 0% de reajuste para 2024. Dos 1.826 docentes que votaram em plebiscito, entre os dias 22 e 23 de maio, 969 (57,3%) foram contra a proposta e 828 (45,34%), se posicionaram a favor. Se abstiveram na votação 29 (1,59%) participantes.

Saiba mais - Proifes assina acordo com governo; docentes da UFRN questionam

Em comunicado, o Proifes informou que o Conselho Deliberativo da entidade, composto por 34 delegados, avaliou os resultados das consultas, reuniões e assembleias gerais realizadas nos 11 sindicatos federados, entre eles o ADURN-Sindicato, onde a maioria de sete haviam se posicionado a favor da assinatura do acordo (a informação de quais entidades aceitaram não foi divulgada).

Professores da UFRN pedem desfiliação do Proifes

Diante da insatisfação de parte dos docentes da UFRN com o Proifes, a categoria está se mobilizando em um abaixo-assinado pela desfiliação da Federação. 

“Considerando o artigo 9º, parágrafo III do ESTATUTO DA ADURN, e o fato de que a PROIFES desrespeitou a decisão majoritária da categoria, nós, docentes da UFRN, solicitamos que a direção da ADURN inclua como ponto de pauta da próxima assembleia a DESFILIAÇÃO DA PROIFES, assumindo a condição de sindicato independente”, afirma o documento, disponível aqui.

O presidente do Adurn, Oswaldo Negrão, informou aos conselheiros e conselheiras que tomou ciência, no final da tarde de quarta, 28, do abaixo-assinado solicitando a inclusão na pauta da próxima assembleia geral extraordinária o debate sobre a desfiliação da entidade ao Proifes.

“Recebi o documento e encaminharei à diretoria para que possamos analisá-lo e discuti-lo. Nossa gestão tem se pautado pelos aspectos democráticos, ouvindo a todos e a todas, e não vamos nos furtar de debater mais essa questão com a categoria”, afirmou Negrão.  

Ainda sobre o abaixo-assinado, o Conselho de Representantes sugeriu a formulação de um calendário para que sejam feitas discussões com essa pauta. A agenda deve ser discutida nos próximos dias, afirmou o Adurn.

Proposta

No dia 15, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) apresentou o que chamou de proposta final. O governo ofereceu aumentos salariais de 13,3% a 31% até 2026, com os reajustes começando em 2025. As categorias com menores salários receberão os maiores aumentos, enquanto aquelas com salários mais altos terão reajustes menores.

Com o aumento linear de 9% concedido ao funcionalismo federal em 2023, o aumento total ficará entre 23% e 43% no acumulado de quatro anos, segundo o MGI. A pasta destacou que o governo melhorou a oferta em todos os cenários e que os professores terão aumentos superiores à inflação estimada em 15% entre 2023 e 2026.

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