Após concluir restauração, DNIT libera integralmente tráfego na Ponte de Igapó
Depois de um ano e oito meses de interdição, o trânsito na Ponte de Igapó, que faz a ligação da Zona Norte com as demais áreas administrativas de Natal, passando sobre o Rio Potengi, finalmente foi liberado nesta sexta-feira (23), por volta das 17h30, após a conclusão das obras de restauração feitas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (DNIT).
Depois da liberação do tráfego nas quatro faixas da ponte – uma em cada sentido –, equipes da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito Urbano (STTU) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estavam no local para orientar os motoristas. A STTU informou que ainda fará a sinalização horizontal da pista, o que possivelmente provocará a necessidade de novas intervenções pontuais.
A obra havia sido licitada em setembro de 2021, ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os trabalhos, no entanto, só começaram no dia 12 de setembro de 2023, no primeiro ano do governo do presidente Lula (PT).
A previsão inicial era que o serviço de recuperação da estrutura levaria um ano, ao custo de R$ 20,8 milhões, mas o prazo foi esticado e o valor passou para cerca de R$ 30 milhões.

De acordo com superintendente do DNIT no Rio Grande do Norte, Getúlio Batista, o serviço demorou a começar porque a empresa vencedora da licitação, Jatobeton Engenharia Ltda., sediada em Recife (PE), ainda estava resolvendo trâmites burocráticos dentro do órgão, para só então iniciar a elaboração do projeto, que só ficou pronto em setembro de 2023.
Getúlio assegurou que, ao assumir o DNIT, em maio de 2023, procurou agilizar a execução da obra, que à época foi muito criticada pela Prefeitura de Natal, ainda durante a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).
O ex-prefeito acusou o DNIT de fazer “politicagem” ao instalar o canteiro de obras sobre uma das faixas da Ponte de Igapó. Para Álvaro Dias, o objetivo do órgão federal seria evitar que a população da capital sentisse os efeitos da requalificação da Avenida Felizardo Moura, concluída em junho de 2024.
A recuperação da Ponte de Igapó estava prevista para começar simultaneamente às obras da Felizardo Moura, iniciadas em setembro de 2022, mas o cronograma sofreu atraso no governo do ex-presidente Bolsonaro, prolongando os transtornos provocados pela interdição.
A Prefeitura de Natal chegou a ingressar com uma ação na Justiça Federal, no início de março de 2024, pedindo a remoção do canteiro de obras da Ponte de Igapó. O pedido, no entanto, foi negado pela juíza Moniky Mayara Costa Fonseca.
Uma perícia determinada pela juíza para fazer a avaliação técnica da obra atestou que uma eventual mudança do canteiro de obras causaria atrasos, aumento de custos e a necessidade de novos procedimentos de licenciamento ambiental.
A perícia, realizada pelo engenheiro civil da Justiça Federal, Vinícius Leite, concluiu que a realocação do canteiro de obras implicaria em um aumento de custos de mais de 25%, além de atrasar ainda mais a execução da obra e de representar potenciais riscos à segurança dos trabalhadores.
O DNIT defendeu que a instalação do canteiro no local escolhido resultava em menor impacto ambiental, conveniência operacional e desnecessidade de licenças ambientais e supressão vegetal em áreas protegidas, além de garantir a segurança operacional da obra e dos trabalhadores.
Em resposta à Prefeitura de Natal, o órgão federal afirmou na época que “a obra é de extrema importância para a mobilidade urbana da região”, além de ressaltar que o processo de execução da obra estava sendo monitorado “pela equipe técnica da autarquia, para que toda as etapas sejam cumpridas dentro do cronograma de obras, a fim de garantir a celeridade e a excelência dos serviços”.
A obra Ponte de Igapó incluiu a restauração e o reforço de estacas, blocos e pilares; demolição de estruturas deterioradas; substituição asfáltica e de aparelhos de apoio; reforço de vigas, recuperação de barreiras de refúgio da ponte ferroviária e da passagem dos pedestres e guarda-corpos, dentre outros.
O superintendente do DNIT afirmou que, como parte do projeto de restauração, também será implantada uma estrutura cicloviária, em conformidade com a legislação vigente, garantindo maior acessibilidade e segurança aos ciclistas.
A Ponte de Igapó, com 600 metros de extensão, nunca havia passado por uma reparação desde a construção de suas duas partes – uma em 1970 e outra em 1985.