A descoberta e tratamento do HIV aos 15 anos
Natal, RN 12 de jun 2026

A descoberta e tratamento do HIV aos 15 anos

8 de dezembro de 2024
A descoberta e tratamento do HIV aos 15 anos

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Ryan Kevin descobriu que tinha HIV aos 15 anos. Depois de achar que iria morrer, teve que enfrentar a depressão e ansiedade para dar continuidade ao tratamento. Hoje, aos 23 anos, ele já não transmite mais o vírus e considera que tem uma vida melhor do que na época que contraiu a doença.

O jovem faz parte de uma maioria constatada pelo Ministério da Saúde de que 95% das pessoas que vivem com HIV no Brasil e fazem o tratamento corretamente, atingiram o estágio de indetectabilidade, ou seja, não transmitem mais o vírus. Isso ocorre quando a carga viral do vírus no sangue fica a níveis abaixo de 40 cópias/mL.

Se você acompanha as publicações da Agência Saiba Mais deve lembrar da figura ou história desse jovem que foi rejeitado pela mãe, perseguido por um tio, morou na rua e passou por abrigos até conseguir um emprego e construir seu próprio lar. Hoje, Ryan vai contar o choque que levou ao descobrir que era portador do HIV aos 15 anos e como conseguiu controlar o vírus num cenário extremamente desfavorável.

Saiba Mais – Quando descobriu que tinha HIV?

Ryan – Eu descobri quando tinha 15 anos de idade. Eu estava morando na rua e descobri depois de ter muitos sintomas em diferentes regiões do corpo. Muita dor de cabeça, corpo dolorido, diarreia e vômito. Fui para a UPA [Unidade de Pronto Atendimento], onde passaram soro e medicação, mas no dia seguinte eu não melhorei, fui só piorando. Fui para a UPA de novo e passaram a mesma medicação, mas fui ficando grave e me encaminharam para uma Unidade de Saúde próxima, onde fiz três testes e um deles deu positivo. De lá me encaminharam para o Giselda Trigueiro. Lá fiz outro exame de sangue e o resultado deu positivo.

SM – Você sabe como você adquiriu o vírus?

Ryan – Até hoje eu tento lembrar, mas desconfio que foi quando tive relação com uma pessoa que não utilizou camisinha. Eu tinha 15 anos, era menor de idade e não sabia que existia o HIV. Os sintomas demoraram a aparecer, surgiram depois de uns dois meses, achei que estava com febre, dor de cabeça como qualquer pessoa. Hoje em dia faço palestras sobre a importância de usar camisinha, procuro orientação com a nutricionista para saber o que devo comer e fazer atividade física.

SM – Qual foi sua reação?

Ryan – Quando o médico disse que eu tinha HIV fiquei em choque, desesperado, comecei a chorar e o médico tentando me acalmar dizendo que eu ia fazer o tratamento e não ia morrer. Na minha cabeça eu dizia que ia morrer, que essa era uma doença que mata. Depois disso tive crise de ansiedade, depressão, já tentei tirar minha vida duas vezes porque não ia conseguir ter uma vida melhor, não sabia que estaria vivo hoje. Foi muito difícil e doloroso quando comecei a fazer tratamento, mas a vida é mais forte do que a Aids.

SM – Quando soube que não estava mais transmitindo?

Ryan – Depois de três meses de tratamento tive que fazer exames para saber como estava e viram que estava reagindo bem. Mandaram retornar com seis meses, fiz o exame de carga viral e quando recebi o resultado apareceu o nome ‘não detectável’. Perguntei o que era isso e me responderam que eu não estava mais transmitindo para outras pessoas, que estava fazendo o tratamento direitinho. Eu disse: ‘sério moça?’ Daí ela foi me explicar tudo direitinho, que se eu transasse com alguém sem camisinha, não transmitiria, mas lembrando que é importante usar o preservativo para não pegar outros tipos de doença. Hoje faço exames a cada seis meses.

SM – Já sofreu alguma discriminação por causa da doença?

Ryan – Sou uma pessoa corajosa. Hoje mostro quem eu sou, graças a Deus, de lá para cá não sofri nenhum preconceito ou discriminação sobre meu tratamento.

SM – Como é sua rotina?

Ryan – Tomo dois comprimidos antes de dormir. De manhã acordo com fome porque o remédio é muito forte, então começo o dia tomando café, comendo fruta. São dois comprimidos por dia e duas vacinas por mês.

SM – Consegue ter uma vida normal hoje em dia?

Ryan – Hoje estou com uma vida mais tranquila e saudável. Se tenho uma gripe ou febre, ao chegar ao médico, já digo que tenho HIV, porque nem toda medicação serve. Hoje tenho uma vida melhor, sou uma pessoa que não é de beber ou ir muito a festas. Sou mais de ir à praia e pegar uma vitamina D.

Mais informações

O preservativo ou camisinha continua sendo o item nº 1 recomendado pelos médicos para prevenir não só o HIV, mas todas as demais doenças sexualmente transmissíveis, além da gravidez.

Ryan Kevin I Foto: cedida

Além disso, atualmente, o Ministério da Saúde já dispõe de uma Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), que consiste na administração de um comprimido por dia para que, caso o indivíduo seja exposto ao HIV, ele não seja contaminado. Se administrada corretamente, a eficácia chega a 99% dos casos.

O medicamento combina dois antivirais que permanecem na corrente sanguínea, já que é tomado diariamente. Assim, quando o organismo entra em contato com o HIV, a medicação atua antes que o vírus contamine o organismo.

A inclusão do PrEP na rede pública foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017 e no ano seguinte os comprimidos passaram a ser disponibilizados.

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