Praia de Areia Preta tem 92 vezes mais coliformes fecais que o aceitável
Natal, RN 25 de jun 2024

Praia de Areia Preta tem 92 vezes mais coliformes fecais que o aceitável

3 de junho de 2024
6min
Praia de Areia Preta tem 92 vezes mais coliformes fecais que o aceitável
Praia de Areia Preta | Foto: Cleuton-rosa-silva

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A praia de Areia Preta, na Zona Leste de Natal, continua imprópria para banho, um problema que já acontece há, pelo menos, mais de um ano. Segundo o boletim de balneabilidade das praias da região metropolitana, publicado na sexta-feira (31), na praia foram identificadas 92.000 mil coliformes fecais por amostra de 100 ml de água, na última semana da pesquisa. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) considera a água imprópria quando há uma quantidade superior a 2.500 coliformes fecais para cada 100 mL. O limite do aceitável é 1.000 coliformes fecais por l00 mililitros de água.

Os pesquisadores usam os resultados das últimas 5 semanas para avaliar a qualidade da água. E se caso dois ou mais desses resultados possuírem mais de mil coliformes fecais por 100 ml de água, a praia também é classificada como imprópria.

No último boletim do dia (24), a praia já era a mais comprometida do litoral potiguar, com 24.000 por cada 100 mL, no trecho da escadaria de Mãe Luiza, em dados coletados pelos pesquisadores do programa Água Azul, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). Uma semana depois, o Idema registrou um aumento de mais de 60.000 coliformes no mesmo trecho. 

Ainda segundo o boletim, mais praias do litoral da capital potiguar estão consideradas impróprias como a Redinha, Forte, Via Costeira e Ponta Negra, sendo a última um dos principais cartões postais da cidade. Confira o boletim com as praias de Natal:

Boletim de balneabilidade com áreas impróprias para banho em vermelho I Fonte: Idema

Confira o boletim completo aqui

No último dia (24), a Agência Saiba Mais denunciou que o trecho principal de Ponta Negra apresentava 16 mil coliformes para cada 100 mililitros (mL) de água. Uma semana depois, a poluição no trecho subiu para 35000. No caso das praias, os coliformes fecais estão associados à presença de fezes humanas e de animais. Mas, essas bactérias também podem ser encontradas em solos, plantas ou efluentes com matéria orgânica.

Areia Preta está poluída há mais de um ano

Segundo o Programa Água Azul, que verifica periodicamente os parâmetros de qualidade de água, as condições de balneabilidade da praia foram consideradas impróprias durante todo ano de 2023 e os três primeiros meses de 2024. Durante o mês de maio deste ano, apenas na segunda semana o mesmo trecho não registrou poluição, com o número de coliformes dobrando nas semanas seguintes.

A situação da praia entrou na justiça quando o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) cobrou da Prefeitura de Natal prazos para planos de diminuir a poluição da praia de Areia Preta, na Zona Leste de Natal. O órgão apontou que o plano de fiscalização da prefeitura para evitar ligações clandestinas de esgoto no sistema de drenagem do bairro de Mãe Luiza tem sido insuficiente e as “línguas negras” se intensificaram na área.

As línguas negras são manchas de esgoto que cobrem parte da praia, poluem o meio ambiente e deixam o mar impróprio para banho. | Foto: Reprodução MPRN

A prefeitura, por sua vez, se defendeu em nota alegando que a  secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por meio da fiscalização ambiental, realizou, em julho do ano passado, uma grande operação na bacia que contribui para a praia de Areia Preta, no bairro de Mãe Luíza, zona leste da cidade. A ação resultou de um cumprimento à Ordem Judicial n° 0825478-21.2016.8.20.5001. E Para isso, foram designados 19 servidores da secretaria, sendo 12 fiscais ambientais, cinco agentes socioambientais e dois motoristas. Ainda segundo a pasta, o trabalho teve como objetivo monitorar e combater as ligações clandestinas de efluentes domésticos na rede pública de drenagem no referido bairro.

A reportagem procurou a Semurb para saber como andam os processos de limpeza da praia, mas até a publicação desta matéria não teve retorno. Procurado pela reportagem, o Ministério Público do RN informou que vai checar como anda a cobrança do órgão ao executivo de Natal a respeito das “Línguas Negras” da praia.

Tipos

A classificação da balneabilidade das praias é realizada a partir da Resolução n.º 274/2000 do Conama.

Segundo o documento, a água é considerada excelente quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 250 coliformes fecais (termotolerantes) ou 200 Escherichia coli ou 25 enterococos por l00 mililitros.

Já é considerada muito boa quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 400 Escherichia coli ou 50 enterococos por 100 mililitros; e chega a ser satisfatória quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo 1.000 coliformes fecais (termotolerantes) ou 800 Escherichia coli ou 100 enterococos por 100 mililitros.

O Conselho considera a água imprópria quando, entre outros critérios, o valor obtido na última amostragem for superior a 2500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 2000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 mililitros.

CATEGORIA (qualidade da água)LIMITE DE COLIFORMES FECAIS
Excelente250 coliformes fecais (termotolerantes) por l00 mililitros (mL) de água
Muito Boa500 coliformes fecais por l00 mililitros (mL) de água
Satisfatória1.000 coliformes fecais por l00 mililitros (mL) de água
Imprópria2.500 coliformes fecais por l00 mililitros (mL) de água

Elaborada pelo autor I Fonte: Conama

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