Famílias completam mais de uma semana sem Prae
Natal, RN 22 de jul 2026

Famílias completam mais de uma semana sem Prae

11 de novembro de 2024
6min
Famílias completam mais de uma semana sem Prae

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Desde o dia 1º de novembro, o Programa de Acessibilidade Especial Porta a Porta (Prae) foi suspenso em Natal sem maiores explicações pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros (Seturn). O Prae é o serviço que permite pegar o paciente em casa e levá-lo para a respectiva terapia. Até esta segunda (11) o serviço não somente não havia sido retomado, como não há qualquer comunicado oficial nesse sentido.

Na sexta (1) o motorista me deixou na fisioterapia com a minha filha. Quem usa o Prae tem terapia em dois horários, às 13h e 17h. Na volta ele já havia sido demitido. Foram seis demitidos e três ficaram”, relata Waléria Oliveira, mãe atípica de uma menina que está com a terapia suspensa por falta de transporte.

A filha de Waléria, que hoje tem 14 anos, sofreu um acidente de carro aos 4 anos, ficando com sequelas de um traumatismo craniano. A menina não consegue movimentar o corpo sozinha e é o fisioterapeuta que faz esses movimentos. Sem eles, ela tem os músculos encurtados e precisará ir para uma sala de cirurgia aplicar botox.

Quase todo mundo está com a terapia parada. A exceção são aquelas mães que sabem que se o filho perder a terapia respiratória, corre o risco de ter uma pneumonia e parar na UTI. Elas estão tirando de onde não têm para pagar um transporte”, lamenta Waléria, que aproveitou o espaço aberto pelos vereadores que fazem parte da Comissão de Transportes, Legislação Participativa e Assuntos Metropolitanos para pedir ajuda e resolver a situação.

O lugar mais difícil de se estar é no lugar do outro. Nenhuma criança, independente da faixa etária que estiver, sonharia estar numa sala de terapia a tarde inteira. Mas, para nossos filhos, quando descobrimos que éramos mães atípicas, passamos a reorganizar nossos sonhos, porque também não era nosso sonho. Quando a gente analisa a suspensão de um Prae, não avalia simplesmente a retirada de um carro que foi retirado da rota, mas é como se estivessem ceifando nossa última esperança e isso é extremamente doloroso porque toda criança com deficiência precisar ser estimulada para ter um desenvolvimento. Então, nossa esperança está numa boa terapia para nossos filhos, o que não é fácil de encontrar, muitas mães têm serviços negados”, desabafou Waléria Oliveira.

Um grupo de mães e pais que dependem do Prae até entraram em contato com a Prefeitura do Natal para relatar o que estava ocorrendo. Eles até foram ouvidos, mas receberam apenas uma nota vaga da Prefeitura do Natal na qual o município se dizia surpreso com a suspensão e que adotaria medidas, até judiciais, em “breve”.

Breve é um termo muito subjetivo. O que é breve para você pode não ser para mim, que dependo do serviço. Foi isso que cobrei dos vereadores, que eles fossem atrás de uma data”, revela Waléria.

Segundo a Prefeitura do Natal, na nota entregue a Waléria e à imprensa, o Município já tinha designado técnicos envolvidos com o Prae para avaliação do reajuste do serviço, mas o Seturn decidiu cortar as viagens antes de qualquer negociação.

O Seturn deve, literalmente, obedecer a STTU, mas o que vemos na prática é o oposto. Ao invés da STTU multar o Seturn por retirar os direitos do povo, seja uma linha de ônibus, seja um Prae, acontece justamente o inverso. Por exemplo, houve uma ação da deputada Natália Bonavides para retorno das linhas e no polo judicial a Prefeitura esteve ao lado do Seturn e não do retorno das linhas”, denunciou Daniel Valença (PT).

Daniel Valença I Imagem: reprodução

Confira a íntegra da nota da Prefeitura do Natal:

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O PRAE NATAL

A Prefeitura Municipal do Natal vem a público prestar informações à população e manifestar sua perplexidade sobre a decisão do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros (SETURN) de retirar parcela substancial dos veículos que integram o Programa de Acessibilidade Especial Porta-a-Porta (PRAE), voltado à assistência de pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida a serviços de saúde.
A medida do SETURN causa total estranheza porque a disponibilização desses veículos está prevista em Termo de Ajustamento de Conduta, bem como em Decreto Municipal e nenhuma decisão judicial permite a suspensão dos serviços de forma abrupta, como praticada a partir do dia 01/11, especialmente quando o Município já tinha designado técnicos envolvidos com o Programa para a elaboração de estudos que poderiam ensejar na repactuação dos serviços com ajuste na exata remuneração a ser apurada no bojo dessa análise.
Portanto, essa supressão abrupta e arbitrária dos veículos pelo SETURN compromete a integralidade dos serviços oferecidos aos usuários do Prae.
Diante disso, a Prefeitura discorda frontalmente do caminho adotado pelo SETURN, porém ainda mantém o diálogo aberto com a entidade, por confiar na capacidade de um acordo pela via administrativa, com a retomada imediata dos veículos extraídos, sob pena de novas medidas administrativas e judiciais.
Ao mesmo tempo em que emite estes esclarecimentos à população, a Prefeitura do Natal antecipa que, não havendo avanços nas tratativas de forma breve, irá adotar de todas as medidas cabíveis para a pronta resolução do problema, inclusive de natureza judicial.
Prefeitura Municipal do Natal

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