Barco Escola retoma atividades e chegará ao interior do RN; entenda como funciona
O tradicional Barco Escola do Rio Grande do Norte voltou a navegar nesta terça-feira (29), em uma cerimônia simbólica realizada no Iate Clube de Natal. Rebatizado como Projeto Barco Escola RN, o programa ambiental retorna com um aporte de R$ 18,7 milhões e o compromisso de alcançar outras regiões do estado nos próximos anos, reforçando seu papel como ferramenta de educação e preservação dos ecossistemas hídricos potiguares.
A embarcação Chama-Maré, totalmente restaurada, voltou ao estuário do Rio Potengi com novas estruturas e equipamentos, prontos para receber estudantes, professores, lideranças comunitárias e profissionais ligados ao meio ambiente. A retomada é coordenada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), em parceria com a Funcitern e apoio da UERN.
Durante a solenidade, a governadora Fátima Bezerra destacou o caráter educativo e simbólico da iniciativa. “Estamos retomando uma ação que fortalece nossa política ambiental e contribui para a formação de uma nova consciência nas escolas. O Barco Escola é um espaço de aprendizado e cuidado com nossos rios e com o planeta”, declarou.

Interiorização do projeto
A proposta de relançamento já prevê a ampliação do alcance do projeto. A partir de 2026, o Barco Escola RN chegará a novos territórios potiguares. Estão no cronograma os rios Piranhas-Açu, Apodi-Mossoró, Aratuá e Tubarão, com atividades planejadas para municípios como Macau, Areia Branca, Guamaré, Grossos e Galinhos.
Para o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, a expansão geográfica representa mais do que um crescimento físico. “Estamos consolidando a educação ambiental como uma política pública duradoura. Queremos que o Barco Escola seja vivido por todas as regiões, criando laços entre as populações e os ecossistemas que as cercam”, disse.
Uma das vozes ativas pela reativação do projeto foi a da deputada estadual Divaneide Basílio (PT), que celebrou a conquista:
“Com muito orgulho temos de volta o Programa Barco Escola. Na Assembleia Legislativa, apresentamos requerimento com o pedido de retorno do Programa e esta semana vivemos a felicidade de tê-lo novamente graças ao empenho do Governo e do Idema/RN”, afirmou.
Como funciona o Barco Escola
Inspirado no projeto criado em 2006, o Barco Escola RN oferece aulas interdisciplinares a bordo de um catamarã. Os participantes percorrem o estuário do Potengi com paradas e observações em locais de relevância histórica e ambiental, como a Fortaleza dos Reis Magos, o Cemitério dos Ingleses e a Base Naval.
Com duração média de duas horas, os passeios são conduzidos por educadores ambientais e envolvem temas como biologia, ecologia, história, geografia e cidadania, sempre com foco na relação entre o ambiente urbano e o natural. A experiência pretende formar multiplicadores locais, capazes de inspirar ações sustentáveis em suas comunidades.
A estrutura do projeto inclui também o transporte dos participantes até o ponto de embarque e acompanhamento pedagógico contínuo. Toda a documentação e registro da embarcação estão regulares junto à Marinha, garantindo a segurança das atividades.
Investimento
Os R$ 18,7 milhões de investimento anunciados pelo Governo do Estado serão aplicados ao longo de cinco anos. A verba cobre desde a reestruturação da embarcação Chama-Maré até a aquisição de duas novas embarcações, manutenção, combustível, taxas operacionais e contratação de tripulação, coordenadores e monitores-bolsistas.
Segundo Farkatt, essa estrutura garante não apenas o retorno das atividades no Potengi, mas a viabilidade da interiorização do projeto a médio e longo prazo.
A cerimônia de relançamento reuniu nomes do Governo e da sociedade civil, entre eles as secretárias Socorro Batista (Educação) e Mary Land Brito (Cultura), os secretários Paulo Varella (Meio Ambiente), Gustavo Coelho (Infraestrutura) e Carlos Eduardo Xavier (Sefaz), além da controladora-geral do Estado, Luciana Daltro, e o secretário adjunto da Casa Civil, Ivanilson Maia.
Histórico
O Barco Escola foi criado em outubro de 2006, com o nome Chama-Maré, e operava de terça a sábado, realizando até quatro viagens por dia, com uma média mensal de 3 mil pessoas atendidas. A bordo, alunos da rede pública e privada, além de grupos organizados, vivenciavam conteúdos interdisciplinares sobre os desafios ambientais do estuário Potengi.
A embarcação realizava seu trajeto com saídas do Iate Clube, passando por pontos como a Redinha, Gamboa Jaguaribe, Ponte de Igapó e Porto de Natal. Após anos de atuação, o projeto foi interrompido, e agora retorna reformulado, com novas metas e maior abrangência.
Como participar
O agendamento das visitas pode ser feito através do site oficial: projetobarcoescolarn.org. Mais informações também estão disponíveis pelo e-mail: [email protected].