Oficina vai mapear impactos eólicos em territórios tradicionais do RN
Natal, RN 25 de jun 2024

Oficina vai mapear impactos eólicos em territórios tradicionais do RN

4 de junho de 2024
4min
Oficina vai mapear impactos eólicos em territórios tradicionais do RN
Demanda surgiu das próprias comunidades tradicionais. Foto: Seridó Vivo

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Entender melhor como a energia eólica tem impactado territórios de comunidades tradicionais no Rio Grande do Norte. Esse é o objetivo da Oficina Nova Cartografia Social: Mapeamento dos impactos eólicos em territórios tradicionais no RN. A atividade acontece nos próximos dias 14 e 15, na comunidade quilombola de Coqueiros, em Ceará-Mirim.

A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Rita Neves, coordena, dentro do grupo de pesquisa Etnologia, Tradição, Ambiente e Pesca Artesanal (ETAPA), o projeto Nova Cartografia Social, que está organizando a oficina. Ela explica que a ideia do mapeamento surgiu e foi apresentada a partir de uma demanda das próprias comunidades tradicionais que já têm uma relação mais próxima com o projeto. A oficina contará com cerca de 30 representações de comunidades tradicionais do RN.

“Os mapas são construídos por essas pessoas das comunidades tradicionais, a partir de uma demanda delas, colocando as tensões e os problemas que essas energias renováveis estão causando nos territórios onde essas pessoas moram”, explica.

O projeto quer produzir um boletim informativo sobre os impactos socioambientais dos grandes empreendimentos eólicos, como continuidade do diálogo com as comunidades afetadas pela rápida expansão das energias renováveis no estado potiguar. A ideia, informou a antropóloga, é que o boletim saia em agosto deste ano.

“A ideia é fazer um mapa desses impactos e a produção de um boletim, onde tenha esses mapas, construídos por essas pessoas [das comunidades], e também os dilemas, questões e problemas desses empreendimentos nas comunidades onde essas pessoas estão morando. O boletim vai constar as falas das pessoas, dados e documentos técnicos que estamos coletando, informações de jornais sobre os empreendimentos e, principalmente, da fala das pessoas [das comunidades], além dos mapas”, complementa Neves.

Após a oficina, existe ainda a possibilidade de visita nas comunidades, ressalta Neves.

“Para a gente tentar mapear exatamente, com GPS, onde é que essas instalações estão e qual é o impacto disso”, ressalta.

Buscando um detalhamento e maior aprofundamento, o mapeamento e o boletim que vai tratar dos impactos ambientais dos empreendimentos eólicos no RN será produzido por comunidades tradicionais que possuem uma relação próxima de pesquisa com o projeto Nova Cartografia Social. A ideia é, também, que uma vez finalizado, o boletim seja um instrumento nas pautas de reivindicação das comunidades tradicionais.

“Estamos querendo discutir o tema em profundidade – não em quantidade, mas em qualidade. Então, com 30 pessoas, a gente consegue ter um maior adensamento do tema. Não será um mapeamento de todos os impactos que esses empreendimentos causam nas comunidades tradicionais, mas é algo com o qual essas comunidades podem, inclusive, usar como instrumento nas suas pautas de reivindicação”, ressalta Neves.

Dúvidas podem ser retiradas pelo e-mail do projeto, [email protected] ou via Instagram, em @cartografiasocialrn.

Projeto Nova Cartografia Social

Inicialmente sediado na Universidade Estadual do Amazonas (UEA), o projeto Nova Cartografia Social, com uma metodologia participativa, tem como objetivo a produção de mapas elaborados pelos segmentos sociais envolvidos.

“A base do projeto Nova Cartografia Social pretende levantar todos os tipos de problemas que assolam determinada área. Assim como também identificar as potencialidades locais”, explica a antropóloga Rita Neves.

De uns anos para cá, surgiu, a partir do projeto, uma rede de articulação no Nordeste – a Rede Nova Cartografia Social, na qual se inserem universidades públicas do Nordeste, inclusive o grupo de pesquisa ETAPA, da UFRN.

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