Misoginia: Styvenson ameaça “esfregar na cara” de Fátima notas fiscais de laptops
O senador Styvenson Valentim (PSDB) voltou a protagonizar ataques misóginos contra a governadora Fátima Bezerra (PT). Aproveitando-se da notícia de que o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu uma licitação do Governo do Estado para locação de laptops, o parlamentar publicou um vídeo em suas redes sociais fazendo ofensas pessoais e acusações à gestora.
No vídeo, Styvenson ameaça “esfregar na cara” da governadora as notas fiscais de equipamentos comprados com emenda parlamentar de seu mandato. Em tom agressivo, ele afirmou que “o único erro dela é existir”, acusou a governadora de se “deleitar mentindo para as pessoas” e a classificou como “incompetente, irresponsável” e alguém que “não entende nada de economicidade”.
Parlamentares petistas saíram em defesa da governadora. O deputado federal Fernando Mineiro, em suas redes sociais, prestou solidariedade a Fátima “diante da fala agressiva do senador Styvenson”.
“Ameaçar uma mulher é grave e inaceitável. Não aceitaremos violência política de gênero. É preciso dar um basta à política feita com ódio”, escreveu.
A vereadora Samanda Alves também usou as redes para criticar a fala de Styvenson dizendo que, com mulher, “ele é valente”, mas “com homem, pede a bênção”.
“Não dá mais pra aceitar a arrogância, a prepotência e a misoginia do senador Styvenson Valentim. Fátima é uma mulher honrada, eleita e reeleita pelo povo do RN. Nós, mulheres potiguares, vamos saber dar a resposta a esse tipo de postura”, declarou.
Para o vereador Daniel Valença (PT), Styvenson Valentim, ao fazer essa declaração, “reafirmou seu machismo e misoginia”, lembrando episódio anterior quando o senador, nas palavras do petista, “chegou ao ponto de legitimar agressão contra uma mulher vítima de violência doméstica, por parte de um policial”.
O comentário levou a uma denúncia contra o senador no Conselho de Ética, apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT). Daniel Valença defendeu qu Styvenson “deveria de novo responder a processo no Conselho de Ética do Senado e, desta vez, perder seu mandato”.
O caso citado pelo vereador ocorreu em julho de 2021, no município de Santo Antônio. Ao atender uma ocorrência de violência doméstica, o policial agrediu física e verbalmente a própria vítima. Na época, ao comentar o episódio, Styvenson disse que não sabia o que a mulher teria feito para “merecer dois tapas”.
Styvenson “está lado a lado com o pior da política”, afirma Natália

Natália lembrou da representação que fez contra Styvenson no Conselho de Ética no Senado. Para a deputada, o senador “está lado a lado com o pior da política, o bolsonarismo que usa de polêmica na internet para tentar conseguir voto”.
“O senador deveria estar preocupado era em explicar aos seus eleitores sua participação no orçamento secreto, a relação dele com a liberação de uma emenda para comprar asfalto de baixa qualidade que virou alvo da Controladoria Geral da União. Mas eles agem assim: fazem cortina de fumaça com declarações agressivas para se esconder da verdade”, acusou.
Natália ressaltou que “violência de gênero é crime”, conforme previsto pela lei nº 14.192/2021. Ela enfatizou que o senador atacou a governadora com o inutuito de “desqualificar sua gestão, pensando na eleição de 2026”, quando os dois se enfrentarão nas urnas.
Styvenson “ultrapassou os limites da convivência democrática”, diz Divaneide
A deputada estadual Divaneide Basílio também saiu em defesa da governadora. Ela disse considerar que a postura de Styvenson “ultrapassou os limites da convivência democrática, revelando uma inaceitável violência política de gênero contra a governadora Fátima Bezerra”.
Divaneide disse, ainda, que a fala do senador “destoa da honra e da legitimidade do mandato de uma mulher que foi eleita e reeleita pelo povo potiguar”.
Já a vereadora Brisa Bracchi afirmou ser “inaceitável que um senador trate uma governadora com tamanha grosseria e misoginia”.
Para Brisa, a fala de Styvenson não é uma cobrança política, mas sim um “ataque” vindo de quem ostenta um “comportamento típico de quem tenta deslegitimar mulheres no poder”.
“Fátima tem trajetória honrada e compromisso com a transparência. O próprio governo já esclareceu: os recursos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Edução, exclusivos para custeio, o que impede sua utilização para compras. A locação dos aparelhos garante manutenção, troca e atualização. Todo o processo seguiu os trâmites legais, está aberto à fiscalização. O senador escolheu o ataque pessoal porque não tem argumento”, declarou.
Styvenson insinua favorecimento à empresa; governo nega
O senador, além dos ataques pessoais, insinuou que houve favorecimento à empresa Reprimig, vencedora da licitação para a locação de 21 mil laptops pela Secretaria Estadual de Educação (SEEC), pelo período de três anos, ao custo de R$ 50,7 milhões.
O processo foi suspenso pelo TCU após uma das empresas desclassificadas apresentar representação, questionando sua inabilitação. A SEEC afirmou, também em nota oficial, que já havia prestado “todos os esclarecimentos” solicitados pelo órgão de controle.
Em sua publicação, Styvenson comparou o valor dos equipamentos locados pelo governo com o de notebooks adquiridos em 2019 com verba de emenda de seu mandato, sugerindo sobrepreço.
De acordo com ele, os laptops comprados custaram, em valor unitário, pouco mais de R$ 1.600,00, enquanto os locados sairiam a R$ 2.399,00.
O Governo do Estado esclareceu, em nota oficial, que os recursos utilizados na locação são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que, por se tratarem de verbas destinadas a custeio, não poderiam ser utilizados para compra de equipamentos.
Além disso, o contrato de locação inclui assistência técnica, substituição de equipamentos com defeito e atualização dos sistemas, o que representa uma economia e maior praticidade para a administração pública.
O senador também induz a população ao erro ao comparar, sem considerar a diferença temporal e a inflação do período, uma compra realizada em 2019 e uma licitação feita em 2025.
O Governo do Estado rebateu no comunicado “qualquer insinuação leviana e irresponsável, feita por quem não tem o mínimo zelo pela verdade” e destacou que a suspensão da licitação pelo TCU visa apenas esclarecer questões relativas à habilitação das empresas, sem apontar suspeitas de fraude ou favorecimento, como sugerido pelo senador Styvenson Valentim.
Leia a íntegra da nota do Governo do RN:
O Governo do Estado do Rio Grande do Norte repudia qualquer insinuação leviana e irresponsável, feita por quem não tem o mínimo zelo pela verdade.
Os recursos destinados pelo FNDE, utilizados para o aluguel dos chromebooks, são para custeio. Isso impede que sejam usados para aquisição de equipamento.
Além disso, é absolutamente vantajoso o contrato de aluguel desse tipo de equipamento à administração pública. Os computadores podem ser trocados caso apresentem algum problema, surjam atualizações ou necessitem de reparo. Essa modalidade traz economia mensal e praticidade à administração pública.
É importante salientar que a decisão do TCU de suspender a licitação é para esclarecimentos e levanta questões relativas à habilitação das empresas concorrentes.
O Governo do Estado preza pelo respeito institucional, e lamenta o uso de insinuações e mentiras com interesse em causar prejuízo à imagem da gestão por mera conveniência política.
*Atualizada às 9h48 para acréscimo de informações.