O ensino médio da rede pública do Rio Grande do Norte vem apresentando sinais consistentes de melhora nos principais indicadores de permanência e trajetória escolar. Dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam uma queda expressiva nas taxas de abandono, reprovação e distorção idade-série entre 2022 e 2025, indicando que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola e avançar regularmente nos estudos.
O indicador que mais chamou atenção foi o abandono escolar. Em três anos, a taxa caiu de 11,3% para 3,1% na rede pública estadual. A reprovação também apresentou recuo significativo, passando de 15,6% para 3,6%. Já a distorção idade-série, que mede o percentual de alunos com atraso em relação à etapa adequada de ensino, diminuiu de 42,1% para 34,2%.
Os resultados colocam o estado em sintonia com um movimento observado em todo o país. No mesmo período, a rede pública brasileira registrou redução de 62% nas taxas de reprovação e de 61% no abandono escolar do ensino médio. A distorção idade-série também encolheu 28%, enquanto a aprovação avançou 11%, segundo dados do Ministério da Educação.
A nova divulgação do Censo Escolar reforça uma trajetória de recuperação iniciada após os impactos mais severos da pandemia e consolidada a partir de 2023. Para o MEC, a melhora dos indicadores está associada à ampliação de políticas voltadas à educação básica, entre elas o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Programa Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e iniciativas relacionadas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Entre as ações destacadas pelo governo federal está também o programa Pé-de-Meia, criado em 2024 para estimular a permanência dos estudantes no ensino médio por meio de incentivos financeiros. Desde sua implantação, 151.094 alunos do Rio Grande do Norte foram contemplados. As mulheres representam 51,9% desse total, enquanto os homens correspondem a 48,1%.
A melhora não se restringe aos índices de evasão e repetência. O Ministério da Educação aponta que o número de concluintes da rede pública inscritos no Enem cresceu 46% entre 2022 e 2025, ampliando a participação desses jovens no principal exame de acesso ao ensino superior do país.
Outro dado divulgado pela primeira vez pelo Inep também ajuda a dimensionar a permanência dos estudantes na escola. A chamada taxa de não retorno, que mede quantos alunos deixam de se matricular no ano seguinte, apresentou queda de 28% entre 2022 e 2025. O resultado sugere que mais jovens estão conseguindo dar continuidade aos estudos e concluir a etapa final da educação básica.
Os números dialogam com os resultados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, a taxa ajustada de frequência escolar líquida entre jovens passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2016.
Como reflexo desse avanço, diminuiu também o contingente de adolescentes de 15 a 17 anos que estavam fora do ensino médio. O percentual caiu de 23,2% para 19,4% entre 2024 e 2025, uma redução de 16,3% em apenas um ano. O resultado supera o ritmo observado entre 2019 e 2022, quando o índice recuou de 28,6% para 24,7%, uma queda de 13% ao longo de quatro anos. O cenário reforça a tendência de ampliação do acesso e da permanência dos jovens na educação básica, um dos principais desafios históricos do sistema educacional brasileiro.
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