Contra a poluição, comunidade realizou ato em prol de Areia Preta
Natal, RN 25 de jul 2024

Contra a poluição, comunidade realizou ato em prol de Areia Preta

8 de julho de 2024
5min
Contra a poluição, comunidade realizou ato em prol de Areia Preta
Foto: cedida

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Poluída e imprópria para banho há, pelo menos um ano, a Praia de Areia Preta, na Zona Leste de Natal, foi palco de um ato público neste domingo (7). O evento foi organizado pelo Conselho Comunitário de Mãe Luíza, entidades da Praia de Miami e Areia Preta, e a comunidade de Mãe Luíza, que, por anos, levaram a culpa pela poluição.

No último dia (3), foi descoberto que, na verdade, o condomínio de luxo Infinity Areia Preta era o responsável direto por jogar esgoto in natura na praia em frente a escadaria de Mãe Luiza. Além do Infinity, outros dois empreendimentos foram flagrados pela prefeitura de Natal despejando dejetos na praia, sendo eles o Motel Raru's Via Costeira e o Restaurante Muquecas.

Por isso, os moradores protestaram em frente ao condomínio, realizaram interdições no trânsito a cada 5 minutos, cobraram por ações concretas no combate e fiscalização da poluição da praia e pediram por mais investigações na origem dessa poluição. Em vídeos nas redes sociais, os moradores desabafam.

“É a hora que a gente tem que dar as mãos e ajudar Mãe Luiza. Se a gente não tiver ajudando, Mãe Luiza fica sempre com essa fama que eles colocaram. Agora a gente descobriu de onde vem essa língua preta poluindo nossa praia.”, relatou o líder comunitário Ezequiel.

As línguas negras são manchas de esgoto que cobrem parte da praia | foto: reprodução MPRN

A comunidade do Surf também esteve no ato, e segundo a categoria, várias etapas e competições do esporte deixaram de acontecer na praia por conta da poluição. “A gente tá aqui fazendo esse protesto em prol da nossa praia limpa, porque uma praia limpa é mais bonita.”, comentou o líder comunitário, Balaio do Surf.

Confira o vídeo:

Aline Waleska, moradora de Mãe Luiza e banhista ouvida pela Agência Saiba Mais, já tinha comentado que a poluição em Areia Preta é antiga e um problema diário. Desde que mora no bairro, Aline conta nos dedos as vezes que conseguiu tomar banho de mar no local. 

Desde que eu vim morar aqui, há 3 anos, essa praia tá assim. A gente não consegue tomar banho porque ela sempre tá imprópria. O que é triste, porque Areia Preta é bem perto de casa e a gente sempre tá caminhando por aqui. Conto nos dedos quando consegui aproveitar o mar”, desabafou.

foto: cedida

Entenda a situação: 

A contaminação da praia de Areia Preta vem de um esgoto irregular despejado pelo condomínio Infinity Areia Preta, em Areia Preta, na zona Leste potiguar, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb). A descoberta aconteceu na tarde do último dia (2) após uma vistoria de uma equipe técnica da pasta, junto do conselho comunitário de Mãe Luiza e um técnico da Companhia de Águas e Esgotos (Caern). Além do Infinity, outros dois empreendimentos foram flagrados despejando dejetos na praia,  o Raru's Motel Via Costeira e o restaurante Muquecas, 

O condomínio Infinity foi o caso mais alarmante de despejo, isso porque a pasta flagrou o empreendimento jogando esgoto in natura diretamente na drenagem. 

Os três imóveis foram autuados com multas gravíssimas, variando de R$10.414,15 a R$51.555,22 e tiveram o prazo de 72 horas para resolver o problema encontrado. Segundo a Semurb, caso não fosse resolvido, os fiscais retornariam ao local para tamponar as tubulações para cessar o lançamento dessas águas. 

Areia preta está imprópria para banho há mais de um ano

A Praia de Areia Preta está poluída há mais de um ano, isso porque, desde 2023 o trecho não apresenta pontos próprios para banho, quando a região foi considerada imprópria por 12 meses seguidos. Quem faz a medição da balneabilidade da praia é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema).

Os pesquisadores usam os resultados das últimas 5 semanas para avaliar a qualidade da água. E se caso dois ou mais desses resultados possuírem mais de mil coliformes fecais por 100 ml de água, a praia também é classificada como imprópria. No último dia (31) de maio, por exemplo, Areia Preta tinha 92 vezes mais coliformes fecais que que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aceita, já que o órgão considera a água imprópria quando há uma quantidade superior a 2.500 coliformes fecais para cada 100 mL. O limite do aceitável é 1.000 coliformes fecais por l00 mililitros de água.

Leia também: Praia de Areia Preta tem 92 vezes mais coliformes fecais que o aceitável

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