Chuvas superam média de julho e voltam a alagar Ponta Negra
Natal, RN 21 de jul 2026

Chuvas superam média de julho e voltam a alagar Ponta Negra

21 de julho de 2026
4min
Chuvas superam média de julho e voltam a alagar Ponta Negra
Imagens: Exclusivo Ponta Negra

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O mês de julho ainda nem terminou, mas Natal já registrou um volume de chuva superior à média histórica para todo o período. Até o dia 20, a capital potiguar acumulou 272,8 milímetros de precipitação, segundo a estação A304 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ultrapassando os 234,7 milímetros previstos para o mês com base na série histórica entre 2003 e 2025.

As precipitações mais intensas se concentraram entre os dias 17 e 18 de julho, quando algumas regiões da cidade registraram acumulados próximos de 180 milímetros em menos de 24 horas. Nesta terça-feira (21), novos temporais voltaram a provocar alagamentos em diversos pontos da capital, especialmente na zona Sul, reacendendo os transtornos causados pelo período chuvoso.

O principal destaque foi a Praia de Ponta Negra. Mais uma vez, a água desceu pelas ruas e invadiu a faixa de areia no trecho da engorda, formando grandes lâminas d’água sobre a praia. De acordo com a Prefeitura do Natal, o bairro registrou mais de 70 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. Confira ao vivo a situação da engorda:

SAIBA MAIS: Áreas alagadas da engorda de Ponta Negra oferecem risco à saúde, aponta boletim

O cenário reacende o debate sobre a drenagem da orla. Em maio deste ano, a Prefeitura anunciou um projeto de aproximadamente R$ 21 milhões para implantação de três reservatórios de detenção e infiltração com o objetivo de reduzir o volume e a velocidade da água que chega à praia durante as chuvas. A obra foi anunciada após o Ministério Público Federal apontar falhas no sistema de drenagem da área da engorda, mas ainda não foi iniciada.

Os impactos das chuvas também atingiram importantes corredores viários da cidade. A lagoa de captação da Avenida Ayrton Senna, em Neópolis, voltou a transbordar e invadiu a pista, obrigando a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) a interditar o cruzamento com a Avenida das Alagoas. Pelo menos três veículos apresentaram pane mecânica após tentarem atravessar o trecho alagado.

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), o transbordamento foi agravado por uma interrupção no fornecimento de energia elétrica que comprometeu temporariamente o funcionamento da bomba responsável pela drenagem da lagoa. O sistema foi restabelecido e um gerador passou a operar no local para evitar novas paralisações.

Além da Ayrton Senna, a STTU registrou quatro vias completamente intransitáveis e cerca de 20 pontos de alagamento na capital ao longo da manhã desta terça-feira. Também houve bloqueios na Avenida Solange Nunes, em Cidade Nova, além de registros de alagamentos no Planalto, Rocas e outros bairros.

O Instituto Nacional de Meteorologia renovou o alerta de perigo potencial para chuvas intensas em 109 municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Natal. O aviso prevê precipitações entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo do dia, acompanhadas por ventos de até 60 quilômetros por hora. O órgão alerta para baixo risco de alagamentos, queda de galhos de árvores, descargas elétricas e interrupções no fornecimento de energia.

Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), as chuvas persistentes são provocadas pelo aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul próximo ao litoral potiguar. O fenômeno aumenta a evaporação e a disponibilidade de umidade, favorecendo a formação de nuvens carregadas, principalmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã.

Diante do cenário, a Prefeitura do Natal mantém equipes de diferentes secretarias em regime de prontidão. Além das ações de infraestrutura, o município também reforçou a assistência às famílias atingidas. No Loteamento José Sarney, em Lagoa Azul, uma das áreas mais afetadas pelos temporais, mais de 300 pessoas receberam atendimento social, cestas básicas e orientações sobre programas como o auxílio-aluguel.

Apesar da previsão de redução na intensidade das chuvas ao longo da semana, os órgãos de monitoramento seguem em alerta. A combinação entre o solo encharcado, a continuidade das precipitações e a influência das condições oceânicas mantém elevado o potencial para novos transtornos em Natal, especialmente nas áreas historicamente vulneráveis a alagamentos.

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